Armênia e Azerbaijão declaram cessar-fogo em Nagorno-Karabakh
Apesar de acordo, ambos os países se acusam de violação
Entrou em vigor neste sábado (10) o cessar-fogo acordado pela Armênia e pelo Azerbaijão no enclave separatista de Nagorno-Karabakh, com o objetivo de encerrar cerca de duas semanas de intensos confrontos.
A trégua teve início a partir do meio-dia (horário local) e foi marcada por uma sirene. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, após uma maratona de negociações diplomáticas entre os dois países.
Em comunicado, o chefe da diplomacia russa explicou que ambos se comprometeram a iniciar "negociações substantivas com o objetivo de alcançar uma solução pacífica o mais rápido possível".
Lavrov ainda ressaltou que as conversas serão mediadas pelo grupo de negociadores internacionais de Minsk.
O governo italiano também comemorou o acordo de cessar-fogo. "Agradecemos o compromisso simultâneo das partes em promover negociações substantivas para a resolução do conflito. Reiteramos a impossibilidade de uma solução para o conflito pelas armas e renovamos nosso apelo às partes para que retomem rapidamente as negociações", disse o Ministério das Relações da Itália em comunicado.
Apesar do acordo, as forças armadas da Armênia e do Azerbaijão se acusaram mutuamente de violar a trégua em Nagorno-Karabakh.
Segundo o Ministério da Defesa armênio, as tropas do Azerbaijão lançaram um ataque a Larakhanbeyli, às 12h05". Já os azeris acusam a Armênia de bombardear os distritos de Terter e Agdam.
- O conflito atual:
Desde o dia 27 de setembro, os separatistas armênios e o governo do Azerbaijão se atacam mutuamente na região de Nagorno-Karabakh. No entanto, até hoje, não se sabe quem começou com os bombardeios e nem os motivos dessa nova luta, que já deixou mais de 350 mortos entre separatistas, militares e civis.
A guerra na localidade ocorre desde o fim da década de 1980, quando a União Soviética chegou ao fim.
Os moradores de Nagorno-Karabakh, que têm origem armênia, optaram por se separar do recém-criado Azerbaijão, mas a decisão não foi acolhida nem pelos soviéticos nem pelos azeris. Até o início dos anos 1990, o conflito armado separatista chegou a causar quase 30 mil mortes. Em 1992, através da atuação do Grupo de Minsk, o combate armado cessou, mas a situação continuou indefinida.
Ataques pontuais são comumente registrados, mas sem a proporção do conflito deste ano. O governo armênio apoia os separatistas e chegou a dizer que reconheceria Nagorno-Karabakh como um país independente. Por outro lado, o Azerbaijão diz que só retira suas tropas se os armênios deixarem a região. .