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América Latina

México tenta se recuperar de onda de violência, mas discurso tranquilizador do governo não convence

O México busca retomar a normalidade nesta terça-feira (24), após as violências que tomaram conta de várias regiões do país e deixaram 75 mortos devido à morte de Nemesio Oseguera, líder do cartel Jalisco Nueva Generación, no domingo (22). O governo tenta acalmar a população, mas o discurso tranquilizador da presidente Claudia Sheinbaum é visto com ceticismo pela população.

24 fev 2026 - 14h12
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Gwendolina Duval, correspondente da RFI em Guadalajara e agências 

Cerca de dez mil soldados foram mobilizados em várias regiões e enviados principalmente para Jalisco. Foi neste estado no oeste do México que, no domingo, agentes de segurança capturaram Oseguera, conhecido como "El Mencho", com ajuda dos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

A operação resultou na morte do narcotraficante mexicano mais procurado dos últimos tempos, por quem Washington oferecia US$ 15 milhões (R$ 78 milhões). Oseguera, de 59 anos, ficou ferido no confronto com militares na localidade de Tapalpa e morreu durante seu traslado aéreo para um hospital. Sua morte desencadeou uma resposta violenta do cartel, que bloqueou rodovias, incendiou veículos, atacou postos de gasolina, comércios e bancos e enfrentou as autoridades em 20 dos 32 estados do país. 

Guadalajara, capital de Jalisco, ficou paralisada pelas ações dos narcotraficantes. Nesta terça-feira, a maior parte dos moradores continua limitando seus deslocamentos, enquanto o transporte público é retomado gradualmente. As instituições de ensino permanecem fechadas. Na Universidade de Guadalajara, as aulas estão sendo realizadas online.

Caos no aeroporto

No aeroporto de Guadalajara, o clima é de caos. Embora parte dos voos tenha sido retomada na tarde de segunda‑feira, muitos continuam cancelados ou atrasados.

Em entrevista à RFI, Julia, uma turista americana, diz esperar conseguir voltar para a Califórnia depois de uma noite passada na capital de Jalisco. "Muita gente dormiu no aeroporto. Havia pessoas deitadas por toda parte no chão por causa dos voos suspensos", conta. 

A mexicana Thalia, do Estado de Sinaloa, no noroeste, estava em Guadalajara a trabalho, e foi surpreendida pelas medidas de segurança. "Tudo fechou. Não havia mais nada aberto. O hotel obedeceu às recomendações e nos confinou. Meu voo foi remarcado para hoje e está atrasado, mas pelo menos vou conseguir ir embora", diz. 

Segundo as autoridades, não há mais bloqueios nas rodovias federais, mas alguns relatos mencionam incidentes na estrada entre Guadalajara e a cidade litorânea de Puerto Vallarta. 

Discurso tranquilizador

O governo mexicano garante que a situação está sob controle. A presidente, Claudia Sheinbaum, afirmou que sua prioridade é "proteger toda a população". No entanto, o discurso não convence parte da população.

"Está tranquilo, mas não quero sair ainda", disse à AFP Serafín Hernández, um caminhoneiro de Morelia, no oeste do país, que afirmou temer que incendiassem seu veículo.

"Temos medo, eu acho que toda a sociedade", especialmente "quem vai ao trabalho", acrescentou Ángel González, um taxista de 45 anos da mesma localidade.

Muitos questionam se Guadalajara, uma das três sedes mexicanas da próxima Copa do Mundo de futebol, conseguirá realizar quatro partidas em junho e acolher os milhares de visitantes que irão assisti-las. Sheinbaum afirmou nesta terça‑feira que não há "nenhum risco" para os torcedores e que todas as condições de segurança estão garantidas.

Segundo o governo do Estado de Jalisco, as atividades econômicas serão completamente retomadas nesta terça‑feira. Já as escolas reabrirão na quarta (25). 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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