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Em meio a dúvidas sobre crescimento, Shein estreia na Bolsa de Hong Kong com queda inicial das ações

Na estreia na Bolsa de Hong Kong, as ações da Shein fecharam praticamente estáveis nesta terça-feira (1º), após chegarem a cair 10% no início do pregão. A oferta pública inicial (IPO) avalia a gigante da moda ultrarrápida em cerca de 22 bilhões de euros, valor quase quatro vezes inferior aos 86 bilhões de euros atribuídos à empresa em uma rodada de financiamento realizada em 2022.

1 set 2026 - 13h41
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Resumo
A Shein estreou na Bolsa de Hong Kong arrecadando cerca de 1,5 bilhão de euros, fechando o dia com queda de 0,1% após forte volatilidade. A abertura de capital ocorre em um momento desafiador para a varejista de moda ultrarrápida, que enfrenta desaceleração nas vendas, prejuízo recente e perda de isenções fiscais nos EUA e Europa. Além disso, a empresa lida com crescente escrutínio de investidores e governos sobre impactos ambientais, direitos trabalhistas e novas regulações globais.

Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein levantou quase 1,5 bilhão de euros com a operação. A companhia ofereceu 280 milhões de ações ao preço de 48,56 dólares de Hong Kong (R$ 31,83) cada.

A estreia foi marcada por forte volatilidade. Os papéis chegaram a recuar 10% na abertura, mas recuperaram parte das perdas ao longo do dia e encerraram a sessão com queda de apenas 0,1%, cotados a 48,50 dólares de Hong Kong (R$ 31,77).

O IPO "não foi um fracasso", apesar da recepção morna do mercado, avalia Han Lin, diretor para a China da consultoria The Asia Group.

"Os investidores veem a Shein mais como uma varejista em fase de amadurecimento, que precisa lidar com tarifas de importação, novas regulações e uma concorrência crescente", afirmou à AFP. "A fraqueza inicial das ações sugere que o mercado quer resultados concretos, não apenas promessas."

A Shein é uma das principais empresas do setor conhecido como "moda ultrarrápida" ("ultra fast fashion"), baseado no lançamento acelerado de novos produtos a preços baixos, voltados principalmente para consumidores jovens que compram por meio das redes sociais.

A principal vantagem competitiva da empresa está na China, que reúne uma ampla indústria têxtil de baixo custo e uma rede logística altamente eficiente, em um dos mercados de comércio eletrônico mais desenvolvidos do mundo.

Modelo de negócios sob pressão

A plataforma comercializa uma grande variedade de produtos a preços muito baixos para consumidores em mais de 150 países. A empresa afirma ter 273 milhões de clientes, dos quais cerca de 45 milhões no Brasil, um de seus cinco principais mercados globais.

Segundo Ken Pucker, especialista em moda sustentável da Universidade Tufts, a marca desenvolveu um modelo de negócios difícil de reproduzir pelos concorrentes.

Mas a rápida expansão da companhia também trouxe novos desafios, relacionados a tributação, sustentabilidade, privacidade de dados, direitos autorais e práticas de concorrência.

"O momento não é o ideal, considerando a desaceleração do crescimento da empresa", afirma Pucker. "Ainda assim, a Shein tenta abrir seu capital há cerca de cinco anos, e imagino que muitos investidores aguardavam esse desfecho havia bastante tempo."

Os planos de listar a empresa em Nova York, em 2023, e posteriormente em Londres, em 2024, esbarraram, segundo a imprensa, em entraves regulatórios.

Após a abertura de capital, a expectativa é de que a empresa seja submetida a um escrutínio maior por parte de investidores e reguladores.

"Esperamos que a Shein mantenha, ou amplie, a transparência de suas operações", afirmou Kelvin Lam, economista especializado em assuntos relacionados à China, referindo-se especialmente às questões de direitos humanos e condições de trabalho.

Diante das críticas às condições de emprego em suas fábricas, das suspeitas de trabalho forçado e da pressão de empresas ocidentais que denunciavam a concorrência desleal desses produtos "made in China" que inundavam seus mercados sem respeitar quaisquer padrões sociais ou ambientais, a Shein inicialmente tentou minimizar suas origens chinesas, estabelecendo sua sede em Singapura, destaca Nathanaël Vittrant, especialista em economia da RFI.

A empresa também está sendo investigada pela autoridade de defesa da concorrência dos Estados Unidos, enquanto a Comissão Europeia apura alegações de venda de armas e pornografia infantil em sua plataforma. A Shein pode ser multada em até 6% de sua receita global.

Shein estreia na Bolsa de Hong Kong em 1º de setembro de 2026.
Shein estreia na Bolsa de Hong Kong em 1º de setembro de 2026.
Foto: RFI

Críticas ambientais e novas taxas

A empresa é frequentemente criticada por incentivar um modelo de consumo de alta rotatividade, associado à geração de resíduos e ao aumento da poluição. O setor têxtil responde por quase 10% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Em 2025, a Shein registrou receita de U$ 41,8 bilhões, entregou mais de um bilhão de pedidos em todo o mundo e obteve lucro líquido de U$ 2,1 bilhões.

A situação, porém, se deteriorou no início de 2026. A empresa registrou prejuízo líquido de U$ 99 milhões no primeiro trimestre do ano.

Embora atribua o resultado negativo principalmente a fatores contábeis, a Shein reconhece que não pode garantir aos futuros acionistas o mesmo ritmo de crescimento que marcou seus primeiros anos de expansão.

Outro desafio veio dos Estados Unidos, que em 2025 acabaram com a isenção tributária aplicada a encomendas de baixo valor, categoria na qual se enquadram muitos dos produtos vendidos pela plataforma.

A empresa também está na mira das autoridades europeias. Desde 1º de julho, a União Europeia cobra uma taxa de € 3 (R$ 17,88) sobre essas pequenas encomendas importadas. Além disso, na terça-feira, as principais federações têxteis do continente anunciaram que pediram à Comissão Europeia a criação de uma taxa de processamento de € 10 (R$ 59,6) por pacote para encomendas de pequeno valor vindas da Ásia.

Com RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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