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Ásia

Enquanto população foge, forças paquistanesas invadem Swat

7 mai 2009 - 13h08
(atualizado às 13h17)
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Carlotta Gall

Do New York Times


Os moradores do vale de Swat estavam fugindo aos milhares, na terça-feira, enquanto o governo do Paquistão preparava o início de uma nova campanha militar contra os combatentes do Talibã, e um acordo de paz muito criticado com os insurgentes começava a se desmantelar.

Os moradores locais estavam embarcando em carros e ônibus e se encaminhando para o sul, depois que o governo lançou um alerta de que deveriam evacuar a região para escapar aos efeitos de uma ofensiva militar. No domingo, combatentes do Talibã, identificados por seus turbantes pretos, tomaram o controle de Mingora, a capital do distrito de Swat.

Desde então, as forças do Talibã e do governo vêm se responsabilizando mutuamente pelo fim do acordo, e trocando disparos de armas portáteis e pesadas. O Talibã se entrincheirou e minou as ruas da cidade, e está se preparando para o combate, dizem os moradores.

Duas semanas atrás, o Talibã utilizou o território cujo controle lhe foi praticamente entregue pelo acordo de paz para penetrar em mais um distrito, Buner, a apenas 100 km da capital paquistanesa, Islamabad, o que gerou apelos norte-americanos por medidas mais drásticas.

Uma nova operação em Swat pode significar que a postura mais dura que o governo norte-americano deseja foi adotada. Mas resta a questão de determinar se as forças armadas paquistanesas têm capacidade e vontade de sustentar operações contra os insurgentes, a maioria dos quais cidadãos do país.

O enviado especial dos Estados Unidos à região,. Richard Holbrooke, declarou na terça-feira que a situação no Paquistão era frágil, mas recebeu positivamente a decisão de ampliar as ações militares. "Até ontem, o ímpeto parecia estar nas mãos erradas", ele informou ao Congresso. "O exército iniciou uma forte ofensiva, agora. Teremos de esperar para ver o que acontece".

As forças armadas paquistanesas vinham combatendo os militantes de forma relutante, no passado, mas agora estão envolvidas em combates pesados contra o Talibã em dois outros distritos, Buner e Dir, que fazem fronteira com Swat, na província da Fronteira Noroeste.

São campanhas já bastante difíceis, mas a tarefa em Swat parece imensamente complicada, não menos porque as forças armadas se provaram incapazes de expulsar o Talibã da área em dois anos de constantes batalhas, antes que enfim acedessem à trégua decretada em fevereiro, permitindo que a lei islâmica fosse implementada no vale.

Mas a opinião pública paquistanesa sofreu uma forte virada adversa ao Talibã, desde então, e isso aparentemente deu mais confiança aos militares para ações de força.

Um recente vídeo que mostrava militantes do Talibã açoitando uma jovem em Swat, para impor sua versão da lei islâmica, chocou o país. O governo está empenhado em demonstrar seus esforços de conseguir que o acordo de paz funcionasse em Swat, enfatizando que havia concordado até em apontar para a região apenas juízes treinados na lei islâmica, ou Shariah.

Foi a incursão do Talibã a Buner, duas semanas atrás, que por fim consolidou o crescente consenso de que o Talibã havia passado dos limites e que os militares paquistaneses precisam agir para detê-lo.

A mídia, políticos e até mesmo líderes religiosos estão agora falando contra Maulana Sufi Muhammad, o principal negociador do acordo de Swat, e seu genro, o mulá Fazlullah, que têm conexões com o movimento Talibã, baseado nas regiões tribais paquistanesas e conectado à rede terrorista Al-Qaeda.

Os líderes do Partido Nacional Awami, que governa a província da Fronteira Noroeste, continuam a defender o acordo, que dizem ter sido crítico para afastar o povo local dos extremistas islâmicos.

O acordo se provou popular junto ao povo de Swat, que estava desesperado por paz. Cerca de meio milhão de pessoas estavam desabrigadas devido aos combates nas áreas tribais e na província da Fronteira Noroeste, nos últimos dois anos. Os fugitivos de Buner e Swat, muitos dos quais terão de se acomodar agora em campos de refugiados ou em casas de parentes em cidades como Mardan e Peshawar, criticaram as operações militares como excessivamente brutais.

Mas o Talibã revelou nos três últimos meses que não tem a intenção de pôr fim à sua insurgência no território do Paquistão em si. Também se tornou claro que Maulana Muhammad não tem controle sobre os militantes do movimento, dizem políticos.

"Agora estamos em vantagem", diz Saqib Chamkani, membro do Partido Nacional Awami e da assembléia provincial. "Provamos que os combates nada têm a ver com os tribunais e a Shariah". Mas as forças armadas continuam divididas quanto à questão, a união com o Paquistão continua impopular e alguns partidos religiosos ainda simpatizam com o Talibã.

The New York Times
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