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'A onda ultraconservadora está desmoronando': após derrota republicana nos EUA, esquerda vê nova maré progressista global

A ampla vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos provocou reações imediatas de governos e lideranças políticas em diferentes partes do mundo nesta quarta-feira (4). O resultado, que devolve aos democratas o controle das duas casas do Congresso e enfraquece o presidente norte-americano, Donald Trump, a dois anos do fim de seu mandato, foi interpretado por aliados e adversários como um sinal de mudança no cenário político internacional.

4 nov 2026 - 07h22
(atualizado às 11h57)
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Resumo
A derrota republicana nos EUA repercutiu globalmente e foi vista por líderes progressistas da Espanha e França como o recuo da onda ultraconservadora mundial. No Irã, o revés foi atribuído à rejeição popular à guerra e à crise econômica, ponto admitido pelo próprio Trump e pela oposição francesa. A China tratou o pleito como assunto interno, enquanto os mercados asiáticos fecharam em queda diante de incertezas políticas. O resultado reaquece o debate sobre o futuro do populismo no mundo.

No Irã, a derrota republicana foi associada diretamente ao conflito entre Washington e Teerã. Em uma mensagem publicada na rede X, Mohammad Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, afirmou que os americanos disseram "não à guerra". Segundo ele, seja por convicção ou pelo impacto do aumento do custo de vida, os eleitores rejeitaram a política externa adotada por Trump. O próprio presidente americano reconheceu, em entrevista à Fox News, que a guerra contra o Irã foi parcialmente responsável pelo revés eleitoral de seu partido. 

O senador eleito pelo Texas, James Talarico, e a governadora eleita, Gina Hinojosa, ambos democratas, celebram com bebidas, cercados por apoiadores, no Whataburger em Austin, Texas (EUA), nesta imagem divulgada em 4 de novembro de 2026.
O senador eleito pelo Texas, James Talarico, e a governadora eleita, Gina Hinojosa, ambos democratas, celebram com bebidas, cercados por apoiadores, no Whataburger em Austin, Texas (EUA), nesta imagem divulgada em 4 de novembro de 2026.
Foto: © James Talarico / via X / via Reuters / RFI

Na Espanha, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez comemorou o resultado e o vinculou à disputa política em seu próprio país, que se prepara para eleições legislativas antecipadas no fim do mês. Para Sánchez, os eleitores americanos rejeitaram políticas associadas ao empobrecimento, ao negacionismo climático e ao avanço da extrema direita. Segundo ele, a chamada "onda ultraconservadora" estaria perdendo força em diferentes partes do mundo. 

Assunto interno 

A China adotou um tom mais cauteloso. O Ministério das Relações Exteriores classificou as eleições americanas como um "assunto interno" dos Estados Unidos e evitou comentários sobre o resultado. Mesmo assim, Pequim afirmou que pretende continuar trabalhando com Washington para administrar divergências e ampliar a cooperação em temas de interesse comum. 

Os mercados asiáticos reagiram de forma negativa ao novo cenário político em Washington. Investidores temem um período de impasses entre a Casa Branca e o Congresso, além de possíveis mudanças na política de apoio ao setor de inteligência artificial. O dólar recuou frente ao iene japonês e as principais bolsas da região fecharam em queda, entre elas Tóquio, Taipei e Sydney. 

Alerta para os franceses 

Na França, a esquerda celebrou o resultado como uma demonstração de que o avanço da extrema direita não é inevitável. A líder ecologista Marine Tondelier classificou a derrota de Trump como histórica e afirmou que a experiência americana deve servir de alerta para os franceses. O eurodeputado social-democrata Raphaël Glucksmann falou em uma "vitória da democracia e da decência", enquanto o senador ecologista Yannick Jadot avaliou o resultado como motivo de alívio. 

Lideranças da esquerda francesa também associaram a vitória democrata à recente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, vendo nos dois episódios sinais de um movimento de fortalecimento das forças progressistas. Manuel Bompard, coordenador do partido A França Insubmissa, afirmou que a mobilização popular tem permitido o recuo da extrema direita em diferentes países. 

Já o presidente do partido Reunião Nacional (RN), Jordan Bardella, descartou qualquer paralelo entre a situação americana e a política francesa. Segundo ele, o resultado das eleições nos Estados Unidos deve ser respeitado, mas não tem relação com a futura disputa presidencial na França. Ainda assim, Bardella reconheceu que a guerra contra o Irã pode ter desempenhado um papel importante na derrota republicana, especialmente pelos impactos econômicos sentidos pelos eleitores. 

Para muitos observadores, o resultado das eleições americanas ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e alimenta um debate global sobre o futuro dos movimentos populistas e nacionalistas que ganharam força na última década.

RFI com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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