Caso de Cleveland traz esperança a famílias de desaparecidos
10 mai2013 - 06h04
(atualizado às 08h15)
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11 de maio - Polícia fechou casa com placas de madeira para conservar evidências dentro da residência
Foto: AP
8 de maio - Beth Berry Serrano, irmã de Amanda Berry, conversa com a imprensa
Foto: AFP
8 de maio - Amanda voltou para casa e reencontrou a família depois de cerca de 10 anos de sequestro
Foto: AFP
8 de maio - A irmã de Amanda Berry definiu como emocionante o reencontro dela com a família
Foto: Reuters
8 de maio - Um policial carrega balões depositados na casa da família de Amanda Berry
Foto: AFP
7 de maio - A família de Gina DeJesus decorou a casa para recebê-la de volta após cerca de 10 anos
Foto: AFP
7 de maio - A família de Gina DeJesus decorou a casa para recebê-la de volta após cerca de 10 anos
Foto: AFP
7 de maio - Peritos do FBI voltaram na casa usada como cativeiro nesta terça-feira
Foto: AFP
7 de maio - Moradores de Cleveland exibem cartazes de boas-vindas às três mulheres
Foto: AFP
7 de maio - Charles Ramsey, vizinho da casa onde as mulheres foram encontradas, fala com jornalistas na segunda-feira
Foto: AP
6 de maio - Imagem divulgada pelo FBI mostra Amanda Berry e Gina DeJesus, duas das três mulheres que estavam sequestradas há cerca de dez anos na cidade de Cleveland, Estado americano de Ohio. A terceira foi identificada como Michelle Knight
Foto: Reuters
6 de maio - Imagem mostra o exterior de casa em Cleveland, Estado americano de Ohio, onde três mulheres que desapareceram há cerca de 10 anos, quando ainda eram adolescentes, foram mantidas em cativeiro por sequestradores até serem encontradas na segunda-feira
Foto: AFP
6 de maio - Imagem divulgada pela televisão Woio mostra Amanda Berry (centro) ao lado da irmã (esq.) em hospital de Cleveland
Foto: AFP
6 de maio - Imagem sem data mostra Amanda Berry antes de ser sequestrada em abril de 2003, quando tinha 16 anos
Foto: Reuters
6 de maio - Imagem sem data mostra Georgina DeJesus antes de ser sequestrada em abril de 2004, quando tinha 14 anos
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6 de maio - Imagem mostra a porta da casa que teria sido danificada durante a fuga de Amanda Berry
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6 de maio - Membros do FBI removem evidência da casa
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6 de maio - Membros da polícia de Cleveland e do FBI são vistos em frente à casa onde as mulheres foram encontradas
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6 de maio - Carros da polícia são vistos em frente à casa onde as mulheres foram mantidas em cativeiro
Foto: AFP
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A casa na cidade de Cleveland onde na última segunda-feira foram descobertas três jovens que estavam desaparecidas há uma década está se transformando em local de manifestação de outras famílias que perderam entes queridos e esperam ajuda para encontrá-los.
Tania Adkins era uma das que andavam entre a multidão de jornalistas e câmeras que se amontoam em frente à casa de Ariel Castro, onde vizinhos e a polícia de Cleveland encontraram e resgataram as três jovens que estavam desaparecidas. A moça usava uma camisa com fotos de sua irmã, Christina. Ao lado dela, a madrasta exibia um cartaz pendurado no pescoço.
Christina Adkins desapareceu em 1995 perto da casa de Castro, acusado pela polícia de sequestro, estupro e outros abusos físicos de Amanda Berry, Georgina (Gina) DeJesus e Michelle Knight, as três jovens que na segunda-feira escaparam de uma década de horrores na residência número 2.207 da avenida Seymour.
Na noite de segunda-feira, após deixar o trabalho e voltar para casa, os vizinhos de Tania lhe avisaram que a poucos quarteirões de distância a polícia havia resgatado três mulheres que tinham desaparecido quando eram adolescentes.
