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América Latina

Trump recua e reduz tarifas sobre importações agrícolas, beneficiando produtos brasileiros

Pressionado a reduzir o custo de vida dos americanos, o presidente Donald Trump decretou nesta sexta-feira (14) a redução de 10% nas tarifas dos Estados Unidos sobre importações agrícolas. A lista inclui cerca de 200 itens, como carne bovina, bananas, café e tomates, exportados pelo Brasil.

15 nov 2025 - 08h03
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O decreto presidencial determina que alguns produtos agrícolas ficarão isentos da tarifa "recíproca" imposta em abril. A decisão foi tomada após análise de fatores como a capacidade de produção nacional. Na lista publicada pela Casa Branca estão produtos que os Estados Unidos não cultivam ou produzem em quantidades muito pequenas em relação à demanda interna. Café, chá, abacate, tomate, manga, abacaxi, banana, coco e carne bovina, entre outros, ficarão isentos da sobretaxa de 10%.

O presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, em 13 de novembro de 2025.
O presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, em 13 de novembro de 2025.
Foto: Getty Images via AFP - ANNA MONEYMAKER / RFI

Em 2 de abril, um decreto de Trump modificou substancialmente a política comercial americana, impondo tarifas alfandegárias mínimas de 10%. O presidente justificou a medida alegando que o déficit comercial representava "uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos", segundo comunicado da Casa Branca.

Além dessa tarifa mínima, foram aplicadas sobretaxas específicas a países e produtos. No caso do Brasil, o tarifaço chegou a 50%.

O Tesouro americano passou a arrecadar valores significativos com as tarifas adicionais. Ao mesmo tempo, o tarifaço provocou inflação e pressionou os preços no mercado interno, gerando descontentamento entre os consumidores. O preço do café, por exemplo, subiu 20% em agosto e setembro.

Como consequência, após uma primeira revisão em 5 de setembro, Trump se viu obrigado a reduzir novamente as tarifas.

Negociações com o Brasil

Na quinta-feira (13), os Estados Unidos já haviam anunciado acordos tarifários para reorganizar sua política comercial com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala. Os países latino-americanos são importantes produtores de insumos como café, carne bovina e frutas.

Também na quinta-feira, o chanceler brasileiro Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado americano Marco Rubio para discutir o tarifaço de 50% sobre importações brasileiras e a relação comercial bilateral. Vieira informou que os dois países avançam em um acordo provisório. O encontro ocorreu à margem da cúpula do G7, no Canadá.

Com a redução de 10% anunciada na sexta, as sobretaxas sobre vários produtos brasileiros permanecem em 40%. Após assinar o decreto, Trump afirmou acreditar que novos cortes não serão necessários, frustrando negociadores brasileiros. Desde o encontro presencial entre Lula e Trump na Malásia, em outubro, o Brasil — principal produtor mundial de café e carne bovina — tenta negociar uma redução muito mais significativa das tarifas.

Alta do custo de vida preocupa americanos

O custo de vida aparece nas pesquisas de opinião como uma das principais preocupações dos americanos.

Após o decreto desta sexta-feira, o presidente da Associação Nacional do Café dos Estados Unidos, Bill Murray, afirmou em comunicado que a decisão de reduzir as tarifas vai "suavizar a pressão do custo de vida para dois terços da população adulta americana que consome café todos os dias".

O governo Trump reconheceu as preocupações com o custo de vida enfrentadas pelos americanos. O descontentamento contribuiu, em parte, para a derrota eleitoral dos republicanos nas eleições para governador em Nova Jersey e Virgínia e para prefeito de Nova York.

Além da redução das tarifas, Trump anunciou, há uma semana, uma investigação sobre práticas dos frigoríficos. O presidente acusa essas empresas de conspirar para fixar preços. Segundo os últimos dados oficiais disponíveis, a carne bovina aumentou quase 15% em setembro.

Em relatório recente, a Farm Bureau, que é a principal organização agrícola dos Estados Unidos, atribui os preços recordes à significativa redução do número de cabeças de gado nos últimos anos (a menor em 74 anos), somada à demanda consistentemente alta.

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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