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Encontro de empresas italianas com Putin gera polêmica

Reunião virtual ocorre em momento de tensão por crise ucraniana

26 jan 2022 09h29
| atualizado às 09h38
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Um encontro virtual entre representantes de grandes empresas italianas e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (26) vem gerando grande polêmica, já que ocorre em um momento de alta tensão por conta dos temores dos países ocidentais de que Moscou invada a Ucrânia e inicie uma nova guerra.

Putin se reuniu virtualmente com representantes de 13 empresas italianas
Putin se reuniu virtualmente com representantes de 13 empresas italianas
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a reunião "não tem nada ver com o que está acontecendo na Ucrânia e as sanções contra a Rússia". "Esses encontros são de natureza sistemática, e não só com empresários italianos, mas também com grandes empresas que vem de outros países. Isso não está ligado com a situação atual", disse aos jornalistas em seu briefing diário.

A reunião tinha agendada a presença de 16 grandes grupos industriais italianos, mas três deles desistiram por "pressões".

"Não vou dar nome a elas, visto que estão circulando fake news e alguns estão fazendo pressões sobre os outros", acrescentou Peskov.

O representante de Vladimir Putin ainda ressaltou que o governo italiano "não enviou nenhuma notificação formal" a Moscou se opondo ao encontro como foi reportado por alguns veículos de mídia.

Durante a reunião, Putin afirmou que a Rússia considera a Itália "como um de seus principais parceiros econômicos", já que é a terceira nação europeia no número de transações, e que seu país "é sim um fornecedor confiável de recursos energéticos para os italianos".

Putin ainda disse que, apesar da pandemia de Covid-19, podemos dizer "com satisfação que os nossos países conseguiram manter a cooperação econômica em um nível muito alto" e que as empresas italianas estão recebendo gás russo "a preços muito mais baixos do que os de mercado" por conta dos contratos de longa duração firmados com a Gazprom.

Novas ameaças

Após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltar a alertar sobre os efeitos devastadores que uma invasão russa à Ucrânia causariam a Moscou e ao próprio Putin, o vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, ironizou os ocidentais.

"A agressão da Rússia à Ucrânia só existe na imaginação fervorosa dos nossos parceiros ocidentais. As ameaças de sanções não têm nada a ver com a política real, só com a imaginação deles", disse Grushko.

A postura dos norte-americanos de dizer que uma guerra é "iminente" irritou até mesmo os aliados ucranianos, que vieram a público falar que a situação "está sob controle" e que não é para os cidadãos ficarem preocupados.

Os ocidentais afirmam que Putin está com as tropas posicionadas para fazer um ataque "a qualquer momento" e, por isso, estão deslocando cada vez mais soldados e equipamentos para a possível área de conflito por meio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os russos, por sua vez, insistem que não há risco de agressão militar contra o "povo ucraniano".

Nesta quarta, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, voltou a reiterar que a posição da Itália é de "apoiar a integridade territorial e a soberania da Ucrânia e coordenar com os nossos parceiros e aliados para assegurar uma resposta firme, coesa e proporcional em caso de eventual violação".

Já sobre a relação com os russos, Di Maio defendeu que é "necessária uma aproximação equilibrada, orientada e firme sobre princípios e valores".

Papa

O papa Francisco voltou a fazer um apelo para que os fiéis "rezem pela paz na Ucrânia". O líder católico destinou essa quarta como um dia especial de orações pelo país.

"Pedimos com insistência ao Senhor que aquela terra possa ver florir a fraternidade e superar feridas, medos e divisões. É um povo que merece a paz. Que as orações e as invocações que hoje se elevam até o céu toquem as mentes e os corações dos responsáveis em terra para que façam prevalecer o diálogo e o bem de todos antes de interesses de qualquer parte", disse o Pontífice.

Lembrando da história, Francisco disse após "a última guerra, mais de cinco milhões de [ucranianos] foram aniquilados". "É um povo sofredor, que sofreu de fome, com tanta crueldade e merece a paz", acrescentou. .
   

Ansa - Brasil   
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