Mais de mil humanitários mortos em três anos: ONU denuncia 'sintoma de um mundo sem lei'
Pelo menos 326 trabalhadores humanitários foram mortos em todo o mundo em 2025, e mais de mil nos últimos três anos, anunciou nesta quarta-feira (8) o chefe das operações humanitárias da ONU, ao denunciar o que classificou como um "sintoma de um mundo sem lei".
"Em 2025, pelo menos 326 trabalhadores humanitários foram mortos em 21 países, elevando para mais de 1.010 o número total de mortes em três anos", afirmou Tom Fletcher durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a proteção de civis em conflitos armados.
"Isso não é uma escalada acidental; é o colapso da proteção", denunciou, ao condenar os obstáculos à ajuda humanitária.
O número de trabalhadores humanitários mortos em 2025 é inferior ao recorde registrado em 2024, quando 383 pessoas perderam a vida.
Gaza concentra mais mortes
Segundo Fletcher, o total de mortes nos últimos três anos representa quase o triplo das registradas no triênio anterior. Ele especificou que a maioria dos casos ocorreu em Gaza e na Cisjordânia, com 560 mortos, seguidos pelo Sudão, com 130, pelo Sudão do Sul, com 60, pela Ucrânia, com 25, e pela República Democrática do Congo, também com 25.
"Essas tendências, somadas ao colapso do financiamento do nosso trabalho vital, são um sintoma de um mundo sem lei, beligerante, egoísta e violento. Matar trabalhadores humanitários faz parte de um ataque mais amplo à Carta da ONU e ao direito internacional humanitário", declarou Tom Fletcher.
"Portanto, em nome desses mais de mil trabalhadores humanitários que morreram e de suas famílias, perguntamos: por quê?", questionou o executivo da ONU. "Será porque o direito internacional humanitário, criado por uma geração de líderes políticos mais sábios justamente para antecipar um momento como este, já não é considerado viável? Ou será porque aqueles que nos matam não são responsabilizados por seus atos?", prosseguiu. "Será ainda porque os Estados-membros consideram essas pessoas como danos colaterais, parte da névoa da guerra? Ou, pior, será que agora somos vistos como alvos legítimos?", perguntou aos membros do Conselho de Segurança.
Com AFP