Egito e Arábia Saudita discutem segurança do Mar Vermelho em meio à ofensiva houthi
Os líderes da Arábia Saudita e do Egito pediram nesta terça-feira (15), no Cairo, que sejam garantidas a liberdade e a segurança da navegação no Mar Vermelho, após Riad prometer responder com "firmeza" aos ataques dos houthis pró-Irã do Iêmen, cujas ofensivas para consolidar o controle sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb continuam.
Líderes da Arábia Saudita e do Egito reuniram-se para debater a segurança nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, cruciais para o fluxo global de petróleo e para o Canal de Suez. O encontro ocorre após rebeldes houthis dominarem o litoral iemenita e atacarem o território saudita, elevando o barril de petróleo a mais de US$ 100. Pressionada por riscos logísticos, Riad busca apoio egípcio e diálogo com os EUA, enquanto a ONU convoca reunião de emergência diante do agravamento da crise regional.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita - maior exportadora mundial de petróleo bruto - e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, "destacaram a importância de garantir a liberdade e a segurança da navegação marítima" nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, segundo o Cairo.
Essa passagem, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez e era muito utilizada antes da guerra no Oriente Médio, tornou-se ainda mais estratégica para as exportações de petróleo sauditas desde que o Irã bloqueou o estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
O Iêmen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em julho para o conflito regional desencadeado pela ofensiva americano-israelense contra o Irã no fim de fevereiro. No início de setembro, os houthis lançaram uma grande ofensiva e tomaram todo o litoral iemenita voltado para o Mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.
Seu fechamento seria "catastrófico", admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
"O mundo já sofre suficientemente com o fechamento do estreito de Ormuz", por onde transitava, antes da guerra, um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, "portanto, não podemos nos permitir acrescentar Bab el-Mandeb a essa equação", declarou um funcionário do ministério, Ibrahim al-Hashmi.
Os houthis, por sua vez, repetem que não existe nenhuma ameaça à navegação no estreito de Bab el-Mandeb, exceto para navios sauditas.
Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York também está prevista para as 15h (21h em Paris, 19h GMT) para discutir o futuro desse corredor marítimo, informou a AFP com base em fontes diplomáticas. A Arábia Saudita e o Iêmen deverão participar, segundo uma dessas fontes.
"Garantias"
A Defesa Civil saudita emitiu na manhã desta terça-feira vários alertas sobre risco de ataques, incluindo um para a cidade sagrada de Meca, pela primeira vez desde o início do conflito regional desencadeado no fim de fevereiro pelo ataque israelense-americano contra o Irã. Os alertas, que também abrangiam os arredores de Jidá, importante cidade portuária no oeste do reino, e de Taif, foram rapidamente suspensos.
Na véspera, os houthis haviam atacado o sul da Arábia Saudita, ferindo 13 civis, segundo Riad, que respondeu com cerca de 50 ataques aéreos, de acordo com os houthis, e prometeu agir com "responsabilidade e firmeza" diante dessas ofensivas.
O movimento também atacou instalações petrolíferas da Arábia Saudita, fazendo os preços do petróleo ultrapassarem a marca simbólica de US$ 100.
A Arábia Saudita encontra-se espremida entre os ataques dos houthis e seus petroleiros, agora ameaçados nos dois estreitos. Seu oleoduto Leste-Oeste, uma via crucial para exportar petróleo contornando o bloqueio de Ormuz, também está paralisado após ataques de drones provenientes do Iraque, segundo as autoridades sauditas.
O reino vem multiplicando os contatos diplomáticos para encontrar uma saída para a crise.
Antes de viajar para o Cairo, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já havia conversado na segunda-feira (14) com o comandante do Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), Brad Cooper.
O líder saudita "busca garantias de que o Egito intervirá, se necessário, para proteger Bab el-Mandeb", avalia Mirette Mabrouk, do Middle East Institute, sediado em Washington.
"Sinais contraditórios"
Além das perturbações nas exportações de petróleo saudita pelo Mar Vermelho com destino ao Egito, a redução do tráfego marítimo na região poderá ter consequências negativas para as receitas em moeda estrangeira obtidas pelo Cairo com as tarifas de passagem do Canal de Suez.
O ministro egípcio das Relações Exteriores afirmou na semana passada que seu país acumulou US$ 11 bilhões em perdas de receitas no canal devido à situação regional.
Nos mercados, nesta terça-feira, os investidores demonstram cautela e os preços do petróleo continuam subindo: a cotação do barril de Brent avançou 2,44% na manhã de terça-feira, chegando a US$ 108,26.
Enquanto as negociações para encontrar uma saída para o conflito regional como um todo estão paralisadas há semanas, Teerã rejeitou nesta terça-feira qualquer diálogo com Washington, em resposta a Donald Trump, que havia declarado na véspera estar "aberto" a negociações.
"Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que alterna entre 'sem negociações' e 'estamos prontos para conversar'", escreveu na rede social X o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaï.
Pelo menos 100 mil pessoas foram deslocadas no Iêmen desde a retomada dos combates, no início de setembro, entre os rebeldes houthis pró-Irã e as forças pró-governo, informou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
com AFP
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