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Brasileira é presa acusada de liderar esquema para obtenção de cidadania na Itália

Grupo teria facilitado reconhecimento para cerca de 70 pessoas em Torre del Greco

20 out 2026 - 09h22
(atualizado às 09h44)
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Resumo
Uma brasileira foi presa na Itália acusada de liderar um esquema criminoso que facilitou ilegalmente a cidadania para mais de 70 brasileiros entre 2022 e 2024. A fraude contava com o apoio de servidores municipais de Torre del Greco e utilizava comprovantes falsos de residência para requerentes sem direito ao benefício. Cada processo custava 5 mil euros. A mulher responderá por corrupção, falsidade ideológica e associação criminosa, em meio ao endurecimento das leis italianas contra fraudes.

Uma brasileira foi presa em Ferrara, no norte da Itália, acusada de liderar uma associação criminosa que teria facilitado o reconhecimento de cidadania italiana para compatriotas.

Vista de Torre del Greco, no sul da Itália
Vista de Torre del Greco, no sul da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo o Ministério Público de Torre Annunziata, nos arredores de Nápoles, o esquema funcionou entre 2022 e 2024 e beneficiou mais de 70 brasileiros que não teriam direito à cidadania por direito de sangue (jus sanguinis).

A prisão ocorreu quando a mulher ? que não teve o nome divulgado ? voltava à Itália após uma temporada no exterior.

Como a brasileira é mãe de um menino pequeno, ela foi encaminhada a um presídio especial para detentas com filhos na província de Veneza.

De acordo com as investigações, a brasileira organizou uma rede que contava com a participação de pelo menos três servidores municipais de Torre del Greco. Assim como outros casos ocorridos anteriormente na Itália, o esquema se baseava em certificações falsas de residência dos candidatos à cidadania no país.

O grupo disponibilizava imóveis usados como dormitórios temporários ou indicava locais falsos de moradia, incluindo um hotel da cidade. Segundo o MP, os solicitantes nunca moravam de fato em Torre del Greco e não tinham documentação que comprovasse ascendência italiana.

Ainda assim, conseguiam a cidadania em menos de dois meses, graças à atuação dos funcionários públicos envolvidos. O inquérito apurou que cada processo custava cerca de 5 mil euros (R$ 28 mil) por pessoa, valor depois dividido entre os integrantes da organização.

A brasileira é acusada de associação criminosa, corrupção e falsidade ideológica em documento público.

O caso é mais um capítulo da ofensiva da Justiça italiana contra esquemas de cidadania facilitada por meio de documentos falsos ou residências fictícias. Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento, especialmente envolvendo brasileiros.

Para obter a cidadania diretamente na Itália, sem precisar passar pelos consulados, é necessário comprovar moradia no país, o que exige a permanência por um período relativamente incerto, mas que pode durar por volta de três meses. Muitas vezes, no entanto, os candidatos ficam apenas até a comprovação da residência por um guarda municipal.

As fraudes recorrentes foram um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália.

Ansa - Brasil
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