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Com as eleições de meio de mandato se aproximando, Trump fará discurso no horário nobre sobre segurança eleitoral

16 jul 2026 - 18h27
(atualizado às 19h19)
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O presidente dos EUA, Donald Trump, planeja proferir um discurso no ‌horário nobre nesta quinta-feira com foco na segurança das eleições, chamando novamente a atenção para suas reclamações de longa data sobre os sistemas de votação e a administração eleitoral, em um momento em que os republicanos enfrentam eleições de meio de mandato desafiadoras em novembro.

A Casa Branca estava decidindo se as declarações do presidente incluiriam a divulgação de informações confidenciais relacionadas à intenção ou capacidade da China de interferir nas eleições norte-americanas de 2020, informou a Reuters na quarta-feira, citando quatro fontes. Algumas autoridades do govenro Trump temiam que as informações pudessem passar uma impressão enganosa, disseram as ⁠fontes.

Trump vem há anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, alegando falsamente que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi fraudulenta. Ele também ‌divulgou outras alegações falsas, incluindo que o voto por correspondência está repleto de fraudes, que as urnas eletrônicas são vulneráveis e que o voto de não cidadãos é generalizado.

Vários tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em grande escala nas eleições de 2020.

INFORMAÇÕES DA CHINA ‌EM ANÁLISE

As informações de inteligência sobre a China, coletadas durante o primeiro mandato de Trump, ‌de 2017 a 2021, não mostraram que Pequim tivesse manipulado ou alterado votos, disseram fontes à Reuters.

Uma força-tarefa da Casa Branca liderada pelo ⁠jornalista conservador John Solomon solicitou recentemente à comunidade de inteligência documentos que descrevessem as informações e passou as últimas semanas analisando-os antes do discurso de Trump, disse uma fonte familiarizada com o trabalho do grupo.

A versão final do discurso ainda não estava pronta até o meio-dia desta quinta-feira e continuava sujeita a alterações por parte do presidente, disse uma pessoa a par dos planos. Vários integrantes seniores da Casa Branca estavam ansiosos com o que o presidente acabaria dizendo em seu discurso e como isso poderia afetar as chances dos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, ‌disse a fonte.

"O presidente fará um anúncio muito importante com relação à integridade de nossas eleições", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira, ‌acrescentando que "tudo o que ele disser será respaldado ⁠por fatos e evidências".

O Gabinete do ⁠Diretor de Inteligência Nacional não respondeu aos pedidos de comentário sobre a reportagem da Reuters na quarta-feira, e a CIA se recusou a comentar.

Membros democratas da Comissão ⁠Permanente de Inteligência da Câmara enviaram uma carta ao diretor interino de Inteligência Nacional, Bill ‌Pulte, juntamente com os chefes do FBI, da ‌Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Segurança Nacional (NSA), alertando-os para que não permitam que Trump "utilize a inteligência como arma para apoiar alegações falsas sobre a segurança das eleições".

Não ficou claro se as redes de televisão concederiam tempo de antena à Casa Branca para o discurso de Trump, uma prática normalmente reservada para discursos importantes sobre questões de interesse nacional. Porta-vozes das três principais emissoras — NBC, CBS ⁠e ABC —, bem como das redes a cabo CNN e Fox News, não responderam às perguntas sobre se transmitiriam as declarações de Trump ao vivo.

OBSTÁCULOS POLÍTICOS

Desde que reassumiu o cargo em janeiro de 2025, Trump tem buscado ampliar o poder federal sobre a administração das eleições, que, legalmente, é de competência dos governos estaduais, conforme a Constituição dos EUA.

Nos últimos meses, ele também pressionou os republicanos do Senado a aprovar um projeto de lei, o SAVE America Act, que exigiria documento de identidade com foto para votar ‌e comprovante de cidadania norte-americana para se registrar, além de obrigar os Estados a compartilhar informações de registro eleitoral com o governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a legislação suprimiria votos legítimos.

Alguns líderes republicanos ⁠instaram Trump a se concentrar em questões que mais importam aos norte-americanos, incluindo o alto custo de vida, em vez de se concentrar na votação de 2020.

"Não sei o que ele vai dizer", afirmou o líder da maioria no Senado, John Thune, quando questionado na quarta-feira se aconselharia Trump a evitar falar sobre a eleição de 2020. "A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acho que a maioria dos meus pares também."

Os republicanos enfrentam ventos contrários à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam, com o índice de aprovação de Trump em baixa e os eleitores profundamente frustrados com a guerra contra o Irã e os altos preços da energia que ela acarreta.

Os democratas precisam conquistar apenas três cadeiras republicanas para obter a maioria na Câmara dos Deputados dos EUA. No entanto, eles enfrentam uma batalha difícil para conquistar a maioria no Senado, com disputas decisivas ocorrendo em Estados de tendência republicana.

Os democratas estão se preparando para a possibilidade de a Casa Branca tentar manipular as eleições de novembro, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, aos repórteres na quarta-feira.

"Eles sabem que não podem vencer a eleição de forma justa e honesta", disse ele. "Portanto, não duvidamos que tentem tudo o que puderem."

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