"Homem forte" da Patrulha de Fronteira perde função após morte de manifestante anti-ICE em Minneapolis
O chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, Gregory Bovino, foi removido do cargo de "comandante-geral" da agência e deve deixar Minneapolis e retornar à Califórnia. Bovino havia se tornado o rosto das operações do ICE desde o início da aplicação da política de deportações em massa.
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
A informação de que ele deixará o cargo foi publicada nesta segunda-feira (26) pela revista The Atlantic, com base em informações fornecidas por um funcionário do Departamento de Segurança Interna (DHS) e duas outras pessoas com conhecimento direto da decisão.
A mudança ocorre em meio à forte repercussão política que a administração Trump está sofrendo após a morte de Alex Pretti, morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira em Minneapolis no fim de semana. A decisão veio dois dias depois de Bovino afirmar, sem apresentar provas, que Pretti estaria planejando um "massacre" contra forças de segurança.
O episódio parece ter forçado o governo americano a reavaliar sua estratégia de repressão a protestos ligados à política migratória. Em menos de 48 horas desde a morte de Pretti, Washington foi tomada por um ambiente de acusações, disputas internas e tentativas de contenção de danos.
O caso ampliou o espaço para críticas à política migratória do governo e agravou a tensão no Congresso, onde cresce a resistência democrata a apoiar qualquer pacote de financiamento para o ICE, a poucos dias da ameaça de paralisação parcial do governo.
ICE deve deixar a cidade
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse que conversou com o presidente Trump por telefone e que, após a conversa, parte dos agentes federais deveriam começar a deixar a cidade já nesta terça-feira (27), sem detalhar o cronograma ou o alcance da retirada.
Mais cedo, porém, Trump anunciou o envio do "czar da fronteira", Tom Homan, a Minneapolis para supervisionar pessoalmente a situação. Segundo o presidente, Homan responderá diretamente a Trump.
Nos bastidores, a medida foi interpretada como um esvaziamento do papel da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e do próprio Bovino, que vinha se tornando o rosto mais visível da presença federal na cidade.
Em coletiva na Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt negou que o envio de Homan represente qualquer falha de Noem. Questionada sobre o futuro de Bovino em Minneapolis, ela negou que houvesse planos de removê-lo de seu posto de encarregado da Patrulha de Fronteira.
Pesquisa sobre ação do ICE
A crise também começa a impactar a opinião pública. Uma pesquisa recente feita pela publicação Politico mostra que 51% dos americanos, incluindo 31% dos eleitores de Trump em 2024, consideram que não vale a pena colocar em risco a vida de manifestantes anti-ICE para conduzir ações de imigração. Outros 41% dizem que também não vale expor agentes do ICE a esse risco. Já 34% afirmam que os riscos aos agentes são um preço aceitável.
Trump sinalizou nesta segunda-feira (26) uma tentativa de distensão ao afirmar que conversou com o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, e que ambos estariam "na mesma sintonia". O gabinete de Walz classificou a ligação como "produtiva" e disse que o presidente concordou em considerar a redução da presença federal no estado.
Segundo Leavitt, Walz pediu explicitamente a diminuição do contingente federal, e Trump respondeu que isso dependerá da cooperação das autoridades estaduais e locais. A porta-voz afirmou ainda que a Patrulha de Fronteira não seria necessária em Minneapolis se houvesse colaboração plena das forças locais de segurança.