Bairro de Istambul se une em solidariedade a Cuba
Sensibilizados pela crise humanitária enfrentada pelos cubanos, moradores de um bairro de Istambul se organizam para enviar ajuda. É também uma forma de retribuir apoio médico dado por Cuba após o terremoto de 2023.A milhares de quilômetros de Cuba, a jornalista turca Zeynep Türkmen acompanha com preocupação a crise humanitária enfrentada pelo país. O bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos agravou as já precárias condições dos mais de 9 milhões de cubanos na ilha.
A escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos ameaça seriamente um país à beira do colapso, e o plano de ajuda humanitária da ONU e os carregamentos enviados por México, China, Belize e Colômbia buscam aliviar a situação da população.
Apesar da distância, Türkmen não quis ficar de braços cruzados. Comovida com essa realidade, decidiu prestar ajuda e engajou seus vizinhos de um bairro de Istambul.
Atendimento médico profissional
A jornalista tem uma conexão especial com Cuba. Em 2013, viajou pela primeira vez à ilha, interessada em conhecer a realidade local. Poucos dias após sua chegada, foi diagnosticada com uma grave hérnia de disco lombar e precisou ser submetida a uma cirurgia.
Para ela, foi surpreendente não ter que pagar nada pela operação, pelos tratamentos e pela reabilitação. Ela ficou impressionada com o atendimento e o profissionalismo da equipe hospitalar.
"Sempre senti que estou em dívida com Cuba porque eles devolveram minha saúde, que hoje é perfeita", relata. Mais tarde, fez novas viagens à ilha, fortaleceu os laços e continuou aprendendo espanhol.
Vínculos depois do terremoto de 2023
Muitos turcos mantêm um vínculo com Cuba devido ao apoio prestado após o devastador terremoto de 2023 na Turquia, que deixou mais de 50 mil mortos. Türkmen destaca que um grupo de 32 médicos cubanos participou do atendimento aos feridos.
"Não estou sozinha nisso. Queremos ajudar Cuba. Temos uma dívida histórica com o serviço médico deles, que sempre esteve conosco", afirma Türkmen.
Decidida a retribuir e colaborar dentro de suas possibilidades, em março ela convidou seus vizinhos e amigos a doar medicamentos para enviar a Cuba. A resposta foi imediata. Numa primeira coleta, eles conseguiram reunir cerca de 50 caixas de medicamentos e produtos de saúde.
"A situação atual em Cuba, apesar da distância, nos entristece, mas também nos motiva a agir", conta Özge Erdoğan Yeşilırmak, líder comunitária do bairro Atakent.
Jornada artística solidária
A iniciativa repercutiu entre líderes comunitários e se expandiu pela região. "Quando soubemos que Zeynep Türkmen, moradora do nosso bairro, estava em contato com o país amigo e liderando uma campanha de apoio, quisemos nos envolver de todo o coração. Organizamos reuniões, elaboramos juntos um plano de ação e começamos nosso trabalho", diz a líder comunitária de Atakent.
Juntos, criaram uma associação e organizaram uma jornada solidária que reuniu cerca de 500 pessoas em torno da arte, apresentações musicais e discursos de solidariedade. No evento, realizado em 7 de junho, foram arrecadados medicamentos, materiais escolares e recursos para painéis solares que podem abastecer hospitais onde houver urgência por uma fonte estável de eletricidade.
A essa iniciativa somou-se uma organização nacional de médicos, que também fará campanha para doar módulos fotovoltaicos e insumos de saúde.
"Devido ao prolongado bloqueio econômico contra Cuba, a população sofre graves privações e pobreza. Os cortes de energia, as dificuldades para acessar produtos de primeira necessidade e a piora das condições de vida tornam a solidariedade fundamental", afirma o diretor de cultura, arte e serviços sociais do distrito de Küçükçekmece, Deniz Gürbey. "Isso é um dever humanitário", afirma.
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