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América Latina

Trump enfrenta pressão interna após ataques contra navios venezuelanos e bloqueio de petroleiros

O presidente americano, Donald Trump, anunciou na terça-feira (16) um bloqueio a petroleiros venezuelanos sob sanção dos EUA, embora as ações do governo na região sejam alvo de críticas internas. Vários parlamentares, inclusive republicanos, denunciam que a ação é um novo passo em direção a uma guerra, sem autorização do Congresso.

17 dez 2025 - 07h09
(atualizado às 07h36)
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"O presidente americano pretende impor de maneira absolutamente irracional um suposto bloqueio militar naval à Venezuela com o objetivo de roubar as riquezas que pertencem à nossa pátria", protestou o governo venezuelano em comunicado.

Trump anunciou o bloqueio em sua plataforma Truth Social nesta terça. "Hoje determino O BLOQUEIO TOTAL E COMPLETO DE TODOS OS PETROLEIROS SANCIONADOS que entram e saem da Venezuela", escreveu Trump. Segundo ele, o destacamento naval no mar do Caribe vai aumentar até a Venezuela devolver "aos Estados Unidos da América todo o petróleo, a terra e outros ativos roubados dos EUA".

No Congresso, cresce a pressão sobre Trump, mesmo entre aliados republicanos. Funcionários do alto escalão do presidente foram submetidos a interrogatórios sobre os ataques que ocorrem há mais de três meses contra navios venezuelanos.

"Combater o narcotráfico"

Os Estados Unidos enviaram em agosto uma flotilha para atuar no mar do Caribe e no Pacífico Oriental, liderada pelo maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, para "combater o narcotráfico". Vários parlamentares denunciam as ações do governo, sem autorização do Congresso, que também busca estabelecer com precisão as circunstâncias do ataque americano à região em 2 de setembro.

O navio atacado pertencia ao grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua, designado como organização terrorista pelo governo americano. A ação resultou na morte de 11 pessoas a bordo, em circunstâncias questionáveis. Segundo a Casa Branca, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, autorizou o almirante Frank Bradley, chefe das operações especiais do Exército, a disparar contra os náufragos.

Membros da ala republicana criticam abertamente a ação americana. Em entrevista à CNN, o senador Rand Paul acusou o secretário da Defesa de ter "mentido" ou demonstrado "incompetência" no ataque.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, está sob pressão, e uma CPI sobre a operação não está descartada. A Constituição dos Estados Unidos determina que só o Congresso tem o direito de declarar guerra contra outro país. A campanha militar dos EUA já matou quase cem pessoas em águas do Caribe e do Pacífico e o governo Trump deslocou entre 12 mil e 16 mil soldados para a região.

Funcionários do alto escalão do Pentágono, incluindo Bradley, participaram de audiências sobre o ataque a portas fechadas. Em novembro, o Senado americano barrou uma resolução que buscava impedir Trump de dar continuidade aos ataques sem autorização do Congresso, mas a medida foi rejeitada por 51 votos a 49.

Apenas dois republicanos se juntaram aos democratas em apoio à proposta, que pretendia ainda reforçar os limites do poder presidencial para iniciar ações militares. Entre os democratas, a crítica é direta e vários parlamentares denunciam uma escalada militar.

Caso Chevron

Washington interceptou e apreendeu em 10 de dezembro um navio sancionado pelo Departamento do Tesouro que havia acabado de sair da Venezuela carregado de petróleo. Os Estados Unidos ficaram com a embarcação e o combustível, o que o governo do presidente Nicolás Maduro classificou como "roubo descarado".

Washington anunciou sanções contra seis empresas do setor de transporte de petróleo e seis navios-tanque. Caracas produz atualmente cerca de 930 mil barris diários, e a maior parte de suas exportações vai para a China.

A relação entre Washington e Caracas é ambígua. O governo Trump renovou, ainda que com alterações, a licença que o governo de Joe Biden concedeu à empresa Chevron para operar na Venezuela. A Chevron extrai e vende petróleo bruto no país graças a esse acordo, e isso faz com que parte da produção venezuelana não seja submetida a sanções.

A empresa representa 10% da produção nacional da Venezuela, graças a uma joint venture com a estatal PDVSA. Mas, após as mudanças na licença introduzidas pelo governo Trump, a Chevron pode exportar agora apenas os 50% que correspondem nessa parceria, e os outros 50% a Venezuela tem de tentar exportar por conta própria.

Espaço aéreo

Nesta terça, Trump também renovou o alerta para as companhias aéreas que operam no espaço aéreo venezuelano. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) americana instou as aeronaves a "agir com cautela" no céu venezuelano devido à "piora da situação de segurança e ao aumento da atividade militar".

A companhia panamenha Copa anunciou nesta quarta-feira (17) que estendeu até 15 de janeiro a suspensão de seus voos com origem e destino em Caracas.

Com agências

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