Deportações russas de crianças ucranianas constituem crimes contra humanidade, diz inquérito da ONU
Uma investigação da ONU concluiu na terça-feira que a deportação e a transferência de crianças ucranianas pelas autoridades russas desde a invasão em grande escala do país por Moscou em 2022 constituem crimes contra a humanidade.
"Neste relatório, a Comissão concluiu que os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra cometidos pelas autoridades russas tiveram como alvo as crianças, que estão entre as vítimas mais vulneráveis. Esses crimes têm consequências irreversíveis em suas vidas e em seu futuro", de acordo com o documento a ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra na quinta-feira.
O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia estudou os casos de 1.205 crianças de cinco oblasts, ou regiões, na Ucrânia e disse que 80% delas ainda não retornaram à Ucrânia.
As autoridades ucranianas afirmam que a Rússia deportou ilegalmente ou deslocou à força mais de 19.500 crianças para Rússia e Belarus, violando as Convenções de Genebra.
Uma pesquisa financiada pelos EUA no ano passado mostrou que a Rússia expandiu seus programas de reeducação forçada de crianças deportadas.
"As deportações e transferências se originaram de vários locais em uma ampla área geográfica nas áreas ocupadas pela Rússia na Ucrânia, seguindo um padrão de conduta bem estabelecido, indicando que esses atos foram generalizados e sistemáticos", disse o relatório da ONU.
A Rússia nega que esteja levando crianças contra sua vontade e diz que tem retirado pessoas voluntariamente da zona de guerra.