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Brasil poderá retomar exportações de carne quando respeitar requisitos, diz UE

Bruxelas garantiu que trabalha em 'estreito contato' com autoridades do país

4 set 2026 - 08h13
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Resumo
A União Europeia suspendeu a importação de carnes e produtos de origem animal do Brasil devido ao descumprimento de normas sobre antimicrobianos e antibióticos. A UE condicionou a retomada das compras à adequação do país às exigências sanitárias, processo que depende de auditorias em andamento. Em resposta, o governo brasileiro criticou o bloqueio e ameaçou adotar medidas de reciprocidade comercial, em meio às tensões decorrentes da recente entrada em vigor do acordo entre UE e Mercosul.

A União Europeia afirmou nesta sexta-feira (4) que as exportações de carne do Brasil para o bloco serão retomadas assim que o país demonstrar conformidade com os requisitos sanitários exigidos por Bruxelas.

    A declaração foi feita pelo porta-voz da Comissão Europeia para Comércio, Olof Gill, durante coletiva de imprensa, após o governo brasileiro ter ameaçado adotar medidas de reciprocidade caso as negociações com a UE não produzam resultados satisfatórios.

    "Continuaremos trabalhando em estreito contato com as autoridades brasileiras para permitir que elas garantam a conformidade com os requisitos. Uma vez demonstrada a conformidade, as exportações desses produtos do Brasil para a União Europeia poderão ser retomadas", disse Gill.

    O porta-voz destacou que o país sul-americano "é um importante parceiro estratégico para a UE, com o qual colaboramos de forma estreita, construtiva e positiva em todo o espectro de áreas políticas".

    "Nossa abordagem é proporcional e não discriminatória. Demos aos nossos parceiros tempo suficiente e todas as informações necessárias para se adequarem", afirmou.

    O bloco suspendeu as importações de carne bovina e aviária do Brasil, além de uma série de outros produtos de origem animal, como mel e tripas, na última quinta-feira (3), alegando descumprimento das normas europeias sobre uso de antimicrobianos e antibióticos.

    Uma auditoria europeia em produtores brasileiros, com foco em frango e mel, está em andamento e deve ser concluída nos próximos dias, mas a Comissão Europeia já sinalizou que os resultados podem demorar a ser divulgados.

    Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura do Brasil criticaram a suspensão e afirmaram que o governo "reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para assegurar condições equilibradas de comércio, inclusive às medidas de reciprocidade".

    A disputa acontece na esteira da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, em maio passado. As negociações para a assinatura do tratado se arrastaram por mais de 25 anos, sobretudo devido à resistência de produtores agropecuários e de países como França e Polônia.

    A UE proíbe o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento do gado e restringe a utilização de antibióticos reservados à medicina humana, de modo e conter a resistência de pacientes a esses medicamentos.

    O Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a União Europeia em 2025, com mais de 92 mil toneladas, totalizando US$ 825 milhões (R$ 4,2 bilhões). .

Ansa - Brasil
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