Colômbia convoca embaixadora após Equador impor tarifas de 100% sobre produtos do país
A medida marca uma escalada na chamada 'guerra comercial' entre as nações
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ordenou nesta sexta-feira (10) o retorno imediato ao país da embaixadora em Quito, María Antonia Velasco Guerrero, em resposta à decisão do governo do Equador de elevar para 100% as tarifas sobre produtos colombianos.
A medida marca uma escalada na chamada "guerra comercial" entre os dois países, que agora se estende ao campo diplomático e político, aprofundando as tensões bilaterais entre os dois vizinhos.
Petro anunciou ainda que a próxima reunião do Conselho de Ministros será realizada em um ponto da fronteira com o Equador.
Em declarações públicas, o mandatário colombiano criticou duramente seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, afirmando que ele "está insultando o governo colombiano, que apreendeu mais cocaína do que qualquer outro no mundo".
Segundo Petro, o governo colombiano tem obtido resultados significativos no combate ao narcotráfico, destacando apreensões recordes de cocaína e a redução da área cultivada com folha de coca ? a maior desde 2018.
Sem citar nomes diretamente, o líder colombiano também rebateu insinuações sobre possíveis vínculos com atividades ilícitas, afirmando que dedicou sua vida ao combate ao narcotráfico e negando qualquer envolvimento com "negócios escusos".
"Nunca encontrei carregamentos de cocaína em navios mercantes pertencentes a qualquer empresa minha", enfatizou ele, acrescentando que "não me envolvo em negócios escusos".
Na quinta-feira (9), o governo equatoriano ordenou um aumento de 100% nas tarifas sobre produtos colombianos, usando o mesmo argumento que vem empregando desde janeiro, quando começou a "guerra comercial": que a Colômbia não está cooperando o suficiente no combate às organizações criminosas na fronteira.
Em resposta, Petro afirmou que nos departamentos colombianos de Nariño e Putumayo os índices de homicídio caíram significativamente, atribuindo o resultado a programas de substituição de cultivos ilícitos.
Ele também argumentou que "os maiores índices de violência no Equador" ocorrem longe da fronteira com seu país, "ao longo da rota da cocaína do Peru até seus portos".
"Minha ajuda ao Equador tem sido fornecer eletricidade quando necessário, e não quero que fraquezas de caráter causem o derramamento de sangue", acrescentou.
Em outro momento, Petro classificou a decisão tarifária como "o fim do Pacto Andino" para a Colômbia, defendendo a aceleração do processo de adesão plena ao Mercosul. Segundo ele, o país deve redirecionar sua estratégia comercial em direção ao Caribe e à América Central.
Analistas colombianos avaliam que, além das questões comerciais e de segurança, há motivações políticas por trás da crise. Entre elas estaria o descontentamento de Noboa com a posição de Petro, que considera o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas um prisioneiro político.
"O governo equatoriano está distorcendo a realidade sob ordens externas à sua soberania. Apreendemos 5,9 toneladas de cocaína, graças a informações coletadas pela Marinha colombiana, autoridades equatorianas e autoridades espanholas e britânicas, em seus portos de Manta e Salinas, no Equador, Marbella, na Espanha, e Port Thames, na Inglaterra, entre 10 e 23 de março", argumentou o presidente colombiano.
Diante do agravamento da crise, Bruce MacMaster, presidente da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI), apelou aos dois governos para que atuem com "magnanimidade" e busquem mediação internacional para superar as divergências.