"Meus vizinhos vieram correndo para (minha) casa. Pensei que algo ruim tinha acontecido com algum parente deles e que precisavam de ajuda, mas me disseram que ligasse a televisão, porque talvez Christy pudesse estar lá", declarou Tania à agência EFE.
Em vez de ir à casa dos horrores na avenida Seymour, Tania começou a percorrer os hospitais com a esperança de que uma das três jovens fosse sua irmã, desaparecida pouco dias antes de completar 18 anos de idade e quando estava grávida de cinco meses. "Minha esperança era que (ela) fosse uma das meninas da casa e que estivesse no hospital. Realmente esperava que estivesse viva. Isso renovou nossas esperanças" explicou.
Na última segunda-feira, Amanda Berry, 27 anos, Giorgina DeJesus, 23 anos, e Michelle Knight, 32 anos, foram resgatadas após passarem cerca de uma década vivendo em cativeiro na localidade de Cleveland, no Estado americano do Ohio. Durante o período em que estiveram sequestradas, elas teriam mantido acorrentadas e sofrifo abusos sexuais e agressões por parte do dono residência, Ariel Castro, e dois de seus irmãos. Confira a seguir mais 10 casos de sequestros famosos pelo mundo
Foto: AP
Provavelmente no caso de sequestro mais famoso da história, Charles Lindbergh Jr., filho do grande aviador Charles Lindbergh - o primeiro homem a sobrevoar o Oceano Atlântico -, foi levado de casa em 1º de março de 1932. Após uma caçada que mobilizou os Estados Unidos, a criança foi encontrada morta em 12 de maio de 1932. Apenas dois anos depois, Bruno Richard Hauptmann foi preso e acusado pelo crime. Apesar de sempre alegar inocência, ele seria condenado à pena de morte em 1935. A notoriedade do caso teve repercussões políticas e levou a mudança na leis sobre sequestro no país
Foto: Getty Images
A jovem Natascha Kampusch foi mantida em porão dos 10 aos 18 anos. Em agosto de 2008, mais de oito anos após seu desaparecimento, ela conseguiu fugir de seu cativeiro e apareceu no jardim de uma casa na localidade de Strasshof, ao norte de Viena. Seu raptor, Wolfgang Priklopil, 44 anos, cometeu suicídio jogando-se à frente de um trem em movimento depois que ela fugiu. A vítima relatou à polícia que teve contato sexual com Priklopil. Depois de passar os primeiros anos trancada em um porão cheio de livros, brinquedos e revistas, Natascha começou a ajudar seu sequestrador nas tarefas de casa e no jardim. Logo o homem passou a permitir que ela fizesse passeios ocasionais, o que facilitou sua fuga
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Elizabeth Fritzl foi mantida em cativeiro pelo próprio pai, Josef Fritzl, por 24 anos. Durante a o período que permaneceu em cativeiro, a versão oficial é de que ela teria fugido de casa aos 18 anos para viver com uma seita. No entanto, em 26 de abril de 2008 veio à tona que ela na verdade tinha passado todo o período dentro de um porão construído em sua própria casa pelo pai. Ali ela foi vítima de constantes estupros e teve sete filhos concebidos por estupro, sendo que três deles foram adotados pelos pais e outros foram criados em cativeiro - um sétimo morreu logo após nascer. Josef Fritzl foi julgado e condenado no ano seguinte à prisão perpétua
Foto: Reprodução
Coleen Stan foi sequestrada aos 20 anos em 19 de maio de 1977. Ela foi capturada pelo casal Cameron e Janice Hooker quando pegou uma carona com eles para ir a um aniversário. Stan foi mantida em cativeiro como escrava sexual pelos sete anos seguintes. Ela chegou a receber um novo nome de escrava, "K", e seus sequestradores a convenceram de que ela pertencia a uma grande organização chamada "The Company" e que se tentasse escapar a sua família seria atacada. Outra particularidade da história é que Stan era mantida em caixas de madeira, sendo que uma deles se localizaria sob a cama do casal Hooker. Ela foi libertada após Janice, que alegava também ser vítima do marido, planejar uma fuga para as duas.
