Conheça histórias de vida de vítimas do massacre em Newtown
A maioria morreu no início de suas jovens vidas, pequenas vítimas abruptamente arrancadas do mundo que ainda pouco conheciam. Outras encontraram na educação, no cuidado, no tratamento carinhoso dedicado às crianças o trabalho de suas vidas. Algumas encerraram sua existência buscando oferecer segurança aos pequenos até o último momento.
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Depois de terminado o massacre na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, os frios números mostraram a dimensão da tragédia - 20 crianças, sete adultos mortos -, mas não davam conta do tamanho da perda: vidas ceifadas por um assassino que se suicidou depois de executar o segundo tiroteio mais sangrento na história dos Estados Unidos. As seguintes pessoas são apenas algumas das que perderam a vida no massacre de sexta-feira:
EMILIE PARKER
Emilie Parker, 6 anos, estava aprendendo Português com o pai, Robbie Parker, 30 anos. De acordo com ele, Emilie lhe disse "Eu te amo" em português, e os dois se beijaram antes de saírem de casa rumo à escola na manhã da última sexta-feira. A família da menina se mudou de Ogden, em Utah, no ano passado, depois que o pai encontrou emprego na região de Newtown. Um amigo da família disse que o corpo de Emilie será enterrado em Ogden.
AVIELLE RICHMAN
Avielle entrou na primeira série em Sandy Hook em agosto deste ano. Sua mãe, Jennifer, dona de uma empresa que vende equipamentos elétricos, frequentou a mesma escola quando era criança.
JESSE LEWIS
O pai do menino de 6 anos, Neil Heslin, disse: "Eu o deixei na escola às 9h. Ele foi feliz. Essa foi a última vez que o vi". Ele contou que o filho tinha planejado fazer casas com biscoito na sala de aula.
DANIEL BARDEN
Daniel era conhecido pelos amigos como "Mini" Barden. Seu irmão mais velho, treinador de futebol, confirmou que o menino estava entre as vítimas da escola.
VICTORIA SOTO
Radiante nas fotos, o entusiasmo e alegria desta professora eram evidentes. Seus entes queridos dizem que ela fazia o que amava. Agora, consideram-na uma heroína. Ainda que os detalhes sobre sua morte sejam confusos, seu nome surgiu repetidamente associado a uma imagem de altruísmo ante a incomensurável maldade. Os investigadores afirmaram que Vicki, 27 anos, morreu para proteger seus alunos do primeiro grau. Disseram que ela os escondeu em um armária para tentar salvá-los. "Seu sonho de vida era ser professora. E seus instintos falaram mais alto quando ela viu que havia perigo a caminho dos alunos. Me acalenta saber que ela estava fazendo o que amava, protegendo as crianças", disse seu primo Jim Wiltsie.
ANA MARQUEZ-GREENE
Há um ano, nesta mesma época, Ana Marquez-Greene, 6 anos, estava aproveitando as festas com seus familiares em uma viagem a Porto Rico. Agora, esse período será tristemente diferente. Elba Márquez, sua avó, disse que a família da menina se mudou para Connecticut há apenas dois meses, partindo do Canadá em parte devido à boa reputação da escola primária de Sandy Hook, onde ocorreu o massacre. "Era um lugar bonito, simplesmente bonito", disse a senhora Márquez.
DAWN HOCHSPRUNG
O orgulho de Dawn Hochsprung pela escola em que trabalhava era claro. Costumava tuitar fotos desde que se tornou diretora, dando inesquecíveis vislumbres de vida em um local agora conhecido pela tragédia. Nesta semana, publicou imagens dos ensaios de estudantes da quarto série para seu concerto de Natal, dias antes de mostrar as pequenas mãos de crianças do jardim de infância conseguindo dinheiro em sua lojinha de brinquedos artesanais. Em 2010, disse, em entrevista ao jornal local The Newtown Bee que não existia "lugar mais positivo para levar os estudantes todos os dias". E, quando o inimaginável aconteceu, ela estava pronta para se defender. As autoridades informaram que a diretora morreu tentando investir contra o assassino com a intenção de derrubá-lo.
MARY SHERLACH
Quando começaram os disparos, a psicóloga da escola, Mary Sherlach, 56 anos, também se lançou em direção ao perigo. Janet Robinson, inspetora das escolas públicas de Newtown, disse que Sherlach e a diretora Hochsprung correram para deter o atacante, e ambas perderam a vida. Mesmo prestes a se aposentar, Sherlach amava seu emprego em Sandy Hook. Os que a conheceram lembram dela como uma vizinha maravilhosa, uma pessoa encantadora e uma educadora dedicada.
LAUREN ROUSSEAU
Lauren Rousseau passou anos atuando como professora substituta e fazendo outros trabalhos. Por isso, se emociounou quando soube que logo teria o emprego em turno integral na escola. Sua mãe, Teresa Rousseau, não se contém ao dizer o que esse posto significava para ela. "Foi o melhor ano de sua vida", disse ao Danbury News-Times, onde trabalha como editora. Russeau era gentil, alegre e ativa. Para a sexta-feira, havia planejado assistir ao filme O Hobbit.
DYLAN HOCKLEY
O pequeno Dylan Hockley, 6 anos, se mudou do Reino Unido com a família para a cidade americana de Newtown no ano passado, em busca de uma vida melhor. A boa reputação levou ele e seu irmão, Jake, 8 anos, à escola primária de Sandy Hook, onde ambos presenciaram o massacre na sexta-feira. Jake sobreviveu; Dylan, não. Uma vizinha da família revelou uma nota de agradecimento escrita por Dylan no Natal de 2010. A cartinha, recebida por Maria Sweet, 81 anos, foi acompanhada de chocolates e dizia: "Querida sra. Sweet, muito obrigado pelas barras de chocolate, nós amamos chocolate. Esperamos que você tenha tido um bom Natal e um feliz ano novo e desejamos vê-la novamente em breve".
Com informações da AP e do The Independent.