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De capitão "covarde" a suposta amante, conheça histórias do navio

23 jan 2012 - 13h45
(atualizado em 23/1/2012 às 08h44)
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O acidente com o navio Costa Concordia na costa da ilha de Giglio, na Toscana italiana, deixou suas marcas na noite fria do dia 13 de janeiro. Não apenas pelo fato de ocorrer o que parecia impossível - um cruzeiro de luxo altamente seguro bater em local conhecido pela carta náutica -, mas pelo protagonismo de alguns personagens e a curiosidade de acontecimentos que sucederam os momentos de pânico pós-salvamento.

O Costa Concordia nas proximidades da ilha de Giglio; naufrágio deixou curiosidades e revelou protagonistas
O Costa Concordia nas proximidades da ilha de Giglio; naufrágio deixou curiosidades e revelou protagonistas
Foto: AFP

Conheça o cruzeiro de luxo que naufragou na Itália

Um capitão negligente e autoritário, um comandante heroico de postura imperiosa, a suposta amante do capitão, o músico altruísta com aparência de hippie, uma frase que vira bordão internacional ou a reverência que jamais deveria ter sido feita, compõem os fatos e os protagonistas. Veja algumas personalidades e acontecimentos sobre o Costa Concordia:

O capitão

O capitão Francesco Schettino, 52 anos, nascido em Sorrente, na costa de Amalfi, perto de Nápoles, é o personagem principal do acidente. A cada dia que passa, os testemunhos se acumulam contra o oficial: mudança de trajetória para se exibir, demora para dar o alerta de evacuação e abandono precipitado do navio. Tudo negado por ele desde o início das investigações. O capitão sempre se defendeu afirmando que não abandonou a embarcação e salvou milhares de vidas por levá-la à costa.

A personalidade de Schettino é questionada tanto por pessoas da tripulação, quanto por passageiros ou ex-companheiros de profissão. Mario Palombo, um comandante de bordo aposentado da Costa Crociere, onde Schettino trabalhou durante quatro anos em um cruzeiro idêntico ao Concordia, descreveu-o como "muito exuberante e imprudente". Para um ex-comandante de outro Costa Crociere, que não quis se identificar, Schettino era um "insolente e um palhaço, que se fazia de esperto".

A casa cabine do navio investigada pelas equipes de salvamento, crescem as evidências de imprudência e omissão da maior autoridade do Costa Concordia. Schettino está em prisão domiciliar, acusado de homicídio múltiplo, de provocar o acidente e de abandonar o navio.

O herói

O comandante Gregorio De Falco, da Capitania dos Portos de Livorno, será eternizado na história do acidente como o autor da frase "Suba a BORDO!", na qual exigia que o capitão Schettino voltasse ao navio após tê-lo abandonado. A surpreendente discussão entre um indignado De Falco e Schettino, as primeiras comunicações entre o comando do Concordia e o salvamento, elevaram o primeiro à categoria de herói.

O comandante De Falco explicou que, na conversa da madrugada, percebeu pela voz de Schettino que ele estava mentindo antes de escutar os gritos distantes das pessoas que pediam socorro. "Suba a bordo!", ordenou com voz firme e indignada - uma frase que foi reproduzida no mundo inteiro. "Abandonar é mais do que desertar, é trair o Código Marítimo", disse De Falco.

No entanto, ele não quer ser herói e pediu aos jornalistas que se esqueçam dele. Sua missão é e foi a de "socorrer". E nada além disso, argumenta De Falco.

O músico hippie

Giuseppe Girolamo, um músico de 30 anos, nascido em Bari (sul da Itália), começou a trabalhar para uma orquestra de cruzeiros no dia 4 de dezembro. Na última foto no Facebook do baterista, com data de 27 de dezembro, aparece alegre acompanhado de um grupo de amigos, todos com gorros de Natal. Segundo testemunhas, estava tocando no momento em que o Costa Concordia encalhou diante da ilha de Giglio.

