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Baixos níveis do rio Reno estão prejudicando a indústria alemã

12 ago 2026 - 09h43
(atualizado às 10h17)
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Empresas alemãs estão ‌relatando crescentes transtornos causados pelos níveis de água do Reno, que atingiram mínimas históricas, com produtores químicos, concessionárias de serviços públicos, siderúrgicas e comerciantes agrícolas alertando para o aumento dos custos, gargalos no transporte e redução da produção.

Embora a Alemanha ainda não tenha sofrido as interrupções generalizadas na produção observadas durante crises anteriores do Reno, comerciantes afirmaram ⁠na terça-feira que já não era mais possível agendar alguns embarques de carga após semanas ‌de seca, e as empresas vêm relatando cada vez mais problemas operacionais.

A empresa química Covestro afirmou que a falta de capacidade de transporte não pôde ser totalmente ‌compensada, apesar da transferência de volumes para caminhões e ‌trens sempre que possível, e declarou força maior para os polióis de poliéter ⁠fabricados em sua unidade de Dormagen, utilizados em colchões e no isolamento de geladeiras.

EMPRESAS ENFRENTAM CUSTOS DE FRETE MAIS ALTOS

O Reno é uma das principais artérias da Europa para o transporte de grãos, combustíveis, minerais e produtos manufaturados, mas suas águas rasas estão cada vez mais fazendo com que as empresas enfrentem custos de frete mais altos ‌e a falta de alternativas adequadas.

"Os sinais de alarme estão soando alto: os níveis extremamente ‌baixos de água estão levando ⁠cada vez mais ⁠a logística e as cadeias de abastecimento ao limite", disse Wolfgang Grosse Entrup, presidente-executivo da associação alemã ⁠da indústria química VCI, à Reuters.

A produção ‌no parque químico da rival ‌Evonik em Marl tem sido prejudicada pela redução das cargas, informou a empresa, sem divulgar mais detalhes.

A concessionária estatal Uniper, por sua vez, apontou para uma menor produção em suas usinas hidrelétricas na Alemanha, em sintonia com comentários semelhantes da ⁠rival local EnBW na semana passada.

A Salzgitter, segunda maior siderúrgica da Alemanha, disse que os baixos níveis do rio Reno a forçaram a transportar carvão por trem de Roterdã para sua divisão HKM.

"A situação atual mostra que precisamos dar mais atenção às vias navegáveis como parte de nossa infraestrutura ‌crítica de transporte", declarou Tim-Oliver Mueller, presidente da Federação Alemã da Indústria da Construção, à Reuters.

"Os baixos níveis de água não podem ser evitados."

Ele explicou que certos materiais ⁠de construção não podem ser facilmente transportados por rodovia ou ferrovia devido à falta de capacidade e aos grandes volumes, sendo necessários até 150 caminhões para substituir uma única barcaça.

Na empresa alemã de comercialização agrícola RWZ, a executiva Katharina Stelzer descreveu a perspectiva de os níveis do Reno caírem ainda mais como "catastrófica".

Stelzer disse que, em anos normais, a empresa costumava embarcar 50.000 toneladas ou mais de seus terminais fluviais nas cidades alemãs de Worms e Andernach nos meses de julho e agosto.

Segundo ela, a RWZ não chegou a embarcar nem 10% desse volume no período correspondente deste ano e estava mudando para o transporte por caminhão, mais caro.

"Se os níveis do Reno não se recuperarem em outubro, a situação ficará realmente difícil para nós", disse.

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