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Estados Unidos

Clinton e Gore deixam rivalidade de lado em abraço

6 ago 2009 - 21h50
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Foi um momento comovente. O ex-presidente Bill Clinton e Al Gore, que serviu como vice-presidente em seu governo, trocaram um prolongado abraço quando Clinton retornou aos Estados Unidos depois de conseguir libertar duas jornalistas que trabalhavam para uma empresa criada por Gore do cativeiro na Coreia do Norte.

eua_gore_clinton_ap (mat e capas)
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Foto: AP

A imagem registrada pelos jornalistas no aeroporto de Burbank, Califórnia, na manhã de quarta-feira, serviu como lembrete visível da maneira pela qual as circunstâncias conspiraram, nos últimos dias, para unir os nomes dominantes - e ocasionalmente rivais - do Partido Democrata em torno da dramática viagem de Clinton à Coreia do Norte. Lá, na pista de pouso, estavam reunidos os dois democratas que dominaram o partido nos anos 90, Gore e Clinton - o segundo dos quais desempenhou papel crucial na negociação que pôs fim a uma crise internacional, em nome do presidente Barack Obama e de sua secretária de Estado, Hillary Clinton, mulher de Bill e adversária de Obama na disputa pela indicação presidencial democrata em 2008.

Bill Clinton e Gore não passaram muito tempo juntos em público na quarta-feira. Os dois mantiveram relativamente pouco contato desde que sua associação política e pessoal se desfez de maneira infeliz, quase nove anos atrás, de acordo com figuras próximas a ambos os líderes. Mas ainda assim tanto um quanto o outro conseguiram construir novas identidades e reputações pós-presidenciais, nos últimos oito anos, e isso parece ter permitido que fizessem as pazes com seu passado compartilhado e, aparentemente, entre si.

"Eu gostaria de fazer um agradecimento especial ao presidente Clinton", disse Gore, enquanto o colega o encarava e agradecia com um aceno de cabeça. "Meu parceiro e meu amigo. Estou muito grato".

Mike Feldman, um consultor do Partido Democrata que trabalhou com os dois líderes, disse: "veja, cada um deles se dedicou a coisas diferentes depois do final do governo. Mas quando alguém trabalha lado a lado como eles fizeram, o vínculo que se forma é muito forte, e dificilmente se desfaz. As pessoas dizem que eles não costumam se encontrar muito. Bem, eles vivem em cidades diferentes".

Por um breve momento - apesar de os dois estarem mais corpulentos e mais grisalhos agora- foi fácil relembrar um momento mais feliz, no qual Clinton e Gore capturaram a atenção do país em uma imagem que definiu a era: a viagem de campanha que realizaram juntos em uma caravana de ônibus, na eleição de 1992, disputando a presidência e a vice-presidência.

Na campanha e mais tarde na Casa Branca, os dois homens e suas mulheres gostavam de se retratar como amigos: dividiam o mesmo ônibus, trocavam piadas e abraços calorosos. Gore apresentava Clinton no momento dos discursos, e os dois candidatos pareciam inspirar um ao outro em termos de energia e de temas de campanha.

Ainda assim, dizem associados de ambos, o relacionamento entre eles foi sempre mais pragmático que pessoal, um reconhecimento por dois homens muito ambiciosos, cujas formações semelhantes praticamente garantiam rivalidade, de que haviam desenvolvido quase por acidente uma química capaz de conduzi-los à Casa Branca.

As tensões que parecem invariavelmente arruinar o relacionamento entre um presidente e seu vice no final de um governo logo emergiram na Casa Branca de Clinton, e se agravaram até culminar no momento em que Gore admitiu a alguns de seus assessores que sentia repugnância pelo caso entre Clinton e uma estagiária da presidência.

Gore atacou Clinton verbalmente em uma conversa no Gabinete Oval, depois que ele disputou a presidência e perdeu para George W. Bush em função de uma decisão da Corte Suprema, em 2000. Ao longo de um brutal diálogo de uma hora, Gore atribuiu a Clinton a culpa pela sua derrota, sugerindo que o processo de impeachment contra o presidente havia prejudicado sua candidatura. Clinton rebateu de forma igualmente zangada, criticando o colega por tentar se distanciar dele e de seu legado presidencial durante a campanha.

Nos anos que se seguiram à sua derrota, Gore evitou o mais que pôde fazer aparições públicas em companhia de Clinton, e era visto pelos partidários do ex-presidente como aliado implícito de Obama na disputa pela indicação presidencial entre o atual presidente e Hillary Clinton, no ano passado - ainda que um associado de Clinton tenha dito que o ex-presidente seja grato a Gore por este se ter mantido neutro até o final da disputa.

Mas boa parte disso já havia passado quando Gore ligou para Clinton a fim de pedir ajuda, 10 dias atrás. E embora os caminhos de ambos se tenham cruzado ocasionalmente, claramente não houve ocasião como o momento na quarta-feira em que Gore ¿ao ver Clinton descendo as escadas do avião- caminhou na direção dele batendo palmas ruidosamente, comandando os aplausos da audiência. Os dois primeiro trocaram um aperto de mão e depois se abraçaram por cinco segundos; Clinton deu um tapinha nas costas de Gore e persistiu no abraço, e só depois cumprimentou os familiares que o aguardavam.

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times
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