Um colega o viu quando subia em um barco. Ele tinha posto o colete salva-vidas. Mas ao perceber que uma criança pequena chorava, cedeu seu lugar no bote. Um gesto altruísta que provavelmente lhe custou a vida. Agora, Girolamo aparece na lista de desaparecidos, apesar de seus amigos no Facebook não perderem a esperança de encontrá-lo com vida.

A jovem moldávia

Durante quase uma semana, a jovem Dominika Cermortan, 25 anos, da Moldávia, esteve entre os mistérios que cercam o naufrágio. Após admitir que jantava com Schettino no momento da colisão, começaram as especulações de que seria uma suposta amante dele. Ainda mais quando se soube que Dominika não aparecia na lista de passageiros, nem da tripulação. A jovem conta que, ao terminar aulas práticas de aeromoça internacional, queria desfrutar de um cruzeiro como turista ao lado de seus amigos que trabalhavam a bordo.

Em entrevista ao Corriere della Sera, Dominika negou ser amante do capitão e disse ainda que ele não estava com ela no momento do acidente. "No momento do choque havia alguns oficiais em nossa mesa no restaurante da ponte 3. Esse é o lugar no qual eles comem. Mas é mentira que o comandante estivesse conosco. Ele tinha passado antes e ficado um momento, mas não me lembro a hora exata", explicou.

Dominika Cermortan afirma que Schettino não fui da embarcação e o considera um herói por ter feto todo o possível para salvar o máximo de pessoas.

"Vá a bordo, porra!"

O diálogo indignado do comandante Gregorio De Falco, perplexo com a covardia do capitão do Costa Concordia, ficou famoso no mundo inteiro. Durante as transcrições das comunicações, uma pequena frase chamou a atenção mundial: "Vá a bordo, porra", a ordem dada por De Falco a Schettino, para que ele não fugisse e retornasse ao Concordia.

Rapidamente a ordem do comandante de Livorno se tornou em um viral entre os italianos que acessam Facebook, Twitter e outras redes sociais. A frase virou bordão na internet e agora está impressa até mesmo em camisetas comercializadas por uma empresa italiana. Atenta, a companhia Lipsia Design colocou à venda uma camiseta com o bordão estampado, que pode ser comprada a 12,90 euros (aproximadamente R$ 29).

A reverência maldita

O capitão Schettino decidiu fazer uma surpresa ao chefe dos garçons, Antonello Tievoli, que nasceu na ilha de Giglio. "Vem ver, Antonello, estamos em Giglio", teria dito o capitão. Tievoli imediatamente pensou que era uma brincadeira, mas segundo os veículos de imprensa italianos o procedimento realmente ocorreu. Tievoli disse aos moradores da ilha quando o socorreram: "nunca poderia imaginar que desembarcaria em minha casa". Desde então, ele não fala com ninguém, já que se sente culpado por uma tragédia da qual se tornou protagonista sem querer.

No jargão da marinha italiana "inchino", ou "reverência", é a aproximação a um lugar para homenagear ou dar um presente a um membro da tripulação. Antonello Tievoli, que trabalha há cinco anos no cruzeiro, ligou para seus pais, moradores da ilha, para que vissem o navio passar por perto. Mas nada se passou como o capitão Schettino imaginava.

Naufrágio do Costa Concordia
O cruzeiro Costa Concordia naufragou na última sexta-feira, dia 13 de janeiro, após colidir em uma rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Mais de 4,2 mil pessoas estavam a bordo. Até a tarde de terça-feira, dia 17, 11 mortes haviam sido confirmadas. No mesmo dia, as autoridades italianas divulgaram que 29 seguiam desaparecidos. O Itamaraty informou que 57 brasileiros estavam a bordo do navio, mas nenhum deles está entre as pessoas que ainda não foram encontradas.

Segundo as primeiras informações sobre as causas do acidente, o navio, que tem 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas, margeava a ilha de Giglio quando bateu em uma rocha e começou a adernar. Houve pânico entre os passageiros, que reclamaram de despreparo da tripulação e luta por coletes salva-vidas. O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, foi acusado de ter abandonado o navio. Ele nega, mas a empresa responsável pela embarcação se posicionou confirmando a negligência do capitão.

Veja no mapa o local onde aconteceu o acidente:

Fonte: Terra
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