Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Comissão do Vaticano exclui ordenar mulheres diaconisas

Documento foi divulgado por ordem do papa Leão XIV

4 dez 2025 - 09h20
(atualizado às 12h26)
Compartilhar

Uma comissão instituída pelo finado papa Francisco excluiu a possibilidade de ordenar mulheres como diaconisas, proposta que é defendida pela ala mais progressista da Igreja Católica para combater a escassez de padres e diáconos em muitas partes do mundo.

Mulheres candidatas ao diaconato na Igreja Evangélica da Confissão Augsburgo, na Polônia
Mulheres candidatas ao diaconato na Igreja Evangélica da Confissão Augsburgo, na Polônia
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A conclusão está em uma carta escrita pelo presidente do comitê, cardeal Giuseppe Petrocchi, e enviada ao papa Leão XIV, que a tornou pública nesta quinta-feira (4), em um sinal de apoio tácito aos resultados.

O texto "exclui a possibilidade de prosseguir no sentido de admitir mulheres no diaconato, entendido como um grau do sacramento da Ordem", formulação que foi aprovada por sete membros da comissão e rejeitada por apenas um, em votação realizada em julho de 2022.

O diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem da Igreja Católica, que também inclui o presbiterado (padres) e o episcopado (bispos). Um diácono pode batizar, celebrar casamentos e fazer pregações, além de colaborar com bispos e sacerdotes na liturgia da palavra e administrar paróquias, porém não está apto a consagrar a hóstia, ungir enfermos, presidir missas ou ouvir confissões.

A ala mais progressista do catolicismo defende a ordenação de diaconisas, de forma a dar mais relevância às mulheres em uma Igreja dominada por homens e combater a queda constante do interesse pela vocação religiosa. Diaconisas existiam no cristianismo primitivo, mas seu papel naqueles tempos ainda é motivo de debate.

"A Igreja reconheceu o título de diaconisa em variadas épocas, tempos e formas para as mulheres, mas atribuiu-lhe um significado não unívoco. No atual estado da pesquisa histórica e do nosso conhecimento dos testemunhos bíblicos, pode-se razoavelmente dizer que o diaconato feminino não era entendido como o simples equivalente feminino do diaconato masculino e não parece ter tido um caráter sacramental", explica a carta do cardeal Petrocchi.

Segundo ele, uma votação no âmbito da comissão em setembro de 2021 teve placar de seis votos a dois, além de duas abstenções, contra a "instituição na Igreja do diaconato feminino como grau da Ordem do Sacramento".

Por outro lado, os membros aprovaram por unanimidade uma formulação que estabelece que a eventual criação de novos ministérios, porém fora da Ordem do Sacramento, "poderia contribuir para a sinergia entre homens e mulheres".

A carta também destaca que foi apresentado ao Sínodo um material "abundante" em defesa do diaconato feminino, mas assegura que essa vasta documentação é atribuída a um grupo restrito de pessoas provenientes de "poucos países" e "não pode ser considerada como a voz do povo de Deus em seu conjunto".

Além disso, destaca a "forte oposição" de algumas igrejas à perspectiva de ordenar mulheres diaconisas e que parte do clero define essa hipótese como "inaceitável".

"Chama atenção também que, se a admissão de mulheres ao primeiro grau da Ordem fosse aprovada, a sua exclusão dos restantes graus [presbiterado e episcopado] seria inexplicável", ressalta Petrocchi, que, tendo em vista a "falta de uma convergência sobre o tema", recomenda uma postura "prudente" por parte da Santa Sé.

Ansa - Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra