De olho no potencial da África, Japão recebe líderes e se apresenta como alternativa à China
A conferência, que acontece até o dia 22 de agosto, tem o objetivo de debater o desenvolvimento africano e apresentar alternativas, já que o continente enfrenta uma forte crise, com os países negociando dívidas vultosas com os chineses.
A conferência, que acontece até o dia 22 de agosto, tem o objetivo de debater o desenvolvimento africano e apresentar alternativas, já que o continente enfrenta uma forte crise, com os países negociando dívidas vultosas com os chineses.
Representantes de aproximadamente 50 países africanos participam da 9ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD). O presidente de Angola, João Lourenço, que copreside o encontro na qualidade de presidente em exercício da União Africana, falou nesta quarta-feira (20) e cobrou mais investimentos do governo japonês.
"Quero dar destaque ao fato de que, durante a TICAD 8, realizada na Tunísia, em 2022, o Japão anunciou um investimento substancial de US$ 30 bilhões em financiamento público e privado para a África ao longo dos três anos seguintes, com uma abrangência que engloba diversas áreas, desde o apoio ao setor privado até o desenvolvimento do capital humano e iniciativas de crescimento verde", destacou.
No entanto, apesar de engajado na questão da segurança alimentar no continente, Lourenço acredita que o Japão pode fazer mais. "Apesar de o investimento estrangeiro geral para a África ter aumentado em 75% em 2024, o Japão, neste mesmo ano, destinou ao continente apenas uma parte marginal de 0,5%, o que não reflete a capacidade do país nesse domínio", disse.
Entre os participantes do encontro estão ainda o presidente nigeriano, Bola Tinubu; o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa; e o presidente queniano, William Ruto, além do secretário-geral da ONU, António Guterres. Representantes de Camarões, Costa do Marfim e Senegal também integram o evento.
"A crise da dívida e da liquidez no continente africano está alterando o ambiente socioeconômico e limitando o espaço fiscal dos governos para fornecer uma rede de segurança para seus cidadãos", explicou o presidente Ramaphosa em um comunicado.
A China investiu maciçamente na África na última década por meio de financiamentos corporativos para a construção de portos marítimos, ferrovias, estradas e outros projetos de infraestrutura. Porém, agora os países africanos enfrentam uma grande dívida com o país e com credores privados, alertou o Lowy Institute, um think tank australiano.
Somado a isso, está a redução da ajuda ocidental, que muitos países africanos vêm enfrentando, especialmente desde o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) pelo presidente americano Donald Trump.
A conferência também deve proporcionar uma oportunidade para discussões sobre possíveis acordos de livre comércio entre o Japão e países africanos, garantias de empréstimos e incentivos ao investimento para empresas japonesas, de acordo com a mídia local.
Para o Japão, a África representa uma fonte de oportunidades devido à sua população jovem e aos seus recursos naturais.
"Discutiremos como podemos alavancar esses recursos humanos e materiais como fonte de vitalidade e conectá-los ao crescimento do Japão e à prosperidade global", disse o primeiro-ministro Shigeru Ishiba.
(Com RFI e AFP)