Eleições de meio de mandato de 2026: as vitórias históricas e os marcos inéditos do pleito
As eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos produziram uma série de resultados históricos. Entre os representantes de grupos minoritários, o país elegeu a primeira mulher negra a governar um estado, o primeiro senador assumidamente gay e o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira no Senado. Democratas e republicanos também passarão a contar com uma nova geração de parlamentares mais diversa, tanto nas assembleias estaduais quanto no Congresso.
As eleições de meio de mandato de 2026 nos EUA alcançaram marcos históricos de representatividade. O pleito elegeu os primeiros senadores muçulmano (Abdul El-Sayed) e gay (Chris Pappas). Nos governos estaduais, destacam-se Keisha Bottoms, primeira governadora negra do país (Geórgia); Deb Haaland, pioneira indígena (Novo México); Gina Hinojosa, primeira latina no Texas; Byron Donalds, primeiro negro na Flórida; e Xavier Becerra, primeiro latino a governar a Califórnia, além de vitórias inéditas no Congresso.
Primeiro senador muçulmano dos EUA
Eleito senador pelo estado do Michigan, o médico Abdul El-Sayed se tornou o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos. As pesquisas o apontavam como favorito na disputa contra o candidato republicano Mike Rogers. Filho de imigrantes egípcios, ele pertence à ala esquerda do Partido Democrata.
Primeiro senador declaradamente homossexual
Eleito em New Hampshire, Chris Pappas, se tornou o primeiro senador declaradamente gay. Aos 46 anos, vindo de uma família greco-americana conhecida no estado por administrar uma rede de restaurantes, Chris Pappas ocupava uma cadeira na Câmara dos Representantes desde janeiro de 2019.
Como deputado, destacou-se, entre outros feitos, pelo seu apoio à "Equality Act" (Lei da Igualdade), um importante projeto de lei democrata que visa incluir, na legislação federal, proteções contra a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero. Após sua vitória, ele apareceu no palco ao lado daquele a quem descreveu como seu "marido fantástico".
Primeira mulher eleita senadora dos EUA pela Carolina do Sul
Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews se tornou a primeira mulher eleita para o Senado representando a Carolina do Sul. Ela derrotou Darline Graham, escolhida por Donald Trump para representar o Partido Republicano neste estado dominado por quase três décadas pelos conservadores.
Andrews se apresentou como uma moderada de pensamento independente, preocupada com o poder aquisitivo, a qualidade de vida e a corrupção.
Primeira deputada mulher da Geração Z pelo Colorado
A democrata Melat Kiros se tornou a primeira mulher da Geração Z e a primeira negra a representar o Colorado no Congresso. Aos 29 anos, a advogada e socialista estará entre os membros mais jovens da Câmara dos Representantes.
Primeiro deputado muçulmano em Nova Jersey
Adam Hamawy se tornou o primeiro membro muçulmano do Congresso oriundo de Nova Jersey. Cirurgião de combate aposentado do Exército dos Estados Unidos e crítico contundente de Israel, ele integra a ala progressista do Partido Democrata e defende um sistema de saúde universal, bem como o cancelamento de dívidas estudantis e de empréstimos contraídos para despesas médicas.
Primeira deputada indígena em Nova York
Claire Valdez será a primeira mulher indígena a integrar o Congresso representando o estado de Nova York. Sua vitória representa mais um triunfo para a ala progressista do Partido Democrata, cuja influência crescente decorre, em parte, da popularidade do prefeito Zohran Mamdani, que apoiou a candidatura de Valdez.
Primeiro deputado homossexual pelo Michigan
O democrata Jeremy Moss se tornou o primeiro membro do Congresso abertamente gay pelo estado de Michigan. Ele assume a vaga deixada pela deputada Haley Stevens, que deixou o cargo para concorrer ao Senado, mas acabou sendo derrotada nas primárias.
Primeira mulher negra em um governo estadual
Ex-prefeita de Atlanta, a democrata Keisha Bottoms foi eleita governadora do estado da Geórgia e vai se tornar a primeira mulher negra a ocupar esse cargo nos Estados Unidos. Ela derrotou o executivo do setor de saúde Rick Jackson, que concorreu como candidato republicano. O atual governador, o conservador Brian Kemp, atingiu o limite de mandatos e não pôde se candidatar novamente.
Primeiro governador negro da Flórida
Primeiro negro eleito governador da Flórida, o conservador Byron Donalds venceu a disputa por apenas 1,5 ponto percentual. A margem estreita contrasta com o resultado de 2022, quando o republicano Ron DeSantis foi reeleito com uma vantagem de 20 pontos sobre o candidato democrata, sinalizando uma disputa bem mais competitiva no estado.
A campanha de Donalds foi marcada pela defesa de cortes de impostos, a regulamentação de centros de dados e alinhamento à agenda de Trump, em um estado que se tornou um reduto republicano cada vez mais consolidado. Logo no início da disputa, ele recebeu um apoio enfático do presidente americano, que ajudou a impulsionar sua candidatura.
Primeira governadora de origem latina do Texas
Gina Hinojosa se tornou a primeira governadora de origem latina eleita no Texas, estado profundamente conservador. A democrata desbancou o governador republicano Greg Abbott, que ocupou o cargo por quase 12 anos. Durante a campanha, os dois candidatos entraram em conflito em torno de questões culturais, incluindo a descriminalização do aborto.
Deputada estadual e advogada, Hinojosa será a primeira democrata a dirigir o Texas desde a ex-governadora Ann Richards, em 1990, e apenas a terceira mulher a ocupar o cargo no estado.
Primeira governadora indígena
Deb Haaland, eleita no Novo México, é a primeira mulher indígena a alcançar o cargo de governadora de um estado norte-americano. Ela já havia feito história ao se tornar a primeira nativa norte-americana a assumir um ministério, tendo sido escolhida por Joe Biden para gerir a pasta de territórios e os recursos naturais dos Estados Unidos. Durante seu mandato como ministra, conduziu uma investigação sobre os internatos que integravam crianças indígenas à força, uma iniciativa que resultou em dois relatórios oficiais.
Primeira mulher eleita governadora de Ohio
A democrata Amy Acton derrotou o empresário Vivek Ramaswamy, um aliado próximo do vice-presidente J.D. Vance, ao final de uma campanha conturbada. O pleito foi marcado por um vídeo divulgado pela equipe de Ramaswamy, no qual a própria mãe de Amy Acton chamava a filha de mentirosa e pedia aos eleitores que votassem contra ela. A mãe contestava a alegação de que teria maltratado a filha.
Amy Acton, ex-diretora do Departamento de Saúde de Ohio durante a pandemia de Covid-19, relata ter sofrido abuso sexual por parte do padrasto. Acusado de estupro pela enteada, ele fugiu de Ohio e morreu em 2004 sem jamais ter sido levado a julgamento.
Primeiro latino eleito governador da Califórnia
A Califórnia elegeu o democrata Xavier Becerra para o cargo de governador, o primeiro hispânico a vencer no estado mais populoso dos Estados Unidos. Ex-deputado, procurador-geral estadual e secretário de Saúde e Serviços Humanos durante o governo Biden, Becerra emergiu de uma disputa primária concorrida e acirrada para suceder ao governador Gavin Newsom.
Beneficiado pelo perfil majoritariamente progressista do eleitorado da Califórnia e por um ambiente político favorável aos democratas nas eleições de meio de mandato, Becerra entrou na reta final da campanha em posição confortável. Ao longo da disputa, associou repetidamente o republicano Steve Hilton a Trump e pediu aos eleitores que transformassem a votação em uma mensagem de rejeição à atual administração.
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