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DiCaprio pede mudança de linha elétrica no Chile para proteger rã ameaçada

Ator criticou projeto do governo chileno e da empresa italiana Enel; sessão foi suspensa

11 ago 2026 - 15h46
(atualizado às 16h08)
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O ator e ativista ambiental Leonardo DiCaprio pediu ao governo chileno que reavalie o projeto de interconexão elétrica entre Chile e Argentina, argumentando que ele corre o risco de levar à extinção a rã-de-peito-espinhoso-de-Pehuenche (Alsodes pehuenche), anfíbio criticamente ameaçado e encontrado apenas em uma área dos altos Andes entre os dois países.

DiCaprio afirmou que existem menos de mil exemplares da espécie
DiCaprio afirmou que existem menos de mil exemplares da espécie
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O projeto, que inclui uma linha de transmissão de 500 kV com participação da italiana Enel, deverá passar em breve pela análise final das autoridades chilenas.

Em manifestação divulgada nas redes sociais, DiCaprio afirmou que existem menos de mil exemplares da espécie vivendo na área afetada.

"Na segunda-feira, 10 de agosto, o governo chileno poderá aprovar um plano desastroso para destruir o coração de seu único habitat conhecido", declarou o ator.

Segundo DiCaprio, a rã "não vive em nenhum outro lugar do planeta, exceto no Vale de Pehuenche, nos altos Andes do Chile e da Argentina". Para ele, o projeto binacional de transmissão de energia representa uma das maiores ameaças atuais à espécie e pode levá-la "à beira da extinção".

O ator não defendeu a suspensão completa da interconexão. Em vez disso, pediu que o traçado seja transferido para uma área que não coloque em risco o anfíbio.

"Proteger essa espécie significa proteger todo um ecossistema vital para a biodiversidade, os recursos hídricos e a resiliência climática", afirmou.

A posição de DiCaprio conta, segundo sua manifestação, com o apoio de integrantes da comunidade local, cientistas e operadores turísticos. Entre os políticos que se posicionaram contra o atual traçado está o deputado chileno Jorge Guzmán, do partido Evópoli.

"Estamos falando de grandes torres de alta tensão que cortariam uma área única para o turismo, o esporte e a natureza", afirmou Guzmán nas redes sociais. "Nossa cordilheira não é um território vazio e não está aberta a negociações."

A Enel, por sua vez, afirmou que sempre atuou de acordo com as normas vigentes e que continuará colaborando com as autoridades durante o processo de avaliação.

"A interconexão Los Cóndores-Río Diamante, atualmente em fase de estudo e avaliação ambiental, é uma iniciativa destinada a fortalecer a integração energética entre o Chile e a Argentina", declarou a empresa italiana.

De acordo com a companhia, o projeto busca ampliar a segurança e a resiliência dos sistemas elétricos dos dois países, além de favorecer uma integração maior de fontes de energia renovável.

A Enel afirmou ainda que os impactos relacionados a aspectos ambientais, territoriais e patrimoniais foram considerados no processo de avaliação. Entre os temas analisados, a empresa cita ecossistemas, patrimônio arqueológico e geológico, além de atividades econômicas e recreativas.

Por fim, a companhia reforçou que continuará fornecendo às autoridades "toda a documentação e as análises técnicas e ambientais que forem solicitadas".

Em meio à polêmica, o Serviço de Avaliação Ambiental do Chile (SEA) suspendeu a sessão de avaliação ambiental do projeto de energia elétrica no sul do país, prevista para ocorrer na última segunda-feira (10). 

Ansa - Brasil
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