Foto: Reprodução
Elizabeth Smart foi levada de seu quarto em Salt Lake City, no Estado americano de Ohio, quando tinha 14 anos. Os sequestradores eram Brian David Mitchell, que fazia trabalhos para sua família, e Wanda Barzee, mulher dele. Ela foi libertada nove meses depois ao ser identificada quando caminhava ao lado de seus captores em uma rua suburbana de Salt Lake City em março de 2003. Mitchell foi condenado à prisão perpétua e sua mulher a 16 anos de prisão
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Jaycee Dugard foi sequestrada em 1991, aos 11 anos, quando esperava um ônibus na localidade de South Lake Tahoe, Estado da Califórnia. Ela foi mantida em cativeiro por 18 anos e deu à luz duas crianças concebidas por estupro. Dugard foi resgatada após seu sequestrador Phillip Craig Garrido visitar uma universidade do Estado acompanhado das duas meninas nascidas em cativeiro e chamar a atenção por seu comportamento em 2009. Após o resgate, Dugard escreveu o livro A Stolen Life sobre os anos que passou em cativeiro, que se tornou sucesso de vendas nos Estados Unidos. Garrido foi condenado a 431 anos de prisão e sua mulher, Nancy, a 36 anos
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Entre meados de 1995 e 1996, o belga Marc Dutroux sequestrou, torturou e abusou de seis meninas com idades que variavam entre 8 e 19 anos na cidade de Charleroi. Das vítimas, apenas Dardenne (na imagem), então com 12 anos, e Delhez, 14 anos, conseguiram escapar com vida após Dutroux ser preso em agosto de 1996. As jovens foram mantidas em cativeiro na residência em que o sequestrador vivia com sua mulher, Michelle Martin. Dutroux foi condenado à prisão perpétua e Michelle cumpre pena de 16 anos de prisão
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Em outubro de 2002, então com 11 anos, Shawn Hornbeck foi sequestrado quando se dirigia de bicicleta para a casa de um amigo no condado de Washington, Estado americano de Missouri. O seu sequestro foi descoberto em janeiro de 2007 quando as autoridades locais investigavam o desaparecimento de Ben Ownby. Ownby foi encontrado quatro dias depois de ser sequestrado no apartamento de Michael Devlin em St. Louis. Ali Hornbeck foi encontrado. Ele era forçado a se passar por filho de Devlin. O criminoso foi condenado a 170 anos de prisão por sequestro, estupro e produzir pornografia infantil
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Steven Stayner foi sequestrado aos 7 anos, em 1972, quando voltava da escolar em Merced, Estado americano da Califórnia. O sequestrador, Kenneth Parnell, abusou sexualmente de Steven, mas também o matriculou em uma escola e o convenceu de que tinha custódia legal sobre ele. O menino só fugiu sete anos depois, em 1980, quando Parnell sequestrou um segundo menino, Timmy White, 5 anos. Stayner levou White consigo na fuga. O sequestrador foi condenado à prisão perpétua. Stayner escreveu um livro após sua libertação chamado I Know My First Name is Steven. Ele morreu em um acidente de moto em 1989, aos 24 anos. Sua família ainda seria marcada pela tragédia quando seu irmão, Cary Stayner, confessou ser o serial killer de Yosemite, em 1999, e alegou ter sido motivado por supostamente ter sido negligenciado pelos pais durante o período que o irmão esteve em cativeiro
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Em um caso ainda não esclarecido, a menina britânica Madeleine McCann desapareceu dias antes de completar 4 anos em 12 de maio de 2007. Ela passava férias com sua família em Portugal. A busca por Madeleine ganhou a mídia e se manteve nas manchetes dos jornais por anos. Múltiplas pistas foram dadas à polícia, mas nenhum levou a um fato concreto sobre o paradeiro da menina. Após a resolução do caso de Cleveland, Kate e Gerry McCann disseram que o final feliz da história "reafirma a nossa esperança em encontrar Madeleine"
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Tania não é a única que tem ido à casa de Ariel Castro nas últimas horas com a esperança de encontrar um parente desaparecido. Os rumores surgiram na quarta-feira quando se soube que agentes do FBI usando macacões brancos, carregando pás e levando um cão farejador estavam revistando uma casa perto da de Castro.
