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Ebola causa quase 5 mil mortes e 10 mil infectados, diz OMS

Porém, número de mortos pode ser até três vezes maior, segundo a organização

23 out 2014
09h03
atualizado às 09h05
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Ao menos 4.877 pessoas morreram no pior surto já registrado de Ebola no mundo, e pelo menos 9.936 casos da doença foram contabilizados até o dia 19 de outubro, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira, mas o total real de mortos pode ser três vezes maior.

<p>No Guiné, onde a epidemia começou no ano passado, 904 pessoas morreram e mais de 1.540 ficaram infectadas</p>
No Guiné, onde a epidemia começou no ano passado, 904 pessoas morreram e mais de 1.540 ficaram infectadas
Foto: CELLOU BINANI / Getty Images

A OMS disse que os números reais devem ser muito maiores do que o reportado: por um fator de 1,5 vez em Guiné, por 2 em Serra Leona e por 2,5 na Libéria, com a taxa de morte próxima de 70 por cento em todos os casos. Isso sugeriria um total de mortes de quase 15 mil.

A Libéria foi a mais atingida, com 4.665 casos registrados e 2.705 mortes, seguido por Serra Leoa com 3.706 casos e 1.259 mortes. Guiné, onde o surto começou, registrou 1.540 casos e 904 mortes.

Na última sexta, a OMS colocou o total com 745 casos a menos.

Na última semana, a transmissão da doença se intensificou nas cidades de Monróvia e Freetown, enquanto na capital de Guiné, Conacri, foram confirmados 18 casos, o segundo número semanal mais alto desde o início do surto.

Ainda que o ebola tenha sido contido na Nigéria e no Senegal, a doença está se espalhando na direção da Costa do Marfim tanto pela Libéria quanto pela Guiné, incluindo o distrito de Kankan, na Guiné, uma das principais rotas com Mali. Kankan viu o seu primeiro caso na última semana.

Contudo, a OMS disse que o distrito liberiano de Lofa registrou a terceira semana consecutiva de queda em números de casos, com relatos apontando que a mudança foi resultado de medidas de controle.

Entre os milhares de casos há 443 de trabalhadores do setor de saúde, sendo que 244 deles morreram. A OMS disse que está realizando análises extensivas para determinar por que o número de vítimas no setor é tão alto.

"Indicações preliminares apontam que uma parte substancial das infecções ocorreu fora do contexto do tratamento do Ebola", disse.

A OMS estima que 28 laboratórios são necessários para atender os três países que foram mais atingidos, com 12 agora em operação, e uma equipe médica com 20 mil será necessária para registrar as pessoas que tiveram contato com pacientes com ebola e podem estar em risco.

O ebola fora da África
Nos Estados Unidos, as autoridades anunciaram que toda pessoa procedente dos três países africanos afetados serão monitoradas de perto durante 21 dias, período máximo de incubação do vírus.

Obama durante reunião com coordenador dos EUA contra Ebola, Klain, na Casa Branca, nesta quarta-feira.
Obama durante reunião com coordenador dos EUA contra Ebola, Klain, na Casa Branca, nesta quarta-feira.
Foto: Kevin Lamarque / Reuters

O presidente Barack Obama manifestou otimismo diante da evolução do Ebola no país e saudou a crescente mobilização internacional para conter a epidemia nos três países que estão no epicentro da epidemia.

Na noite de terça-feira, Cuba enviou um novo contingente de médicos para Libéria e Guiné, aumentando para 256 o número de trabalhadores sanitários cubanos que ajudam no combate à doença. Um primeiro contingente, de 165 médicos e enfermeiros, partiu rumo a Serra Leoa em 1º de outubro. Havana prometeu enviar um total de 461 trabalhadores sanitários à África para ajudar na luta contra a epidemia.

Apesar das notícias tranquilizadoras sobre a evolução dos casos registrados nos EUA e na Espanha, Ruanda estendeu suas medidas preventivas aos dois países ocidentais, exigindo que os passageiros que tenham estado nas três semanas anteriores comuniquem diariamente durante 21 dias seu estado de saúde.

Enquanto isso, os Institutos Americanos de Saúde (NIH) anunciaram o início de um teste clínico com 39 adultos de uma vacina experimental canadense contra o Ebola, a VSV-ZEBOV. Os primeiros lotes do medicamento chegaram à Suíça, onde serão testados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os primeiros resultados dos testes feitos com essa vacina e com outro potencial imunizante anti-Ebola - fabricado pela britânica GlaxoSmithKline (GSK) e pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) - são aguardados para o final de 2014.

Por fim, o grupo farmacêutico americano Johnson & Johnson anunciou ter disponibilizado até US$ 200 milhões para acelerar a produção de uma vacina, atualmente em desenvolvimento por sua filial, Janssen Pharmaceuticals Companies. A expectativa é produzir mais de um milhão de doses em 2015.

Cruz Vermelha recolhe mais de 100 corpos por dia em Serra Leoa

<p>Funcionários de serviços de saúde carregam corpo de vítima com ebola no distrito de Waterloo, Freetown (Serra Leoa)</p>
Funcionários de serviços de saúde carregam corpo de vítima com ebola no distrito de Waterloo, Freetown (Serra Leoa)
Foto: Josephus Olu-Mamma / Reuters
A Cruz Vermelha, que está tentando combater o ebola em Serra Leoa, afirmou nesta quarta-feira que a escala da epidemia é tão alarmante que funcionários da organização estão retirando mais de 100 corpos por dia.

O chefe das operações ligadas ao virus no país, Steve McAndrew, disse à BBC que a retirada dos corpos ocorre em todo o país, mas a maioria é na capital, Freetown.

"Diariamente, há de 75 a 100 corpos que precisam ser retirados em Freetown, e no restante do país são entre 20 e 50 corpos", disse.

"É um desafio absurdo porque esse trabalho precisa ser impecável. Você não pode cometer nenhum erro. Então, temos de ser extremamente disciplinados. Você não pode colocar a luva da maneira errada, você não pode ter uma rachadura, nem que seja minúscula, nos seus óculos de proteção. Qualquer deslize coloca nossas equips em risco."

Com informações da Reuters, BBC Brasil e AFP.

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Arte Terra

Fonte: Terra
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