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Aos 100 anos, último procurador de Nuremberg ainda anseia por justiça

19 nov 2020
15h43
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Setenta e cinco anos depois dos Julgamentos de Nuremberg, o último procurador a processar criminosos de guerra nazistas por trás de alguns dos piores crimes da história está com 100 anos e divulgou uma mensagem às novas gerações sobre o flagelo do conflito e da repressão.

Local destinado aos acusados durante os Julgamentos de Nuremberg
1945
 US National Archives/via REUTERS
Local destinado aos acusados durante os Julgamentos de Nuremberg 1945 US National Archives/via REUTERS
Foto: Reuters

Benjamin Ferencz tinha 25 anos e era soldado dos Estados Unidos quando, nos dias finais da Segunda Guerra Mundial, foi encarregado de coletar indícios sobre os crimes de guerra cometidos pela Alemanha de Adolf Hitler.

Mais tarde, Ferencz se tornou procurador do tribunal militar dos EUA em Nuremberg, no sul da Alemanha, garantindo as condenações de 22 membros dos Einsatzgruppen -- esquadrões da morte paramilitares que massacraram mais de 1 milhão de pessoas, na maioria judeus, em toda a Europa ocupada.

"Há muito poucas pessoas que viram o que eu vi", disse ele em sua casa em Delray Beach, na Flórida.

"Meu trabalho era entrar nos campos de concentração à medida que eram libertados, com os cadáveres espalhados pelo chão e corpos esperando para serem incineradas porque o crematório estava superlotado".

Hoje os julgamentos são vistos como precursores de cortes como o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, que processa políticos e soldados por crimes contra a humanidade -- embora com resultados variáveis.

Ferencz passou décadas pleiteando a criação do TPI e fez um pronunciamento de encerramento na conclusão de seu primeiro caso histórico contra o déspota congolês Thomas Lubanga em 2012.

"Leve seu caso a um tribunal justo e deixe que decidam o que é certo e o que é errado", disse ele na quarta-feira. "Assim você se poupa de matar muitas pessoas inocentes".

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