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Ativistas invadem canteiro de obras de data center da Microsoft, protestos se espalham pela Europa

Protestos que fazem parte de uma reação global crescente contra a rápida expansão da capacidade computacional necessária para a inteligência

6 nov 2026 - 10h54
(atualizado às 11h14)
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Resumo
Ativistas invadiram obras de um data center da Microsoft em Amsterdã, iniciando protestos em 16 países contra a rápida expansão da infraestrutura de IA. A coalizão Stop Dirty Data Centres pede a suspensão de grandes construções devido a impactos no fornecimento de energia e água, riscos climáticos e ameaças à segurança. Em contrapartida, empresas de tecnologia e a União Europeia defendem essas instalações como vitais para a inovação, apesar dos crescentes temores de regulação mais rígida.
Ativistas escalam uma cerca durante protesto contra a construção de um data center da Microsoft, em Amsterdã 6 de novembro de 2026
Ativistas escalam uma cerca durante protesto contra a construção de um data center da Microsoft, em Amsterdã 6 de novembro de 2026
Foto: REUTERS/Piroschka van de Wouw

Manifestantes invadiram o canteiro de obras de um data center ‌da Microsoft em Amsterdã nesta sexta-feira, 6, no início de dois dias de protestos que fazem parte de uma reação global crescente contra a rápida expansão da capacidade computacional necessária para a inteligência artificial.

Grupos ativistas anunciaram ações em 16 países nesta sexta-feira e no sábado, de acordo com a coalizão "Stop Dirty Data Centres", que está reunindo grupos ambientalistas e campanhas pelos direitos digitais em torno de apelos para suspender as construções em grande escala.

Em Amsterdã, nesta sexta-feira, ⁠mais de 100 ativistas se reuniram no canteiro de obras de um data center de IA da Microsoft , marchando de ‌braços dados antes de invadir o local, subir em guindastes, pendurar balões e dançar enquanto a polícia assistia passivamente. Alguns carregavam cartazes com mensagens como: "Dane-se seu data center".

A Pure Data Centres, proprietária do local, que planeja investir ‌mais de US$1 bilhão e conta com o apoio da Oaktree, de ‌propriedade da Brookfield, afirmou estar comprometida com o diálogo com as partes interessadas locais.

"Pedimos respeitosamente às pessoas ⁠que estão no local que saiam em segurança e dialoguem conosco sobre o projeto e quaisquer preocupações que possam ter", afirmou a empresa.

Outras ações planejadas incluem uma marcha em Dublin, um protesto em frente ao prédio do Parlamento em Varsóvia, na Polônia, e uma manifestação contra outro data center da Microsoft na Dinamarca.

A Microsoft afirmou compreender que as pessoas tenham opiniões fortes sobre o projeto e respeitar o direito delas de expressá-las pacificamente, mas não tolera ‌quaisquer ações ilegais.

PREOCUPAÇÃO COM IA PROVOCA QUEDA NO MERCADO DE AÇÕES

A resistência está crescendo da Espanha à Índia e nos ‌Estados Unidos, onde as ações do ⁠setor de tecnologia impulsionaram o ⁠que se tornou o segundo dia consecutivo de perdas acentuadas nos preços das ações nesta sexta-feira, devido à preocupação de que o ⁠controle democrata do Congresso norte-americano possa significar uma regulamentação mais ‌rígida, restringindo a expansão da IA.

Ativistas afirmam ‌que os data centers sobrecarregam o abastecimento de eletricidade e água, competem com o setor imobiliário e outras empresas por recursos escassos e ameaçam as metas climáticas. Eles também apontam para a perda de empregos e riscos potenciais à segurança pessoal e nacional decorrentes da concentração de poder por parte de empresas privadas ⁠e gigantes da tecnologia.

As empresas de tecnologia afirmam que os data centers são essenciais para atender à demanda global por inteligência artificial e computação em nuvem, além de fornecerem infraestrutura crítica para empresas, governos e consumidores.

A campanha "Stop Dirty Data Centres" afirma que não é contra o progresso nem defende o fechamento dos data centers existentes, mas sustenta que grandes obras devem ser suspensas até que os ‌governos estabeleçam regras mais claras.

A Europa está dividida entre sua ambição de alcançar os EUA e a Ásia em IA para impulsionar a produtividade e a necessidade de manter controles e proteções públicas que, em geral, são ⁠mais rigorosos.

Em entrevista à Reuters na quinta-feira, a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, disse que a Europa precisa de mais data centers para impulsionar o desenvolvimento da IA, embora tenha acrescentado que isso precisa ser feito com cautela.

"A IA, é claro, é uma tecnologia extremamente importante e precisamos ter nossa própria capacidade", disse Virkkunen, destacando os investimentos que estão sendo feitos na capacidade de fabricação de chips, em startups de IA e em um plano para construir Gigafábricas em toda a região.

No entanto, ela acrescentou: "É muito importante para os cidadãos poderem confiar que suas contas de energia não vão disparar e que não haverá apagões por causa dos data centers, nem que esses projetos estejam destruindo o meio ambiente."

Um projeto do Google na Finlândia enfrenta uma investigação criminal por causa do desmatamento de terras; a Itália e Portugal estão endurecendo as regulamentações ambientais para data centers; e a Microsoft desistiu de um projeto de data center no Reino Unido que sofreu atrasos na infraestrutura.

A Holanda tem cerca de 200 data centers planejados, em construção ou em operação.

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