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Discriminação marca trajetória de católicos do Reino Unido

15 set 2010 - 09h38
(atualizado às 15h29)
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Desde a ruptura com Roma por Enrique VIII em 1534 e a criação da Igreja da Inglaterra, com o monarca na liderança, os católicos do Reino Unido sofreram séculos de discriminação, que diminuiu pouco a pouco até seu desaparecimento.

Apesar dessa ruptura, Enrique VIII manteve uma forte preferência por práticas e ritos católicos, e só sob seu filho, Eduardo VI, a Igreja da Inglaterra sofreu uma influência protestante mais radical.

Após a morte deste último e com sua filha e sucessora, Maria I, a Inglaterra voltou a aceitar a autoridade do Papa e muitos acabaram na fogueira por se negar a abjurar da Reforma protestante, entre eles o arcebispo Thomas Cranmer e os bispos Nicholas Ridley e Hugh Latimer.

Ao morrer sem deixar sucessores, sua meia-irmã Isabel I assumiu o governo e optou pela chamada via média, uma Igreja moderadamente reformada quanto à doutrina, mas continuísta no que se refere às tradições apostólicas dos pais da Igreja, estabelecida ao mesmo tempo pelo Estado e com o monarca como governador supremo.

Passaram-se anos muito turbulentos sob os reinados de Jaime I e Carlos I, que culminaram na Guerra Civil e o protetorado de Oliver Cromwell, com lutas entre católicos e anglicanos e movimentos oscilantes entre as facções dos protestantes mais radicais (os puritanos) e os mais conservadores, que não queriam se afastar demais das práticas católicas.

Sob o comando de Carlos II, o Parlamento restabeleceu a Igreja da Inglaterra, com uma forma não muito afastada da versão isabelina, que é a que se manteve até a atualidade, com os anglicanos ocupando o centro e puritanos e protestantes radicais, de um lado, e católicos romanos, de outro.

Com a criação do Reino Unido da Grã-Bretanha em 1707 se ratificou a proibição, ainda hoje em vigor, de que um católico ocupasse o trono da Inglaterra.

As coisas começaram, no entanto, a mudar pouco a pouco a favor dos católicos com a aprovação em 1778 da chamada Lei dos Papistas, que permitia aos católicos ter propriedades, herdar terras e ingressar no exército.

Em 1829, após a chegada ao Reino Unido de milhares de católicos que fugiam da Revolução Francesa e da melhora das relações com os países ibéricos durante as guerras napoleônicas, o novo clima político facilitou o Parlamento a aprovar a lei de emancipação dos católicos, que lhes concedia o direito de votar e de ocupar cargos públicos.

A grande crise da fome irlandesa de meados do século XIX provocou ainda um êxodo em massa de católicos irlandeses para a Inglaterra, Gales e Escócia, o que permitiu o restabelecimento das hierarquias católicas na Inglaterra e Gales em 1850 e na Escócia em 1878.

Na atualidade, os que professam a fé católica já não sofrem discriminação na vida política, profissional ou social, com independência da citada proibição de que um católico ocupe o trono, algo que por outro lado é cada vez mais polêmico.

Como lembrava recentemente o semanário The Economist, um político católico, Chris Patten - coordenador da próxima visita de Bento XVI ao Reino Unido - é chanceler da Universidade de Oxford, instituição evitada pelos católicos.

Não se pode esquecer que de Oxford saiu na primeira metade do século XIX o movimento homônimo fundado entre outros por John Henry Newman, o cardeal convertido à igreja de Roma a quem o papa beatificará este domingo, e que tanta influência teve no desenvolvimento do anglo-catolicismo.

EFE   
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