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Como o genocídio dos povos roma e sinti é lembrado na Europa

2 ago 2026 - 11h10
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Em 2 de agosto de 1944, milhares de membros de etnias nômades foram assassinados no campo de Auschwitz-Birkenau. Décadas depois, a data passou a assinalar o Dia Memorial do Holocausto para os Sinti e Roma.Foram décadas até que o genocídio cometido pelos nazistas contra os roma e os sinti - que vitimou cerca de 500 mil pessoas durante a Segunda Guerra Mundial - fosse reconhecido pela Alemanha como tal. Também levou décadas até que o Dia Europeu em Memória do Holocausto dos Roma e dos Sinti, lembrado em 2 de agosto, se tornasse efetivamente um dia oficial de memória na Alemanha e na Europa.

Em Auschwitz, na madrugada de 2 para 3 de agosto de 1944, milhares de roma e sinti foram assassinados
Em Auschwitz, na madrugada de 2 para 3 de agosto de 1944, milhares de roma e sinti foram assassinados
Foto: DW / Deutsche Welle

Por iniciativa de organizações roma e sinti polonesas, foi nesse dia, em 1994, no Memorial de Auschwitz, que ocorreu pela primeira vez uma cerimônia de grande porte em homenagem à chamada "aniquilação dos campos ciganos" de Birkenau.

Na noite de 2 para 3 de agosto de 1944, milhares de roma e sinti, foram mortos em câmaras de gás, fuzilados ou espancados até a morte no campo de concentração de Auschwitz. Devido a desnutrição, doenças e epidemias, milhares de deportados já haviam morrido antes mesmo do massacre.

Somente desde 2015, sob determinação do Parlamento Europeu, o Dia Europeu em Memória do Holocausto dos Roma e Sinti passou a ser, também na Alemanha e em outros países, um dia de homenagem lembrado de forma oficial - com representantes governamentais, inclusive, dirigindo-se ao Memorial de Auschwitz.

Na maioria das vezes, porém, as cerimônias são realizadas nos próprios países, com destaque especial para nações do centro e do sudeste da Europa, uma vez que a política de extermínio nazista frequentemente mirava os roma e sinti nessas regiões. Ao mesmo tempo, algumas cerimônias costumam também servir para lembrar o preconceito atual e suas consequências.

Polônia: Dia de Memória há 15 anos

Cerca de 30 mil roma e sinti vivem na Polônia, onde o 2 de agosto é, desde 2011, um dia oficial de memória, em que representantes do parlamento e do governo costumam se deslocar ao memorial de Auschwitz.

Outra importante cerimônia ocorre todos os anos na vila de Szczurowa, a leste de Cracóvia, no dia 3 de julho, em memória a um massacre perpetrado pelos alemães contra roma e sinti poloneses em 1943. Nesse local, foi erguido em 1956 o primeiro monumento da Europa dedicado às vítimas ciganas.

Também em outras pequenas cidades e vilarejos do sudeste da Polônia, todos os verões, é prestada homenagem a roma e sinti poloneses vitimados durante o período da ocupação alemã.

República Tcheca: antiga fazenda virou memorial

Na República Tcheca, onde vivem cerca de 250 mil roma e sinti, o 2 de agosto é lembrado oficialmente desde 2015. A principal cerimônia em homenagem às vítimas ocorre na cidade de Lety, ao sul de Praga, onde organizações ciganas relembram o genocídio há décadas. Lá, os nazistas construíram, em 1940, um campo de concentração para o qual famílias ciganas foram deportadas a partir de 1942.

Após a guerra, virou uma fazenda de criação de suínos, o que gerava muita controvérsia. Por isso, as operações foram encerradas em 2018, e o local, transformado em um memorial.

À inauguração, em abril de 2024, compareceram o presidente da República Tcheca, Petr Pavel, e o então primeiro-ministro tcheco, Petr Fiala. Outro local de memória é Hodonin, ao norte de Brno, onde também existiu, entre 1942 e 1943, um campo de concentração alemão para roma e sinti. Nesse local, é lembrada a deportação em massa desses povos para Auschwitz, ocorrida em 21 de agosto de 1943.

Eslováquia: celebração desde 2005

Em torno de meio milhão de roma e sinti vivem na Eslováquia, onde o 2 de agosto é um dia oficial de comemoração desde 2005. A principal cerimônia ocorre no Museu da Revolta Popular (SNP), que relembra a revolta antifascista de 1944, em Banska Bystrica, na região central do país.

