Em Nova York, Macron busca acordo com Trump sobre Ucrânia e segurança energética
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (21) que teve uma conversa "muito construtiva" com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, sobre os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
Em Nova York, Emmanuel Macron reuniu-se com Donald Trump para tratar de segurança energética e da guerra na Ucrânia. Os líderes debateram saídas para aliviar o mercado de combustíveis, como a reabertura do Estreito de Ormuz via resolução da ONU e a proteção da navegação no Mar Vermelho. Macron também defendeu ampliar o fornecimento de defesa antiaérea a Kiev e propôs uma trégua em ataques a infraestruturas de energia antes do inverno, iniciativa que depois alinhou com Volodymyr Zelensky.
Macron se reuniu com Trump pouco depois de chegar à cidade para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o presidente francês, os dois discutiram maneiras de aliviar a pressão sobre os mercados de energia, incluindo a possibilidade de reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás, bloqueada pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio.
"Tivemos uma discussão muito boa. Foi muito construtiva", disse Macron a jornalistas após o encontro.
O presidente francês afirmou que existe uma "vontade de reabrir Ormuz" e que foram discutidas "várias soluções" para permitir, mesmo sem um acordo abrangente, a passagem de um número maior de navios porta-contêineres e petroleiros pelo estreito.
Segundo uma fonte diplomática francesa, Paris pretende trabalhar com os Estados Unidos e outros parceiros em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que garanta a liberdade de navegação em Ormuz. A proposta poderia envolver países-membros da ONU na proteção do tráfego marítimo e permitir que Washington e Teerã concentrem suas negociações em outras questões, como o programa nuclear iraniano.
Macron também afirmou que discutiu com Trump a situação no Mar Vermelho, cuja importância para o transporte de petróleo aumentou após o bloqueio de Ormuz. A presença dos houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla o estreito de Bab el-Mandeb, também tem dificultado a navegação na região.
A França, segundo a fonte diplomática, estaria disposta a participar da proteção de infraestruturas energéticas sauditas ameaçadas por ataques houthis, em uma atuação "estritamente defensiva". Entre os locais que poderiam ser protegidos estão o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e o oleoduto Est-Oeste, uma importante rota de exportação de petróleo saudita.
Ucrânia
Na conversa com Trump, Macron também pressionou pelo reforço do apoio militar à Ucrânia, especialmente no fornecimento de sistemas de defesa antiaérea.
"Discutimos longamente a Ucrânia e a Rússia, a necessidade de ajudar mais rapidamente e com mais força nossos amigos ucranianos em termos de interceptadores, porque essa é a questão-chave do ponto de vista defensivo", afirmou Macron.
O presidente francês também apresentou a possibilidade de uma "trégua energética" entre Rússia e Ucrânia, com uma moratória sobre ataques contra infraestruturas de energia. Segundo Macron, o objetivo é ajudar a proteger o sistema energético ucraniano antes do inverno.
A proposta foi posteriormente discutida por Macron com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante um encontro em Nova York. Após a reunião, Macron afirmou na rede social X que os dois também haviam discutido a possibilidade de uma "moratória no mar Negro".
"As ofensivas russas contra as infraestruturas energéticas ucranianas ameaçam privar milhões de famílias de aquecimento e eletricidade", escreveu o presidente francês. "A França estará ao lado da Ucrânia para enfrentar o inverno, e o G7 Energia também estará mobilizado a seu lado."
Macron anunciou ainda, após o encontro com Zelensky, a assinatura de um contrato para o fornecimento de radares e interceptadores destinados a reforçar a defesa antiaérea ucraniana.
Antes da reunião com Trump, uma autoridade francesa havia afirmado que Macron pretendia conversar com o presidente americano "com total franqueza", sobretudo a respeito da guerra na Ucrânia. O objetivo, segundo a fonte, era convencê-lo a manter o apoio à Ucrânia e aumentar a pressão sobre a Rússia.
Os países europeus vêm pedindo que os Estados Unidos mantenham seu envolvimento nas negociações sobre a guerra na Ucrânia e defendem sua participação nas discussões sobre uma futura arquitetura de segurança europeia.
Com agências
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