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Coreia do Norte dispara cerca de dez mísseis após Trump mencionar possível encontro com Kim Jong-un

A Coreia do Norte disparou cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance nesta quinta-feira (20), segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que poderia se reunir novamente com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

20 ago 2026 - 11h13
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Celio Fioretti, correspondente da RFI em Seul, e agências

Pyongyang não comentou nem a declaração de Trump nem as manobras militares. O Japão também confirmou o lançamento de pelo menos um míssil balístico, que caiu no mar.

Trump afirmou na quarta-feira (19) que poderia se reunir com Kim ainda este ano. Os dois líderes já tiveram três encontros, entre 2018 e 2019, quando Washington buscava negociar a desnuclearização da Coreia do Norte. Hoje, porém, esse objetivo parece mais distante, diante do avanço do programa nuclear norte-coreano.

Trump disse que Pyongyang possui 57 armas nucleares, enquanto Seul estima que o país tenha entre 80 e 120 ogivas. O número exato é desconhecido, e as estimativas internacionais são baseadas nos testes nucleares realizados pela Coreia do Norte e em sua capacidade de produzir material físsil.

O ministro sul-coreano da Defesa, Ahn Gyu-back, afirmou que Seul continua contrário ao reconhecimento da Coreia do Norte como Estado nuclear e disse não acreditar que Washington tenha abandonado o objetivo de desnuclearizar a península. Uma eventual negociação, portanto, teria de conciliar a exigência americana com a disposição de Pyongyang de preservar seu arsenal como instrumento de segurança e poder de barganha.

A posição norte-coreana também ficou evidente na reação de Kim Yo-jong, irmã do líder do país. Ela afirmou não ter conhecimento de qualquer contato entre Kim Jong-un e Trump, sinalizando que Pyongyang não demonstra pressa em retomar as negociações.

Soldados do Exército dos EUA transportam galões em uma base do Exército dos EUA próxima à zona desmilitarizada que separa as duas Coreias, em Dongducheon, na Coreia do Sul, em 18 de agosto de 2026.
Soldados do Exército dos EUA transportam galões em uma base do Exército dos EUA próxima à zona desmilitarizada que separa as duas Coreias, em Dongducheon, na Coreia do Sul, em 18 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Apoio da Rússia e China

A situação é favorecida pelo fortalecimento das relações da Coreia do Norte com Rússia e China. O apoio de Moscou e a aproximação com Pequim reduziram o impacto das sanções internacionais que durante anos pressionaram o regime de Kim. Ao mesmo tempo, a cooperação militar com a Rússia ampliou a capacidade de negociação de Pyongyang.

O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou na quarta-feira que fará "todo o possível" para apoiar os esforços de Trump por um diálogo com o Norte. Lee defende também o fortalecimento das capacidades de defesa da Coreia do Sul para reduzir sua dependência militar dos Estados Unidos.

A China também busca assumir um papel na retomada do diálogo. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reuniu-se na quarta-feira, em Seul, o chanceler sul-coreano, Cho Hyun. Pequim defendeu uma mudança na postura considerada hostil dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte como condição para a retomada das comunicações entre Washington e Pyongyang.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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