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ANÁLISE-Irã desafia Trump e alça Mojtaba, filho de Khamenei, a sucessor

8 mar 2026 - 19h35
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A liderança clerical do Irã escolheu o confronto ‌em vez da concessão ao nomear Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, uma medida que autoridades regionais dizem ser uma repreensão direta ao presidente dos EUA, Donald Trump, que havia declarado Mojtaba como "inaceitável".

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque promovido pelos EUA e Israel no início do conflito, agora em sua segunda semana.

A indicação de Mojtaba como seu sucessor pela Assembleia de Especialistas mantém a linha dura ⁠iraniana firmemente no controle de Teerã -- uma aposta que pode remodelar a guerra do Irã com os EUA e ‌Israel e repercutir muito além do Oriente Médio.

"Colocar Mojtaba no comando é a mesma cartilha", disse Alex Vatanka, membro sênior do Middle East Institute.

"É uma grande humilhação para os EUA, realizar uma operação dessa escala, arriscar ‌tanto e acabar matando um homem de 86 anos, apenas para que ‌ele seja substituído por seu filho linha-dura."

No complexo sistema teocrático do Irã, o líder supremo é ⁠a autoridade máxima, inclusive sobre a política externa e o programa nuclear do Irã, além de orientar o presidente e o Parlamento eleitos.

ESCOLHA COLOCA O IRÃ NO CAMINHO DE MAIS CONFRONTOS

Analistas afirmam que a escolha de Mojtaba, um clérigo profundamente linha-dura cuja esposa, mãe e outros familiares também foram mortos em ataques israelenses e norte-americanos, envia uma mensagem inequívoca: a liderança do Irã rejeitou qualquer perspectiva de concessão para preservar o sistema e não vê ‌outro caminho a não ser o confronto, a vingança e a resistência.

De acordo com fontes internas, Mojtaba enfrentará imensa ‌pressão interna e externa de uma ⁠população descontente e de um ⁠conflito crescente, mas espera-se que ele aja rapidamente para consolidar o poder.

Isso provavelmente significará uma autoridade ampliada para a Guarda Revolucionária ⁠Islâmica, controles internos mais rígidos e repressão abrangente para esmagar ‌a dissidência.

"O mundo sentirá falta da era ‌de seu pai", disse à Reuters uma autoridade regional próxima a Teerã. "Mojtaba não terá escolha a não ser mostrar um punho de ferro... mesmo que a guerra termine, haverá uma severa repressão interna."

Essa postura ocorre após meses de profunda agitação interna -- a mais sangrenta desde a Revolução Islâmica de 1979 -- que ⁠já havia enfraquecido a República Islâmica antes do início da guerra.

O Irã vinha lutando com uma economia abalada, inflação crescente, colapso da moeda e aumento da pobreza, além de uma repressão mais rígida que alimentou a raiva e os protestos públicos, pressões que agora provavelmente se intensificarão sob o domínio da guerra.

DIAS SOMBRIOS PELA FRENTE

Dias difíceis estão por vir sob o comando de Mojtaba, com ‌controles internos muito mais rígidos, pressão intensificada no país e uma postura ainda mais agressiva e hostil no exterior, disse outra pessoa de dentro do Irã familiarizada com a situação no local.

Paul Salem, membro sênior ⁠do Middle East Institute, disse que Mojtaba não é uma figura posicionada para fechar um acordo com os EUA ou promover uma guinada diplomática.

"Ninguém que está surgindo agora será capaz de fazer concessões", disse Salem. "Essa é uma escolha de linha dura, feita em um momento de linha dura."

Aos olhos dos clérigos do Irã, muitos dos quais rotulam os EUA como o "Grande Satã", o assassinato de Khamenei, a mais alta autoridade religiosa da República Islâmica, elevou-o ao "martírio".

Os clérigos classificaram o líder morto como uma figura heroica, comparando-o ao Imam Hussein, o símbolo xiita do sacrifício e da resistência contra a opressão.

"Mojtaba é ainda pior e mais linha-dura do que seu pai", disse Alan Eyre, ex-diplomata dos EUA e especialista em Irã, acrescentando que ele era o candidato preferido dos Guardas. "Ele terá muita vingança para realizar."

Esse cálculo traz riscos. Israel alertou que qualquer sucessor de Khamenei também seria um alvo, enquanto Trump disse que a guerra só pode terminar quando a liderança militar e a elite governante do Irã forem eliminadas.

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