Ataques de Israel e dos EUA contra o Irã desencadeiam reações internacionais e temor de expansão do conflito
As comunicações estão instáveis no Irã, onde o espaço aéreo foi suspenso
Após os ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra a capital iraniana, Teerã, neste sábado, 28, diversos países do Oriente Médio fecharam seu espaço aéreo por medo de que o conflito se espalhe pela região. O exército israelense relatou ter detectado mísseis iranianos lançados em retaliação e um homem ficou ferido. Uma base aérea americana foi atingida no Bahrein. Vários países reagiram à escalada de violência.
A televisão estatal iraniana noticiou três explosões, sem especificar a causa, enquanto jornalistas da AFP confirmaram detonações em Teerã e Isfahan.
O presidente Donald Trump indicou que os Estados Unidos estão conduzindo "grandes operações de combate" contra o Irã, além de sua participação na ofensiva israelense.
O Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvo dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel, segundo a televisão pública israelense.
As comunicações estão instáveis no Irã, onde o espaço aéreo foi suspenso. Sete mísseis caíram perto de edifícios oficiais, segundo a agência Tasnim. A imprensa estatal afirma que o presidente e o aiatolá estariam em segurança, após terem sido levados para um local protegido.
O Irã respondeu à ofensiva lançando mísseis e drones contra Israel, que fechou seu espaço aéreo e decretou estado de emergência. Sirenes soaram no norte do país. Escolas e prédios públicos em Jerusalém permanecem fechados.
Um homem foi ferido no norte de Israel e recebeu atendimento médico após mísseis disparados do Irã contra o país, anunciou a Magen David Adom, equivalente israelense da Cruz Vermelha. Equipes médicas de emergência e socorristas "inspecionaram diversos locais onde foram recebidos relatos e estão atualmente atendendo um homem de cerca de 50 anos que sofreu ferimentos leves em decorrência de uma explosão", afirmou a instituição em um comunicado.
Reações em cadeia
Emirados Árabes Unidos, Síria, Kuwait e Iraque também fecharam seu espaço aéreo. Aviões militares e mísseis vindos de Israel foram vistos atravessando o espaço aéreo iraquiano, em Bagdá.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram ter sido alvo "de um claro ataque com mísseis balísticos iranianos", que foram interceptados pela defesa aérea do país. Abu Dhabi acrescentou que "reserva-se totalmente o direito de responder", denunciando "uma escalada perigosa".
O Kuwait também interceptou mísseis detectados em seu espaço aéreo.
A Força Aérea da Jordânia anunciou que realiza exercícios militares para "proteger o espaço aéreo do reino". Dois mísseis balísticos que tinham como alvo o território jordaniano foram abatidos, informou um oficial militar. "Eles foram interceptados com sucesso pelos sistemas de defesa aérea jordanianos", disse a fonte.
Diversas explosões foram ouvidas em Doha, no Catar, neste sábado, onde o Ministério da Defesa anunciou ter interceptado vários ataques de mísseis contra o país. Explosões foram ouvidas no centro de Doha e perto da Base Aérea de Al-Udeid, a maior instalação militar dos EUA na região.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou que seu país não aceitará ser "arrastado" para o conflito com o Irã, em meio a temores de envolvimento do Hezbollah, grupo pró-Irã.
As companhias aéreas Air France, Swiss Air e Turkish Airlines cancelaram seus voos neste sábado para várias capitais do Oriente Médio. Em Berlim, uma célula de crise foi aberta para acompanhar os acontecimentos.
A diplomacia ucraniana declarou que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã foram resultado da "violência e das ações arbitrárias do regime iraniano, em particular o assassinato e a repressão de manifestantes pacíficos", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. Segundo Kiev, Teerã teve "todas as oportunidades para evitar um cenário violento". A Ucrânia expressou seu apoio "ao povo iraniano e ao seu legítimo desejo por segurança, liberdade e prosperidade".
Com RFI e AFP