Cessar-fogo no Irã: enquanto líderanças mundiais comemoram, JD Vance mantém tom de ameaça
Lideranças de todo o mundo saúdam nesta quarta-feira (8) o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã, feito na véspera por Donald Trump. No entanto, segundo o vice JD Vance, o compromisso é "frágil" e, caso não seja respeitado, o regime iraniano saberá que o presidente americano "não está brincando".
"Algo muito bom", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron. "Boa notícia", reiterou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. "Via para uma paz durável e global na região", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. Um compromisso com potencial de "reabrir o Estreito de Ormuz", declarou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. "Sinal de esperança viva", celebrou o papa Leão XIV.
Da Europa ao Oriente Médio, passando pela Ásia e a África, a trégua na guerra, que se estendeu desde 28 de fevereiro por vários países do Golfo e provocou uma crise energética global, é celebrada. A poucas horas do fim do prazo estabelecido por Trump, na terça-feira (7) o mundo temia que os Estados Unidos colocassem em prática ameaças que previam "o fim de uma civilização" no Irã.
Apesar da sensação de alívio com o anúncio do cessar-fogo, o governo americano opta por não baixar a guarda e manter a agressividade em seus discursos. Em visita a Budapeste, o vice-presidente americano, JD Vance, classificou a situação de "frágil" nesta manhã, ressaltando que a continuidade da pausa nos combates depende da atitude que adotará Teerã.
"Se os iranianos estiverem dispostos a trabalhar conosco de boa fé, acho que podemos chegar a um acordo", disse. Mas "se eles mentirem, se eles trapacearem, se eles tentarem impedir que até mesmo a frágil trégua que estabelecemos entre em vigor", a situação se inverterá, garantiu. "Eles vão descobrir que o presidente dos Estados Unidos não está brincando", reiterou Vance.
EUA e Irã reivindicam "vitória total"
Nas últimas horas, Washington e Teerã também protagonizam uma batalha por meio de discursos triunfalistas, com cada lado reivindicando vitória. Durante a madrugada, Trump publicou na rede social Truth Social uma mensagem comemorando "um grande dia para a paz no mundo" e prevendo uma "era de ouro no Oriente Médio" graças à ajuda dos Estados Unidos. "O Irã quer que isso aconteça, eles já tiveram o suficiente!", escreveu.
O mesmo tom é adotado em Teerã, que acredita ter obtido "uma grande vitória". No entanto, para o Conselho Supremo de Segurança do país, a trégua não significa o fim da guerra. "O Irã só aceitará o fim das hostilidades" quando as negociações tiverem avançado.
As autoridades iranianas também anunciaram negociações com Washington a partir de sexta‑feira (10), no Paquistão, mediador-chave na guerra no Oriente Médio. As discussões estão previstas para durar duas semanas, período que pode ser prorrogado "com o acordo das duas partes", segundo a mais alta instância de segurança do Irã.
Já a Guarda Revolucionária iraniana diz não confiar nas promessas americanas. Por isso, o exército ideológico do Irã afirma que mantém "o dedo no gatilho".
Ataques após o início do cessar-fogo
Ainda que pontuais, alguns ataques foram registrados no Oriente Médio nesta manhã. Segundo a televisão estatal iraniana, o Irã realizou ataques contra o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos alegando responder a bombardeios que atingiram instalações petrolíferas iranianas após o anúncio do cessar-fogo.
Já Israel alegou que a trégua não inclui suas operações contra o grupo Hezbollah no Líbano. Nesta manhã, as forças israelenses ordenaram que moradores se retirassem de várias localidades nos arredores de Beirute e no sul do Líbano, antes de lançar novos bombardeios.
O Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel desde 1h da manhã pelo horário local (19h de terça-feira pelo horário de Brasília). Segundo o presidente libanês, Joseph Aoun, seu governo está trabalhando para que o país seja incluído na "paz regional".
RFI com agências