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América Latina

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Após dois terremotos, Venezuela contabiliza mortos e amplia resgate

A Venezuela vive uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida por dois poderosos terremotos em sequência na tarde de quarta-feira (24). Segundo um balanço preliminar divulgado pelas autoridades, pelo menos 32 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas. O número de vítimas tende a aumentar nas próximas horas, uma vez que equipes de resgate ainda procuram sobreviventes sob os escombros de edifícios que desabaram em Caracas, La Guaira e outras regiões do país.

25 jun 2026 - 07h05
(atualizado às 07h26)
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De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro tremor, de magnitude 7,2, ocorreu às 18h04 no horário local, com epicentro localizado a cerca de 21 quilômetros a oeste da cidade de Morón, no norte venezuelano. Apenas 39 segundos depois, um segundo terremoto ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu uma área próxima, agravando os danos e provocando pânico generalizado entre a população.

Agentes da polícia municipal ajudam uma vítima ferida de um edifício que desabou após um terremoto ocorrido em Caracas, em 24 de junho de 2026.
Agentes da polícia municipal ajudam uma vítima ferida de um edifício que desabou após um terremoto ocorrido em Caracas, em 24 de junho de 2026.
Foto: © Juan Barreto / AFP / RFI

Em Bogotá, capital colombiana situada a aproximadamente mil quilômetros do epicentro, moradores relataram o balanço de edifícios, acionamento de alarmes e evacuações preventivas.

Os tremores foram sentidos em diversas regiões da Venezuela e chegaram a ser percebidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia. Relatos nas redes sociais também dizem que os abalos foram sentidos no Brasil, especialmente na Região Norte. Segundo informações repercutidas por veículos de comunicação, moradores de cidades como Manaus (Amazonas) e Belém (Pará) relataram oscilações em prédios, principalmente nos andares mais altos.

A situação mais crítica foi registrada no estado de La Guaira, região costeira localizada a cerca de 40 quilômetros de Caracas. As autoridades classificaram a área como zona de desastre após o colapso de diversos edifícios e a interrupção de serviços essenciais. Durante a noite, moradores tentavam retirar sobreviventes dos escombros enquanto aguardavam a chegada de reforços das equipes de emergência.

Vítimas sob escombros

"Há pessoas vivas lá embaixo e ninguém vem salvá-las", relatou uma moradora que procurava informações sobre a filha desaparecida após o desabamento de um edifício de 12 andares. Em outro ponto da cidade, Larry Rojas, de 49 anos, acompanhava os trabalhos de resgate diante de um prédio destruído onde familiares permaneciam soterrados. "Não temos mais nada. Nem forças, nem coragem para entrar ali", lamentou.

Na capital Caracas, os efeitos dos terremotos também foram devastadores. Jornalistas registraram o desabamento completo de um edifício residencial de 22 andares no bairro de Chacao, na zona leste da cidade. Voluntários e equipes de resgate trabalharam durante toda a noite na tentativa de localizar sobreviventes. Familiares reunidos ao redor dos destroços gritavam os nomes de parentes desaparecidos enquanto pediam lanternas e equipamentos para auxiliar nas buscas.

Estado de emergência

O governo interino, liderado pela presidente Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência em todo o território nacional e mobilizou forças de segurança, bombeiros e equipes médicas para atender a população afetada. Em pronunciamento à nação, Rodríguez afirmou que dezenas de edifícios desabaram e que as operações de resgate seguem em ritmo intenso.

"Estamos realizando um enorme esforço para salvar todas as vidas que for possível", declarou a presidente, acrescentando que o governo ainda não dispõe de dados completos sobre algumas das áreas mais atingidas.

Além dos danos estruturais, os terremotos provocaram cortes de energia elétrica em várias cidades e deixaram ruas cobertas por vidros, concreto e destroços.

Teto de aeroporto desaba

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, principal porta de entrada aérea do país, sofreu danos significativosem sua infraestrutura, incluindo queda de parte do teto dentro da área de passageiros, e teve suas operações suspensas por tempo indeterminado. Como alternativa, o governo informou que o aeroporto militar de La Carlota, localizado em Caracas, poderá ser utilizado para operações emergenciais.

As autoridades confirmaram ainda o registro de pelo menos 20 réplicas após os tremores principais, aumentando a preocupação da população e dificultando os trabalhos de resgate. Especialistas alertam que novos abalos podem ocorrer nos próximos dias.

A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e atualmente fora do país, divulgou uma mensagem de solidariedade aos venezuelanos. "Meu coração, meu abraço infinito e minhas orações estão com cada família venezuelana nestas horas de angústia", escreveu nas redes sociais.

A Venezuela está situada em uma região de intensa atividade sísmica e registra tremores com relativa frequência. No entanto, especialistas consideram que os abalos desta quarta-feira estão entre os mais destrutivos das últimas décadas. Entre os terremotos mais graves da história recente do país estão o de Cariaco, em 1997, que deixou 73 mortos, e o terremoto de Caracas, em 1967, responsável por 236 vítimas fatais.

Enquanto as operações de resgate continuam, o país permanece em alerta máximo. As autoridades temem que o número de mortos e desaparecidos aumente à medida que as equipes consigam acessar áreas ainda isoladas e remover os escombros dos edifícios que desabaram.

Com AFP e Reuters

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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