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Como seria o plano da Dinamarca para impedir EUA de invadirem a Groenlândia, segundo mídia pública local

Emissora pública da Dinamarca disse que operação dos EUA em janeiro para capturar o líder da Venezuela aumentou temor de que Donald Trump pudesse mesmo levara adiante ameaça de invadir e tomar a Groenlândia.

20 mar 2026 - 10h57
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Aeronaves militares dinamarquesas foram enviadas à Groenlândia em janeiro para exercícios militares conjuntos liderados pela Dinamarca, chamados Operação Arctic Endurance
Aeronaves militares dinamarquesas foram enviadas à Groenlândia em janeiro para exercícios militares conjuntos liderados pela Dinamarca, chamados Operação Arctic Endurance
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Soldados dinamarqueses enviados à Groenlândia em janeiro estavam preparados para explodir pistas de aeroportos estratégicos diante do temor de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pudesse invadir a ilha ártica, informou a DR, emissora pública dinamarquesa.

Citando fontes do governo e das Forças Armadas dinamarquesas, além de aliados europeus, a DR afirma que também foram levados estoques de sangue para tratar feridos em caso de combate.

O jornal britânico Financial Times informou que dois funcionários europeus confirmaram posteriormente as informações da reportagem da DR. O Ministério da Defesa da Dinamarca disse à BBC que "não tem comentários".

Um oficial militar dinamarquês sênior, falando em condição de anonimato, afirmou à BBC que "apenas um número limitado de pessoas teria conhecimento da operação por razões de segurança".

EUA e Dinamarca são membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e a questão da Groenlândia — território semiautônomo da Dinamarca — tem gerado tensão entre os EUA e seus aliados europeus.

Trump disse repetidamente que pretende anexar a Groenlândia durante o seu segundo mandato presidencial, que começou em 2025. O governo da ilha (a maior do mundo em extensão territorial) e a Dinamarca têm rejeitado de forma reiterada essa possibilidade.

Soldados dinamarqueses armados em Nuuk, na Groenlândia, em 18 de janeiro de 2026
Soldados dinamarqueses armados em Nuuk, na Groenlândia, em 18 de janeiro de 2026
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A emissora DR afirmou que baseou sua reportagem em 12 fontes entre as principais autoridades do governo e das Forças Armadas dinamarquesas, além de fontes entre aliados do país na França e na Alemanha.

Segundo a emissora, essas fontes disseram que a Dinamarca pediu apoio político à França, à Alemanha e também a países nórdicos para lidar com Trump, por meio de demonstrações de unidade europeia e da realização de mais atividades militares conjuntas na Groenlândia.

Mas, de acordo com essas fontes, a situação se agravou em 3/1, quando forças de elite dos EUA capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação relâmpago na capital venezuelana, Caracas.

No dia seguinte, Trump disse a jornalistas que iria "se preocupar com a Groenlândia em cerca de dois meses" e repetiu que "precisamos da Groenlândia por uma questão de segurança nacional. É muito estratégica". Sem apresentar provas, acrescentou: "Neste momento, a Groenlândia está cercada por navios russos e chineses por todos os lados".

Uma fonte de alto escalão da área de segurança da Dinamarca disse à DR que "quando Trump continua dizendo que quer assumir o controle da Groenlândia, e depois acontece o que aconteceu na Venezuela, tivemos de levar todos os cenários a sério".

Pouco depois da captura de Maduro, um pequeno contingente militar formado por soldados da Dinamarca, França, Alemanha, Noruega e Suécia foi enviado à capital da Groenlândia, Nuuk, e a Kangerlussuaq, onde há um aeroporto.

Na época, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o contingente inicial seria reforçado com "meios terrestres, aéreos e navais".

Segundo a DR, um segundo envio incluiu soldados de elite dinamarqueses e um contingente francês treinado para operações em regiões frias e montanhosas. Aeronaves dinamarquesas e um navio da Marinha francesa foram deslocados para o Atlântico Norte.

O envio foi apresentado como parte de exercícios militares conjuntos liderados pela Dinamarca, chamados "Operation Arctic Endurance", mas o motivo real era se preparar para uma possível invasão dos EUA, informou a emissora.

A Dinamarca decidiu que os seus soldados lutariam em caso de invasão americana, e também estavam preparados para destruir pistas de pouso em Nuuk e Kangerlussuaq para impedir o desembarque de aeronaves militares dos EUA, segundo a reportagem.

"O custo para os EUA teria de aumentar. Os EUA teriam de realizar um ato hostil para tomar a Groenlândia", disse uma fonte da Defesa dinamarquesa à emissora, acrescentando que, ainda assim, seria improvável que as tropas conseguissem repelir um ataque americano.

Em 21 de janeiro, Trump, que anteriormente não havia descartado o uso da força para assumir o controle da Groenlândia, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos: "Não quero usar a força. Não vou usar a força. Tudo o que os EUA estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia", em uma declaração que contrastou com a ideia expressada por ele no passado, quando chegou a dizer que conquistaria seu objetivo "de um jeito ou de outro".

Desde então, Trump disse que busca "negociações imediatas" para encontrar um acordo e reduzir ainda mais as tensões.

Ainda se sabe muito pouco sobre eventuais acordos entre os EUA e a Dinamarca, mas segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times, uma das ideias em discussão inclui a cessão pela Dinamarca da soberania sobre pequenas áreas da Groenlândia, onde os Estados Unidos construiriam bases militares.

Para defender a tomada da Groenlândia, Trump mencionou a ameaça de navios russos e chineses em volta da ilha. Mas a Dinamarca afirma que "hoje" esta ameaça não existe.

Os aliados da Otan tentaram tranquilizar os EUA dizendo que aumentariam a segurança no Ártico. E o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirma que o acordo que está sendo discutido também exigirá esta contribuição.

Segundo especialistas, contudo, o interesse que a organização e seus membros têm demonstrado no acordo e no tema fortalece a ideia de que o Ártico é cada vez mais importante para seus membros.

*Reportagem adicional de Julia Braun

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