Catar diz que houve avanços nas negociações entre EUA e Irã para pôr fim à guerra
O Catar informou nesta terça-feira que os mediadores estão obtendo avanços nos esforços para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã, o que levou a uma queda nos preços do petróleo, embora Teerã tenha negado a afirmação do presidente Donald Trump de que as negociações estejam em andamento.
O petróleo Brent, referência do mercado, caiu mais de 4% após os comentários do Catar, ampliando a forte queda registrada na segunda-feira, em meio a esperanças de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para restabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Mas, por enquanto, o estreito permaneceu praticamente fechado, com mais um navio sendo atacado ao tentar atravessá-lo.
Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com Teerã haviam começado e que o Irã tinha uma "última chance" de chegar a um acordo. Autoridades iranianas insistiram que não estavam ocorrendo negociações com os Estados Unidos.
Em vez disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, falou apenas sobre conversas com Omã a respeito do trânsito pelo Estreito de Ormuz, afirmando que elas haviam sido positivas e continuavam em andamento. Essas conversas se concentravam na designação de faixas seguras de entrada e saída, segundo declarações dele citadas pela mídia estatal. Ele acrescentou que a rota que está sendo negociada visa garantir os direitos soberanos e a segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã.
No entanto, autoridades seniores dos EUA adotaram um tom otimista, com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Estado, Marco Rubio, apontando para avanços nas discussões que visam a reabertura do Estreito de Ormuz, um corredor que normalmente transporta cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito.
"Houve avanços nessas negociações, mas ainda não há um acordo definitivo. Esperamos que isso aconteça em breve", disse Rubio a repórteres no Departamento de Estado.
Bessent disse que um acordo com o Irã sobre a reabertura de Ormuz poderia ser alcançado até terça ou quarta-feira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse que os contatos diplomáticos haviam chegado a "estágios muito avançados".
Ele disse que mediadores, incluindo o Catar, o Paquistão e Omã, estavam coordenando-se estreitamente para facilitar as negociações e a troca de rascunhos de propostas entre Washington e Teerã.
Uma autoridade sênior de segurança do Paquistão disse: "Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes, pelo menos, concordem em começar a dialogar."
Os comentários de Trump vieram após sua decisão no fim de semana de cancelar os planos para o que ele descreveu como "ataques em grande escala" contra o Irã, dando continuidade a um padrão em que ele ameaça com grandes ações militares antes de recuar e apontar para os contatos diplomáticos.
RISCOS AO TRÁFEGO MARÍTIMO PERMANECEM
O Irã interrompeu a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio ao transporte marítimo e aos portos relacionados ao Irã.
Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo.
Um navio de carga relatou ter sido atingido por um projétil não identificado perto do Estreito de Ormuz, na costa de Omã, de acordo com a agência de segurança marítima UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Fontes marítimas informaram à Reuters nesta terça-feira que a embarcação era um navio de carga seca a granel. Sua tripulação abandonou o navio e um tripulante estava desaparecido.
Mais tarde nesta terça-feira, o ministro da Navegação da Índia, Sarbananda Sonowal, escreveu no X que um projétil havia atingido e afundado um navio indiano perto das águas iemenitas, com todas as 14 pessoas a bordo resgatadas pela guarda costeira do Iêmen.
O Irã há muito tempo exige o controle sobre o Estreito de Ormuz, que, segundo o país, deveria ser compartilhado com Omã, na margem oposta. Mas Teerã rejeitou, na semana passada, uma proposta de Omã que teria permitido a supervisão compartilhada e a cobrança de taxas voluntárias dos navios.
Uma fonte iraniana sênior disse que Teerã busca o controle total sobre o tráfego marítimo de entrada e visibilidade sobre o tráfego de saída, com a capacidade de intervir se necessário.
Conceder tal controle ao Irã representaria uma grande mudança no equilíbrio de poder regional e tornaria mais difícil para Washington argumentar que a "Operação Fúria Épica", lançada por Trump em conjunto com Israel em fevereiro, teria enfraquecido seu inimigo de longa data.
Crescem as preocupações quanto à sustentabilidade da campanha militar dos EUA. O Exército dos EUA esgotou grande parte de seu estoque de mísseis de longo alcance de alta precisão durante a guerra, segundo três pessoas a par dos dados, o que suscita preocupações quanto à prontidão das Forças Armadas para futuros conflitos.
SOFRIMENTO PROLONGADO
Autoridades e analistas do Golfo afirmam que o Irã está apostando que pode resistir mais tempo do que Washington, transformando as rotas comerciais, as rotas marítimas e a infraestrutura energética da região em pontos de pressão que aumentam constantemente o custo do confronto.
"A grande vantagem deles é que podem prejudicar os países da região e a economia global", afirmou Michael Knights, do Washington Institute.
O Irã rejeitou publicamente as negociações com Washington desde o colapso, no início de julho, de um memorando de entendimento que as duas partes haviam assinado no mês anterior.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, restringir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes clericais.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.