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Ásia

Bordel atípico tenta sorte na indústria do sexo na Tailândia

31 mai 2011 - 10h00
(atualizado às 10h32)
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Fartas de serem exploradas por cafetões, um grupo de prostitutas desafiou a indústria do sexo na Tailândia com a experiência de um local administrado por elas mesmas para exercer seu ofício.

Prostitutas atendem no bar "Can Do", em Chiang Mai, administrado exclusivamente por mulheres
Prostitutas atendem no bar "Can Do", em Chiang Mai, administrado exclusivamente por mulheres
Foto: EFE

À primeira vista, o "Can Do" (Pode Ser) é idêntico aos outros bares com os quais compartilha um obscuro beco do bairro vermelho da cidade de Chiang Mai, cheio de luzes neon e garotas de programa na rua, como ocorre em outros locais similares em Bangcoc.

Mas poucos clientes estão sentados em torno das mesas, o volume da música é baixo, as garçonetes vestem camisetas e botas em vez de minissaias e salto alto, e conversam entre elas em uma mesa em vez de dançarem no queijo.

Essa é a nova filosofia implementada entre as trabalhadoras por Liz Hilton, a gerente do prostíbulo que chegou ao país há quase uma década para assessorar a Empower, uma ONG que luta pelos direitos das mulheres na Tailândia.

"Aqui acreditamos que o sexo é algo pessoal entre dois, três e outros adultos, não nos importa. Não é um assunto do bar, mas uma atividade íntima entre adultos com consentimento, e não devemos fazer negócio com isso", explica à agência EFE esta australiana sem papas na língua.

Liz ressalta que todas as empregadas do bar - tanto as fixas quanto as eventuais - trabalham no máximo oito horas por dia, contribuem para a seguridade social tailandesa e têm direito a um dia livre por semana e a duas semanas de férias remuneradas por ano.

As horas extras são voluntárias e, já que elas são as proprietárias, não impõem sanções por terminar antes a jornada para sair com algum cliente nem devem cumprir cotas de doses de bebida que elas têm de vender aos frequentadores, como em outros prostíbulos.

"Na maioria desses locais, os patrões estão à margem da lei, são mafiosos. Queremos nos dizer que é possível administrar um local de lazer assim na Tailândia sem violar nenhuma lei, sem explorar ninguém e ainda ter lucro", acrescenta a "madame" do Can Do.

Liz destaca ainda que seu bordel é o único de Chiang Mai que não suborna a Polícia: "Não é preciso, porque aqui não há prostituição. As nossas funcionárias são trabalhadoras sexuais com liberdade".

A participação no negócio elevou o poder aquisitivo das mulheres deste bar, um dos poucos que distribui gratuitamente preservativos entre os clientes para prevenir a transmissão de doenças como a aids.

O local também conta com equipes que protegem as funcionárias para impedir que sejam alvo de violência machista, uma praga da vida noturna tailandesa.

Lek, de 30 anos, começou a vender seu corpo há dez anos, quando se divorciou e não ganhava dinheiro suficiente para manter seus dois filhos.

"Trabalhava todas as noites e só tinha livre um dia no mês. Se ficavam doentes, não só não ganhavam como tinham de pagar. Mas aqui são oito horas e posso ir para casa com minhas crianças, não tenho de sair com ninguém que eu não queira", relata.

Outro caso é o de Pim, que deixou a pobreza de sua aldeia na fronteira com Mianmar com a esperança de ser cantora e terminou presa pelas redes da indústria sexual.

"Uma vez fiquei dois meses sem descanso e mesmo assim o dono do bar dizia que eu devia o dinheiro da roupa provocante que ele tinha comprado para mim", conta a jovem, que aprendeu a ler e a escrever na escola da Empower, em Bangcoc.

Pim conta que já não tem de preocupar-se com os homens que se negam a pagá-la por seus serviços.

Meia década após sua inauguração, a Can Do obteve lucro pela primeira vez este ano, "e esperam que continue assim no futuro", projeta Liz.

EFE   
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