Esquerda espanhola não consegue se unir antes das eleições, prejudicando chances de seguir no poder
A esquerda espanhola concorrerá dividida nas eleições antecipadas após o fracasso nas negociações entre a Frente Ampla e o Podemos, que se aliou à Esquerda Republicana da Catalunha. O impasse sobre a liderança das listas conjuntas prejudica as chances de o primeiro-ministro Pedro Sánchez manter sua coalizão no poder, já que o sistema eleitoral do país desfavorece siglas fragmentadas, além de arriscar a desmobilização do eleitorado progressista diante do avanço da extrema direita.
Os partidos de esquerda da Espanha apresentaram neste sábado listas de candidatos separadas para uma eleição antecipada, após o fracasso das negociações para um pacto nacional, o que reduziu as chances do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez de permanecer no poder à frente de uma coalizão de esquerda.
O sistema eleitoral espanhol desfavorece os partidos menores que concorrem separadamente, especialmente nas províncias menos populosas, onde há menos cadeiras disponíveis.
Essa divisão também pode desmoralizar os eleitores de esquerda, que os organizadores esperavam mobilizar em torno dos protestos por moradia e do temor à extrema direita.
A Frente Ampla, uma plataforma composta por vários partidos representados no governo minoritário, e o outro principal partido da esquerda radical, o Podemos, vinham discutindo publicamente sobre os cargos de liderança nas listas conjuntas de candidatos para a eleição de 29 de novembro em Madri e Barcelona, os maiores distritos eleitorais.
As animosidades de longa data entre ex-camaradas que se tornaram rivais não ajudaram.
"Esses últimos dias foram muito difíceis... algumas pessoas ficarão decepcionadas hoje, e por isso peço desculpas", disse Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e líder da Frente Ampla, no evento de lançamento de sua plataforma em Madri.
O Podemos, cuja principal candidata é a ex-ministra da Igualdade Irene Montero, havia proposto primárias abertas para determinar as posições dos candidatos nas listas conjuntas.
Mas a Frente Ampla recusou, argumentando que havia pouco tempo, e quis que seus próprios candidatos preferidos liderassem as listas em Madri e Barcelona.
O Podemos firmou então um acordo separado com a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que defende a independência da Catalunha.
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