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Ataque de EUA e Arábia Saudita a milícias pró-Irã deixa mortos no Iraque

A trégua observada nos últimos dias no Oriente Médio foi interrompida nesta quarta-feira (29), quando Estados Unidos e Arábia Saudita bombardearam posições de grupos pró-Irã no Iraque. Pelo menos 20 integrantes das Forças de Mobilização Popular morreram e 32 ficaram feridos. A ofensiva ocorreu após Washington anunciar a interceptação de mísseis iranianos e coincidiu com uma nova troca de ameaças envolvendo Teerã, Jordânia e aliados dos EUA na região.

29 jul 2026 - 07h10
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Pelo menos 20 integrantes das Forças de Mobilização Popular do Iraque, conhecidas como Hachd al-Chaabi, morreram e outros 32 ficaram feridos em bombardeios realizados por Estados Unidos e Arábia Saudita durante a madrugada desta quarta-feira (29). A ofensiva ocorreu poucas horas depois de Washington anunciar ter frustrado um ataque iraniano com mísseis balísticos contra tropas norte-americanas posicionadas no Oriente Médio e marca o retorno de confrontos diretos após vários dias de relativa calmaria na região.

O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que as operações tiveram como alvo grupos armados apoiados pelo Irã, responsabilizados por ataques recentes contra interesses norte-americanos e contra infraestruturas petrolíferas sauditas.

Segundo os militares norte-americanos, as forças iranianas lançaram múltiplos mísseis balísticos a partir do território iraniano contra posições dos EUA no Oriente Médio. O Centcom informou que os projéteis foram interceptados, mas não especificou os locais exatos que seriam atingidos.

Poucas horas depois, Estados Unidos e Arábia Saudita lançaram ataques coordenados contra posições de facções pró-Irã no Iraque. As Forças de Mobilização Popular confirmaram os bombardeios e informaram que ao menos 20 combatentes morreram e 32 ficaram feridos. Em comunicado, a organização classificou a ação como uma "agressão" norte-americana e saudita.

A coalizão também denunciou uma "escalada perigosa" contra instituições oficiais de segurança do Estado iraquiano.

Bases foram atingidas em várias províncias

Segundo o Hachd al-Chaabi, os ataques atingiram bases da organização em sete províncias iraquianas, incluindo Bagdá, Nínive, no norte do país, e Basra, no sul. Um dirigente da aliança afirmou que os episódios mais letais ocorreram nas províncias de Nínive e Diyala.

Além disso, fontes da organização indicaram que parte da ofensiva se concentrou em pontos do leste do Iraque apresentados por Washington e Riad como locais utilizados para o lançamento de drones.

As Forças de Mobilização Popular relataram danos materiais significativos nas instalações atingidas.

Criado em 2014 para combater o grupo Estado Islâmico, o Hachd al-Chaabi reúne dezenas de facções armadas majoritariamente xiitas.

Posteriormente, a estrutura foi incorporada formalmente às Forças Armadas do Iraque, embora algumas de suas facções mantenham ampla autonomia operacional e estreitas relações políticas e militares com Teerã.

Disputa entre Washington e Teerã volta ao centro da cena

A justificativa apresentada pelos governos norte-americano e saudita está relacionada aos ataques com drones denunciados por Riad.

Na terça-feira (28), a Arábia Saudita informou ter interceptado diversos drones que se dirigiam a instalações petrolíferas na Província Oriental, região estratégica para a produção de petróleo do país às margens do Golfo Pérsico. O porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Tourki al-Maliki, atribuiu a operação a milícias iraquianas alinhadas ao Irã. Os grupos acusados negaram envolvimento.

As facções mais próximas de Teerã atuam sob o guarda-chuva político-militar conhecido como Resistência Islâmica no Iraque. Durante a guerra regional iniciada neste ano, a aliança reivindicou centenas de ataques contra bases militares norte-americanas espalhadas pelo Iraque e por outros países do Oriente Médio.

Embora essas organizações tenham apoiado publicamente o Irã ao longo do conflito, elas não assumiram autoria pelos episódios que motivaram a ofensiva anunciada por Washington e Riad.

Jordânia entra no centro das tensões

A escalada ganhou uma nova dimensão nesta quarta-feira (29), quando o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia.

As Forças Armadas jordanianas responderam afirmando que seus sistemas de defesa aérea interceptaram cinco mísseis iranianos que tinham como alvo o território do reino.

A troca de acusações ampliou as preocupações sobre uma possível expansão geográfica do conflito.

Também nesta quarta-feira, um alto dirigente militar iraniano, sem ter o nome divulgado, afirmou à televisão estatal do país que a resposta norte-americana e saudita representa "um grave erro de cálculo" por parte de Washington e Riad. As declarações reforçam o endurecimento do discurso iraniano depois dos bombardeios realizados no Iraque.

Ao mesmo tempo, a atividade diplomática continuou intensa em diferentes capitais da região.

Iraque volta a enfrentar pressão crescente

A nova ofensiva ocorre em um momento particularmente delicado para o governo iraquiano. O primeiro-ministro Ali al-Zaïdi, que assumiu o cargo neste ano com apoio de Washington, prometeu avançar no desarmamento das facções pró-Irã que operam no país.

A proposta enfrenta resistência de grupos influentes que mantêm forte presença militar e política dentro da estrutura do Hachd al-Chaabi.

No início deste mês, Al-Zaïdi visitou tanto os Estados Unidos quanto o Irã, numa tentativa de preservar o equilíbrio diplomático entre dois parceiros fundamentais para Bagdá.

Historicamente, o Iraque tornou-se um dos principais palcos da rivalidade entre Washington e Teerã após a queda de Saddam Hussein, em 2003.

A nova rodada de ataques reforça o risco de que o país volte a ocupar uma posição central no confronto entre as duas potências, justamente quando os sinais de redução das hostilidades pareciam indicar uma possível estabilização da crise regional.

Com AFP

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