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As 6 condições que o Irã impõe a Trump para reabrir o Estreito de Ormuz

Tanto o Irã quanto a Jordânia afirmaram que as negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz foram 'positivas'; mas agora Teerã apresentou aos EUA uma nova lista de exigências.

10 ago 2026 - 08h02
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Uma imagem gráfica representando um navio com um fundo composto pelas bandeiras do Irã e dos EUA.
Uma imagem gráfica representando um navio com um fundo composto pelas bandeiras do Irã e dos EUA.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Tanto o Irã quanto Omã afirmaram que as negociações sobre um novo acordo para gerenciar o tráfego através do estratégico Estreito de Ormuz têm sido "positivas" e estão em estágio avançado — o que gera esperanças de retomada do tráfego marítimo.

Nos últimos dias, as negociações têm se concentrado em uma possível nova rota através do estreito, cuja responsabilidade seria compartilhada entre o Irã e Omã.

Apesar das negociações com Omã, o Irã afirma que a reabertura do estreito dependerá de condições que o país impõe aos Estados Unidos.

Muitas dessas condições vão muito além de pontos do Memorando de Entendimento (MoU) entre Irã e EUA anunciado em 17 de junho, enquanto outras reiteram exigências agora condicionadas à reabertura da hidrovia.

Afinal: quais são essas condições? E os EUA conseguem cumpri-las?

Vista aérea do Estreito de Ormuz
Vista aérea do Estreito de Ormuz
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Em um comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB, o ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e atual assessor do Líder Supremo, Mohammad Bagher Zolghadr, alertou que os EUA precisam "corrigir" seu comportamento e atender a uma série de exigências. Segundo o comunicado, "corrigir o comportamento" significa o seguinte:

1. Nunca ameace o Irã com qualquer linguagem ou insulte os valores sagrados desta nação. O Irã afirma que os EUA devem parar de ameaçar o país e apresentar garantias de que não haverá novas ameaças. Essa é, em grande parte, uma exigência política e de segurança. Embora os cessar-fogos pressuponham implicitamente a contenção de ambos os lados, exigir publicamente garantias contra futuras ameaças parece ser uma condição estratégica mais ampla, e não algo explicitamente previsto nos termos do acordo provisório divulgado anteriormente.

2. Acabar de vez com a guerra e a agressão contra o Irã e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque. O Irã insiste na cessação das ações militares não apenas contra o próprio Irã, mas também contra seus aliados e grupos parceiros no Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque. O memorando de entendimento de junho mencionava "Todas as frentes, incluindo o Líbano" — o que especifica os outros países e, na prática, busca garantias de segurança regional mais amplas.

3. Levantar o bloqueio naval e retirar as forças (navais e aéreas) do entorno do Irã. Nos termos do memorando de entendimento EUA-Irã de junho, os EUA deveriam ter encerrado o bloqueio em 30 dias, mas isso não estava diretamente vinculado à reabertura do Estreito.

4. Pagar indenização integral pelos danos causados ao Irã em duas guerras de agressão. Isso se refere tanto à guerra de 12 dias em 2025 quanto à guerra mais recente. Esperava-se que os mecanismos de compensação fossem discutidos como parte de um acordo final após o memorando de entendimento de junho. No entanto, agora Teerã está vinculando publicamente a compensação diretamente à reabertura do Estreito de Ormuz.

5. Levantar as sanções "cruéis e ilegais" contra a nação iraniana. Um cronograma para o alívio das sanções já era esperado como parte das negociações para um acordo final. Portanto, o Irã não está introduzindo uma questão totalmente nova. O que é novo agora é a insistência de que o alívio das sanções esteja explicitamente vinculado à reabertura do estreito.

6. Liberar incondicionalmente os bens congelados e roubados do povo iraniano. Novamente, essa demanda não é nova. A liberação de ativos no exterior que foram bloqueados ou congelados já foi discutida anteriormente.

Um navio no horizonte navega pelas águas.
Um navio no horizonte navega pelas águas.
Foto: Elke Scholiers/Getty Images / BBC News Brasil

As seis condições ampliam os termos que o Irã agora afirma serem necessários para que o estreito possa ser reaberto.

O analista da BBC para o Oriente Médio Sebastian Usher afirma que isso marca um endurecimento da posição do Irã: "Essas são condições que já existiam como parte do acordo-quadro do Memorando de Entendimento... mas o momento e o mecanismo parecem muito diferentes".

Ele diz que Teerã pode sentir que tem uma posição mais forte porque o Estreito de Ormuz "ainda está essencialmente fechado".

No entanto, em entrevista à BBC, Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute, um centro de estudos americano de política externa, disse acreditar que os próprios iranianos sabem que essas posições são exageradas e que provavelmente irão recuar em algumas delas.

"O que foi apresentado publicamente não é necessariamente o que se reflete na mesa de negociações", afirma ele.

Militares americanos a bordo do navio de assalto anfíbio USS Boxer observam um caça americano em voo. Foto de arquivo.
Militares americanos a bordo do navio de assalto anfíbio USS Boxer observam um caça americano em voo. Foto de arquivo.
Foto: US Central Command / X / BBC News Brasil

Parsi também sugere que isso poderia ser uma tática de negociação: "Pode ser facilmente que eles estejam apenas tentando prolongar esse processo".

Ele afirma que muitos dos integrantes linha-dura do regime acreditam que o Irã foi apressado demais ao concordar com o memorando de entendimento em junho.

O acordo, porém, durou apenas alguns dias antes de ruir, com ataques recíprocos recomeçando poucos dias após sua assinatura.

Parsi afirma que algumas pessoas no Irã argumentam que, se as negociações tivessem sido prolongadas — aumentando ainda mais os preços do petróleo e, consequentemente, causando mais prejuízos à economia global —, o presidente americano Donald Trump talvez não tivesse sido tão rápido em ordenar ataques contra alvos iranianos. Aparentemente, esse não é um "erro" que o Irã esteja disposto a cometer novamente.

Apesar disso, ele ainda prevê que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderá ser alcançado em poucos dias.

Aqueles que aguardam navios ou acompanham o preço do petróleo esperam que ele esteja certo.

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