Um dos primeiros nomes que surgiu como sendo o de outra possível vítima de Castro foi o de Ashley Summers, que desapareceu perto da Avenida Seymour em 2007 quando tinha 14 anos de idade.
A princípio, a polícia de Cleveland considerou que Ashley havia fugido de casa, porque seu desaparecimento aconteceu pouco após uma briga com sua família. Porém, segundo veículos de imprensa locais, posteriormente a polícia ligou seu caso ao de Amanda e Gina.
Embora as famílias das três jovens tenham agradecido publicamente pela ação da polícia de Cleveland, no passado a família DeJesus já havia criticado as autoridades policiais por parecerem não levar o caso a sério quando a denúncia do desaparecimento foi feita.
Tania Adkins também criticou o modo como a polícia local e o FBI trataram o caso de sua irmã: "Não recebi nenhuma informação nem da polícia, nem do FBI que me faça pensar que estão fazendo algo pelo caso da minha irmã" disse Tania enquanto distribuía folhetos com fotos de sua irmã.
Durante anos, a família de DeJesus também distribuiu, de tempos em tempos, folhetos semelhantes com a esperança de que alguém reconhecesse Gina e lhes desse uma pista de seu paradeiro. Ninguém poderia imaginar que a jovem estava presa no mesmo bairro e a poucos quilômetros de casa.
Vizinhos dos DeJesus disseram à agência EFE que é muito difícil para a comunidade porto-riquenha de Cleveland acreditar que alguém mais da família Castro esteja envolvido no sequestro das três jovens. "Os Castro são bem conhecidos aqui, têm negócios e inclusive são um pouco envolvidos em política. São uma boa família, mas Ariel parece ser a ovelha negra", declarou um vizinho da família DeJesus.
Mas a maioria dos moradores manifestaram alegria pela libertação das três jovens. "É uma emoção para a comunidade, não só para a de Cleveland, mas para toda a comunidade hispânica. Estamos muito felizes e agradecidos a Deus por ter feito o milagre de (fez com que) essas moças aparecerem. E, como a mãe de Gina disse, este é o melhor presente de Dia das Mães", disse Luis López, um dos vizinhos da família DeJesus.
Enquanto isso, Tania espera seu milagre particular. "Estou com esperanças renovadas de que poderemos encontrá-la viva apesar de terem se passado 18 anos. Sentimos que, com a cobertura da imprensa, agora podemos achá-la", declarou.
Elizabeth Smart posa para fotos em Park City, no Estado americano de Utah. A jovem, que foi sequestrada aos 14 anos, se disse muito feliz em saber que o caso das três jovens mantidas em cativeiro por uma década em Cleveland teve um final feliz. Amanda Berry, Giorgina DeJesus e Michelle Knight desapareceram no início dos anos 2000 quando eram adolescentes. Elas foram encontradas na segunda-feira na casa de um homem identificado como Ariel Castro
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Elizabeth Smart foi levada de seu quarto por um sequestrador quando tinha 14 anos. Ela foi libertada nove meses depois ao ser identificada quando caminhava ao lado de seu captor em uma rua suburbano de Salt Lake City, Estado de Utah
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Smart brinca com seu cachorro ao conceder entrevista na localidade de Park City
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Ela afirmou que o caso de Cleveland realça ao público a importância de se manter alerta e vigilante
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Smart diz que é importante que a privacidade das jovens resgatadas seja respeitada e que elas sigam adiante, deixando o passado para trás
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Smart se disse muito feliz em saber que o sequestro de Cleveland teve um final feliz