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Dois policiais de Lisboa são acusados de torturar sem-teto e migrantes e de compartilhar imagens

16 jan 2026 - 14h39
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Dois policiais de Lisboa foram acusados de torturar sem-teto e migrantes e depois compartilhar imagens de seus atos em um bate-papo online com outros policiais, desencadeando um ‌inquérito mais amplo, disseram autoridades portuguesas nesta sexta-feira.

Os dois policiais na faixa dos 20 ‌anos, que foram presos em julho passado e permanecem sob custódia, são acusados de tortura, atos de crueldade e abuso de poder, de acordo com o indiciamento assinado pela promotora de Lisboa Felismina Franco na semana passada e vista ‍pela Reuters.

Um deles também enfrenta acusações de estupro, roubo e falsificação.

O documento descreveu um incidente no qual os policiais espancaram um imigrante marroquino dentro de uma delegacia de polícia por várias horas, obrigando-o a beijar suas ‌botas enquanto um deles gritava em inglês: "Bem-vindo a Portugal!"

"As vítimas ‌eram sistematicamente escolhidas entre pessoas particularmente vulneráveis, ou seja, sem-teto, fisicamente fracas, com dificuldades econômicas", escreveu a promotora.

"Essa circunstância revela atos de violência pura e gratuita dirigidos àqueles que não tinham condições de oferecer resistência."

O Ministério do Interior disse à Reuters que "lamenta profundamente tal comportamento e todas as ações que infringem os direitos dos cidadãos... que não representam o comportamento geral dos profissionais da polícia".

A Inspetoria Geral abriu um inquérito separado para investigar outros policiais, informou o ministério.

A filial portuguesa do grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, que afirmou ter recebido informações sobre mais casos de tortura, disse que o compartilhamento de imagens e mensagens sobre seus atos em chats e mídias sociais "demonstra um enorme senso de impunidade" por parte dos policiais, embora tenha saudado o fato de os crimes terem sido denunciados dentro da comunidade policial.

A Anistia ‌Internacional solicitou a criação de uma agência de supervisão policial externa e independente e a instalação de mais câmeras nas delegacias de polícia, nas viaturas e o uso de câmeras corporais pelos policiais ao interagirem com as pessoas.

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