Espanha se recusa a discutir soberania dos enclaves com Marrocos
O status dos enclaves norte-africanos de Ceuta e Melilla como territórios espanhóis não está em discussão, afirmaram autoridades espanholas nesta quarta-feira, depois que o ministro da Justiça de Marrocos reiterou as reivindicações de soberania de Rabat sobre as cidades.
As declarações feitas na terça-feira por Abdellatif Ouahbi à emissora Asharq TV marcaram a primeira vez que Rabat levantou publicamente a questão controversa desde a crise na fronteira de Ceuta no final de julho, durante a qual cerca de 72 mil imigrantes cruzaram brevemente para o enclave. Pelo menos 96 pessoas morreram na corrida em massa pela fronteira.
Ouahbi afirmou que seu país sempre levantou a questão do status das cidades nas negociações com a Espanha, com o objetivo de longo prazo de alcançar uma solução por meio do diálogo.
Desde sua independência em 1956, Marrocos considera Ceuta e Melilla como territórios ocupados pela Espanha, argumentando que a soberania sobre elas deve, em última instância, ser transferida para Rabat. Madri as considera partes integrantes de seu território desde os Séculos 17 e 15, respectivamente.
"Ceuta e Melilla não são apenas espanholas; são super-espanholas e intocáveis", afirmou a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, a repórteres em Ceuta, quando questionada sobre os comentários de Ouahbi.
"Qualquer ataque a Ceuta e Melilla é um ataque à Espanha como um todo. Isso nunca mais deve acontecer", acrescentou ela, referindo-se à crise na fronteira.
O governo espanhol elogiou amplamente as autoridades marroquinas por sua cooperação no repatriamento dos imigrantes, atribuindo a crise às máfias de contrabando de pessoas.
Em comunicado separado, o Ministério das Relações Exteriores da Espanha afirmou que a integridade territorial do país "não foi, nem jamais será, discutida com ninguém".
Por outro lado, o Ministério do Interior de Marrocos informou nesta quarta-feira que reforçou a segurança nas proximidades das fronteiras com Ceuta e Melilla devido a chamadas online para uma nova tentativa de travessia em massa no dia 15 de agosto, alertando que processaria os organizadores e participantes.
"O ministério apela a todos para que permaneçam vigilantes e responsáveis e não se deixem levar por tais apelos suspeitos e enganosos, dados os riscos que podem representar para a vida das pessoas", afirmou em comunicado, instando também a Espanha a acelerar o retorno de menores marroquinos desacompanhados em Ceuta.
Na semana passada, a ministra da Juventude da Espanha, Sira Rego, disse que Madri avaliaria a oferta de Marrocos de repatriar as crianças caso a caso.
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