Após ultimato, Trump anuncia cessar-fogo de 2 semanas com Irã
Trégua valerá para todos os atores do conflito no Oriente Médio
Após ter ameaçado eliminar uma "civilização inteira", o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira (7) a suspensão dos ataques contra o Irã por duas semanas, desde que a República Islâmica garanta a reabertura "completa e imediata" do Estreito de Ormuz.
A decisão foi divulgada pelo republicano pouco antes do fim do prazo dado por ele a Teerã no último domingo (5), que se encerrava às 21h (horário de Brasília) desta terça, e já provoca efeitos positivos nos preços do petróleo.
"Com base nas conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã nesta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concorde com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral!", escreveu Trump na plataforma Truth Social.
"O motivo para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito próximos de um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio", acrescentou o presidente.
Segundo Trump, os EUA receberam uma proposta iraniana baseada em 10 pontos, que "constitui uma base viável para as negociações". O envio dessa contraoferta já havia sido sinalizado por Teerã na última segunda-feira (6), antes de o presidente ameaçar dizimar a civilização iraniana.
"Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acertados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado. Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma resolução", concluiu.
Em publicação no X, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, explicou que a navegação pelo Estreito de Ormuz será feita "mediante coordenação com as Forças Armadas e levando em conta as limitações técnicas". "Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas Forças Armadas interromperão suas operações defensivas", salientou. Por sua vez, a TV estatal da República Islâmica falou em uma "humilhante retirada de Trump".
De acordo com o Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã, o plano de 10 pontos citado pelo presidente dos EUA prevê autorização para o país enriquecer urânio e a remoção das sanções internacionais, bem como a retirada das tropas americanas no Oriente Médio e a liberação dos ativos iranianos congelados.
Cessar-fogo total
Segundo o governo do Paquistão, que mediou as tratativas, o cessar-fogo valerá em todos os palcos do conflito no Oriente Médio, incluindo o Líbano. "Estou feliz em anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, acertaram um cessar-fogo em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato", escreveu no X o premiê paquistanês, Shehbaz Sharif.
Já a imprensa israelense, citando fontes de alto escalão do governo do premiê Benjamin Netanyahu, afirmou que as autoridades do país foram pegas "de surpresa" pelo anúncio de Trump, mas respeitarão a trégua.
Uma primeira rodada de negociações entre EUA e Irã para um acordo definitivo está previsto para a próxima sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão. Enquanto isso, os preços do petróleo já começaram a despencar, com o WTI caindo 18%, para US$ 93,03 o barril.
A guerra no Oriente Médio foi deflagrada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã, que reagiu bombardeando países da região que abrigam bases militares americanas, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Dois dias depois, o grupo xiita Hezbollah, apoiado e financiado por Teerã, disparou mísseis contra o território israelense, arrastando o Líbano para o conflito. A guerra custou as vidas das principais lideranças do Irã, como o líder supremo Ali Khamenei, substituído por seu próprio filho, Mojtaba Khamenei, que segue escondido depois de ter sido ferido em um bombardeio.
Estima-se que mais de 3 mil pessoas tenham morrido no país persa, incluindo cerca de 160 crianças assassinadas em um ataque atribuído aos EUA contra uma escola infantil em Minab, perto da costa do Estreito de Ormuz.