Coreia do Norte dispara cerca de dez mísseis após Trump mencionar possível encontro com Kim Jong-un
A Coreia do Norte disparou cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance nesta quinta-feira (20), segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que poderia se reunir novamente com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
Celio Fioretti, correspondente da RFI em Seul, e agências
Pyongyang não comentou nem a declaração de Trump nem as manobras militares. O Japão também confirmou o lançamento de pelo menos um míssil balístico, que caiu no mar.
Trump afirmou na quarta-feira (19) que poderia se reunir com Kim ainda este ano. Os dois líderes já tiveram três encontros, entre 2018 e 2019, quando Washington buscava negociar a desnuclearização da Coreia do Norte. Hoje, porém, esse objetivo parece mais distante, diante do avanço do programa nuclear norte-coreano.
Trump disse que Pyongyang possui 57 armas nucleares, enquanto Seul estima que o país tenha entre 80 e 120 ogivas. O número exato é desconhecido, e as estimativas internacionais são baseadas nos testes nucleares realizados pela Coreia do Norte e em sua capacidade de produzir material físsil.
O ministro sul-coreano da Defesa, Ahn Gyu-back, afirmou que Seul continua contrário ao reconhecimento da Coreia do Norte como Estado nuclear e disse não acreditar que Washington tenha abandonado o objetivo de desnuclearizar a península. Uma eventual negociação, portanto, teria de conciliar a exigência americana com a disposição de Pyongyang de preservar seu arsenal como instrumento de segurança e poder de barganha.
A posição norte-coreana também ficou evidente na reação de Kim Yo-jong, irmã do líder do país. Ela afirmou não ter conhecimento de qualquer contato entre Kim Jong-un e Trump, sinalizando que Pyongyang não demonstra pressa em retomar as negociações.
Apoio da Rússia e China
A situação é favorecida pelo fortalecimento das relações da Coreia do Norte com Rússia e China. O apoio de Moscou e a aproximação com Pequim reduziram o impacto das sanções internacionais que durante anos pressionaram o regime de Kim. Ao mesmo tempo, a cooperação militar com a Rússia ampliou a capacidade de negociação de Pyongyang.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou na quarta-feira que fará "todo o possível" para apoiar os esforços de Trump por um diálogo com o Norte. Lee defende também o fortalecimento das capacidades de defesa da Coreia do Sul para reduzir sua dependência militar dos Estados Unidos.
A China também busca assumir um papel na retomada do diálogo. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reuniu-se na quarta-feira, em Seul, o chanceler sul-coreano, Cho Hyun. Pequim defendeu uma mudança na postura considerada hostil dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte como condição para a retomada das comunicações entre Washington e Pyongyang.
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