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Estados Unidos

Após 10 anos, sobrevivente volta ao Marco Zero pela 1ª vez

12 set 2011 - 18h34
(atualizado em 12/9/2011 às 13h28)
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Carla Ruas
Direto de Nova York

Só neste domingo, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a salvadorenha Ana Karla Villatoro se permitiu voltar ao Marco Zero. "Já basta. Estava na hora de encarar o que aconteceu. Tenho que levantar a cabeça e seguir adiante", afirmou.

Era difícil não olhar os corpos caindo, lembra sobrevivente do 11/09:

No dia dos ataques, a ex-funcionária da empresa Leehman Brothers foi trabalhar normalmente na Torre 2 do World Trade Center. Ana Karla estava ansiosa porque, na Torre 1, seu filho Juan Pablo, então com 18 anos, estaria fazendo uma entrevista de emprego, mas nunca imaginou que os eventos daquele dia mudariam suas vidas pelos próximos dez anos.

Mesmo depois de tanto tempo, a salvadorenha de 46 anos lembra como se fosse ontem o impacto do avião se chocando contra o prédio, o desespero dos colegas, a descida frenética pela escada desde o andar 29 até o térreo. E quando finalmente conseguiu sair do prédio, lembra de ter sido pisoteada enquanto via o outro avião se chocar contra a Torre 2. Enquanto isso, sentia a dor dos ferimentos e a angústia de não saber se seu filho estava vivo.

Por sorte, Juan Pablo tinha dormido demais e nem chegou a sair de casa para a entrevista. Mas sua vida mudou mesmo assim. Com o passar dos meses após o atentado, teve que arrumar emprego fixo para ajudar a sua mãe, que não pode mais trabalhar por invalidez. "Fiquei muito machucada nas costas e tive inflamação crônica na garganta", explica.

Com o passar dos anos, Juan Pablo ingressou na universidade e se tornou psicólogo. Hoje ajuda a criar os outros três filhos de Ana Karla, que é mãe solteira. Enquanto isso, ela recebe ajuda financeira do fundo dedicado aos ex-trabalhadores das torres que ficaram impossibilitados de trabalhar. "Mas o que eu queria mesmo era poder trabalhar", lamenta.

Após se emocionar ao ouvir os nomes das vítimas durante a cerimônia, fez um balanço dos últimos dez anos. O lado ruim foi ter perdido colegas e amigos naquele dia. O lado bom foi que seu filho esta vivo, e hoje tem uma vida plena. "Meus filhos são tudo para mim e sou muito privilegiada por ter eles na minha vida", conclui.

Grupo de Trabalhadores Latinos

Uma das organizações que prestou solidariedade para Ana Karla nos últimos anos foi o Grupo de Trabalhadores Latinos do WTC. Mesmo sem ter sede nem website, o grupo de aproximadamente 80 pessoas se reúne regularmente para ajudar uns aos outros a superar o ataque às torres gêmeas.

Um dos fundadores do grupo, o mexicano Rafael Hernandez, 49 anos, afirma que havia muitos latinos trabalhando no WCT - e que nem sempre são lembrados pelo grande público. "A maior parte das equipes de limpeza eram latinas e também precisaram de apoio", diz.

Ele, que foi um bombeiro voluntário nos 3 meses que seguiram de limpeza no Marco Zero, também sofreu consequências médicas. "Hoje tenho rinite, sinusite e insuficiência respiratória por causa da fumaça", lamenta. Como também não pode mais trabalhar, recebe auxílio financeiro dos bombeiros. "Mas a vida continua", afirma.

Fonte: Especial para Terra
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