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Cuba se recusa a negociar mandato do presidente em conversas com os Estados Unidos

20 mar 2026 - 16h46
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Cuba rejeitou nesta sexta-feira qualquer sugestão de ‌que seu sistema político ou o mandato de seu presidente sejam colocados em negociação nas conversas com os Estados Unidos, após relatos de que Washington busca remover o presidente cubano Miguel Díaz-Canel do poder.

"Posso confirmar categoricamente que... o sistema político de Cuba não está sujeito a negociação e, é claro, nem o presidente, nem o cargo de qualquer ⁠autoridade em Cuba estão sujeitos à negociação com os Estados Unidos", disse o vice-ministro ‌das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em coletiva de imprensa.

Cuba reconheceu, há uma semana, que entrou em negociações com o governo dos EUA, já que um bloqueio ‌de petróleo imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, empurra ‌a nação comunista para uma crise econômica mais profunda, e diante de declarações ⁠de Trump de que pode fazer "tudo o que quiser" com Cuba, um vizinho soberano.

Citando duas fontes com conhecimento dos planos do governo Trump, USA Today informou, antes do posicionamento de Cuba, que Trump prepara um acordo econômico que relaxaria as restrições comerciais, mas incluiria uma rota de saída para Díaz-Canel.

O New York Times, a partir de quatro fontes ‌familiarizadas com as negociações, informou posteriormente que o governo Trump tenta destituir Díaz-Canel faltando dois ‌anos para o fim de ⁠seu mandato como ⁠presidente e cinco anos como líder do Partido Comunista.

As duas reportagens afirmam que a proposta dos EUA ⁠deixaria intocada a família dos ex-presidentes Fidel ‌e Raúl Castro. Fidel Castro morreu ‌em 2016, mas Raúl Castro, de 94 anos, continua altamente influente oito anos depois de entregar a presidência a Díaz-Canel, de 65 anos.

Esse acordo seria semelhante ao ocorrido na Venezuela, onde os Estados Unidos depuseram o presidente Nicolás Maduro, em ⁠3 de janeiro. Em vez de tentar instalar um governo de oposição, os EUA cooperaram com a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo quando as forças norte-americanas levaram Maduro em um ataque.

Mas a autoridade em Cuba está amplamente distribuída entre as altas lideranças do Partido Comunista, outras autoridades ‌do governo e as Forças Armadas, diferentemente da concentração de poder que caracterizou os anos Castro desde a revolução de 1959 até o início do mandato de Díaz-Canel, ⁠em 2018.

De Cossío, que tem liderado o escritório do Ministério das Relações Exteriores responsável pelas relações com os Estados Unidos, recusou-se a fornecer  detalhes sobre as discussões bilaterais, deixando sem resposta as questões sobre onde e quando elas estão ocorrendo.

Mas ele disse que há muitos tópicos de interesse mútuo, incluindo o comércio entre os dois países, interrompido pelo abrangente embargo econômico dos EUA contra Cuba.

Ele também mencionou a compensação econômica de longa data demandada por cada país. Cuba tem reivindicações contra os Estados Unidos por danos causados pelo embargo, enquanto há 5.913 reivindicações de norte-americanos cujas propriedades foram nacionalizadas em Cuba após a revolução de 1959 que levou Fidel Castro ao poder.

"Essas são questões muito complexas que podem ser discutidas, mas exigem diálogo", disse de Cossío. "Elas exigem que nos sentemos e são questões legítimas."

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