A homenagem é organizada pelo governo - mais precisamente, pelo representante oficial dos roma - em conjunto com iniciativas não governamentais. Outras figuras proeminentes da política, como o presidente, também participam do evento.

Hungria: preconceito no passado e no presente

Na Hungria, onde hoje vivem cerca de 600 mil roma e sinti, o Dia da Memória do Holocausto dos Ciganos é comemorado em 2 de agosto em diversas localidades, desde 2005, após uma decisão do parlamento.

Somente em Budapeste, há três memoriais onde são realizadas homenagens. A razão para a existência desses e de muitos outros memoriais no país é que os roma e sinti húngaros foram vítimas de deportações e assassinatos especialmente após o início da ocupação alemã em 1944 e sob o domínio do Partido da Cruz Flechada, os nazistas húngaros.

À memória histórica, soma-se na Hungria também a lembrança da série de assassinatos contra roma e sinti ocorrida em 2008 e 2009. Naquela época, terroristas de extrema direita assassinaram seis pessoas e feriram 55, algumas delas gravemente. O último atentado foi cometido justamente na noite de 2 para 3 de agosto de 2009, na vila de Kisleta, no leste da Hungria.

Romênia: deportação para a Transnístria

Cerca de dois milhões de roma e sinti vivem na Romênia, onde o Dia da Memória é comemorado oficialmente desde 2020, com a principal cerimônia ocorrendo no Memorial do Holocausto, inaugurado em 2009, em Bucareste.

Sob o regime do ditador Ion Antonescu, aliado de Hitler, a Romênia organizou por conta própria uma deportação em massa para a Transnístria, onde cerca de 380 mil judeus e 11 mil ciganos foram assassinados em campos de concentração ou morreram de fome e doenças. Em 2025, pela primeira vez, um presidente da Romênia, Nicusor Dan, participou pessoalmente das homenagens.

Em 2004, a Romênia declarou o dia 9 de outubro como o Dia Nacional em Memória do Holocausto. Nessa data, tiveram início as deportações de judeus da região da Bucovina para a Transnístria. Nesse dia, também é relembrada a deportação e o assassinato de roma e sinti pelo regime de Antonescu.

Bulgária: memória sem dia comemorativo

Na Bulgária, onde vivem cerca de 700 mil roma e sinti, o 2 de agosto não foi declarado dia comemorativo oficial, mas é celebrado com cerimônias organizadas por entidades ciganas. Representantes do governo também publicam comunicados oficiais a esse respeito.

Embora aliada dos nazistas, a Bulgária resistiu à deportação de judeus e também de roma e sinti que era exigida pela Alemanha. Mas, internamente, acabaram discriminados devido a uma série de leis e transformados em cidadãos de segunda classe.

Croácia: a tentativa de fuga em destaque

Cerca de 25 mil roma e sinti vivem na Croácia, onde o 2 de agosto foi declarado um dia de homenagem pelo parlamento em 2014. A principal cerimônia ocorre no local do antigo campo de concentração de Jasenovac, onde, durante o regime fascista dos ustashas - instituído no país entre 1941 e 1945 -, sérvios, judeus, croatas e ciganos foram detidos. Cerca de 15.000 a 20.000 roma e sinti foram assassinados.

Representantes de alto escalão do governo participam regularmente das homenagens. De modo geral, nas cerimônias em Jasenovac, o dia 22 de abril ocupa um lugar de destaque: nessa data, relembra-se uma tentativa de fuga dos prisioneiros do campo de concentração, ocorrida em 1945.

Macedônia do Norte: memória e feriado

Na Macedônia do Norte, onde vivem cerca de 100 mil roma e sinti, o 2 de agosto é oficialmente o Dia de Memória do Holocausto dos Ciganos desde 2017. A principal cerimônia ocorre em Skopje, no Centro de Memória do Holocausto aos Judeus da Macedônia.

Como o dia 2 de agosto também é o Dia da República - portanto, feriado nacional -, a homenagem ao genocídio dos roma e sinti fica um pouco em segundo plano na esfera pública.

Sérvia: não há dia oficial

Na Sérvia, onde vivem cerca de 130 mil roma e sinti, o 2 de agosto não é um dia oficial de homenagem ao genocídio dos ciganos, que é relembrado junto com outras datas que destacam as políticas de genocídio dos nazistas e dos ustaschas.

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