Cresce pressão por saída de chefe das eleições no Peru à medida que contagem de votos se arrasta
Os pedidos pela demissão do chefe da autoridade eleitoral do Peru se intensificaram nesta sexta-feira, enquanto atrasos e supostas irregularidades obscurecem a contagem dos votos presidenciais, e paira sem a definição o nome do desafiante que enfrentará a líder conservadora Keiko Fujimori em um segundo turno em junho.
A pressão sobre o chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, Piero Corvetto, aumentou, em meio a reclamações sobre erros e problemas logísticos durante a eleição de 12 de abril e uma contagem lenta, que abalou a confiança dos investidores e alimentou a incerteza.
De acordo com o escritório, o esquerdista Roberto Sanchez e o ultraconservador Rafael Lopez Aliaga, ex-prefeito de Lima, permanecem em uma batalha acirrada pelo segundo lugar, separados por cerca de 13.000 votos até esta sexta-feira.
Com 93,3% das cédulas apuradas, Sanchez teve 12,0% dos votos e Lopez Aliaga 11,9%, enquanto Fujimori permanece firme em primeiro lugar com 17%, garantindo sua vaga no segundo turno. Os resultados finais podem levar até duas semanas, de acordo com o grupo local de monitoramento de eleições Transparencia.
A contagem dos votos atrasou ainda mais por causa de cerca de 5% das cédulas separadas para revisão devido à falta de informações ou erros nos registros das seções eleitorais, segundo dados do escritório. Essas cédulas serão revisadas por um júri eleitoral especial antes de serem incluídas na contagem final, informaram as autoridades.
Líderes empresariais e parlamentares de todo o espectro político pediram que Corvetto renuncie, argumentando que um substituto deveria supervisionar o segundo turno.
"Erros tão graves têm consequências", disse Jorge Zapata, chefe da câmara empresarial Confiep, à estação de rádio local RPP.
No início desta semana, Corvetto reconheceu que houve alguns atrasos logísticos que forçaram a prorrogação da votação por um dia, principalmente em Lima. Esses atrasos levantaram acusações de fraude, principalmente por parte de Lopez Aliaga, que pediu a suspensão da contagem. Corvetto negou a ocorrência de irregularidades.
Mesmo assim, o principal tribunal eleitoral do Peru, o Júri Nacional de Eleições, apresentou uma queixa criminal aos promotores contra Corvetto, citando supostos delitos, incluindo violações dos direitos de voto. Representantes de Corvetto não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Uma investigação policial também está em andamento após materiais de quatro seções eleitorais serem encontrados em uma via pública em Lima na quinta-feira, informou a polícia. O escritório eleitoral disse no X que os votos dessas seções já haviam sido registrados para contagem.
Observadores eleitorais da União Europeia disseram nesta semana que não encontraram nenhuma evidência de fraude.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.