Autoridade do Pentágono fará briefing a aliados da Otan enquanto revisão levanta dúvidas
Diplomatas europeus buscam tranquilizar os Estados Unidos sobre o aumento de seus gastos em defesa durante reunião com o Pentágono nesta quinta-feira. O encontro ocorre em meio à incerteza gerada por uma revisão de Washington sobre o posicionamento de suas 80 mil tropas na Europa, sob pressão do governo Trump para que os aliados assumam a liderança de sua própria segurança e temores sobre o compromisso norte-americano com a Otan diante das ameaças da Rússia.
Diplomatas europeus de alto escalão buscarão tranquilizar o principal responsável pela política do Pentágono nesta quinta-feira de que estão ampliando seus esforços em defesa, em meio à incerteza sobre uma revisão dos EUA sobre suas forças na Europa e às preocupações com a Rússia, disseram autoridades à Reuters.
Washington anunciou, em junho, uma revisão de seis meses do posicionamento das tropas norte-americanas na Europa, enquanto o governo dos EUA pressiona para que a Europa assuma a responsabilidade principal pela defesa do continente e após o presidente Donald Trump expressar sua ira contra os europeus por não fazerem mais para ajudá-lo na guerra contra o Irã.
Desde que Trump reassumiu o cargo no ano passado, a Otan vem enfrentando uma pressão sem precedentes, com alguns membros preocupados de que Washington possa não estar totalmente comprometida com a aliança formada em 1949 com o objetivo principal de combater o risco de um ataque soviético à Europa Ocidental.
A revisão, liderada principalmente pelo subsecretário de Defesa para Políticas dos EUA, Elbridge Colby, alimentou questionamentos nas capitais europeias sobre os objetivos do governo norte-americano e se Washington está buscando usar o processo como uma consulta genuína, um gesto simbólico ou uma ferramenta de negociação.
"Não sabemos se se trata de um exercício real ou se uma decisão já foi tomada", disse uma autoridade europeia que, assim como outras entrevistadas para esta reportagem, falou sob condição de anonimato para discutir deliberações delicadas.
"O que queremos garantir é que os EUA entendam que podem contar com muitos aliados", disse a autoridade.
MENSAGEM DOS EUA
Espera-se que Colby faça um briefing aos embaixadores que representam os membros da Otan na sede da aliança em Bruxelas na quinta-feira.
"Os Estados Unidos estão consultando os aliados como parte de sua revisão da postura das forças", disse uma autoridade da Otan.
Atualmente, os EUA mantêm cerca de 80 mil soldados na Europa. Nos últimos meses, os EUA anunciaram retiradas de tropas e reduziram o contingente destinado aos planos de defesa da Otan.
Os governos europeus aguardam agora para ver se -- e onde -- a revisão levará a novas reduções, e autoridades afirmam que dois documentos distribuídos por Washington aos membros da Otan durante o verão levantaram novas questões sobre as intenções dos EUA.
Um documento de "termos de referência" listava entre os objetivos da revisão o aumento do acesso, do posicionamento de bases e das autorizações de sobrevoo no teatro europeu de operações, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto, além de incentivar e garantir que os aliados europeus assumam a liderança na defesa do continente.
Os países membros da Otan também receberam um questionário, visto pela Reuters, abordando temas que iam de gastos com defesa a estratégia, aquisições militares e apoio às prioridades da política externa dos Estados Unidos.
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